DEGUSTAÇÃO/PRÉVIA

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- Como meu amado irá me trair? Ele arranjará outra? Me matará? - pergunto desesperada para as vozes que gritavam em minha cabeça.

Logo todas se calam, em um silencio ensurdecedor. Não o silêncio de alivio, mas um silencio de tristeza, eu sabia que não gostaria da resposta que receberia.

- Não minha querida... Não é assim que ele lhe trairá... - diz apenas uma voz, num murmuro triste - Ele não lhe matará, quando você pedir. Porque acredite, minha pequena, você pedirá."

E logo sinto que todas somem, ao abrir meus olhos me vejo no meio do mar, com a água até meus joelhos. Novamente.

...

Sinto uma forte dor de cabeça e um zumbido alto, em meu ouvido, me fazendo gritar e sentar. Só então percebo onde estou, estou em meu quarto, sentada em minha cama.

Aquilo havia sido um sonho. Não, não poderia ser! Foi real demais para ser um sonho. Aquilo foi uma visão..

Mas aqueles não eram eu e Edgar. Era a primeira lenora e o seu amado, Gregory.

A única coisa que ocupava minha mente, agora, era: O que o levou a odiá-la tanto? E, se ele recusou-se a mata-la, quem havia matado?

...

Os sonhos constantes com as Lenoras já estavam me levando à loucura. Os gritos, resmungos, gemidos de dor, suplícios para que a dor acabe, e os pedidos de perdão, conseguiram me deixar desnorteada e angustiada.

O fato de que eu consigo sentir a dor e o sofrimento de todas elas, não me deixam dormir. O medo constante de que uma noite de sono se transforme em mais uma noite de tortura psicológica, e um surto de sonambulismo que me faz acordar na água, estão me consumindo e não me deixando dormir direito.

Além de me render uma bela dor de cabeça constante, está me deixando amedrontada e pensativa. Porquê, por mais que antes eu não quisesse acreditar, eu sei que tudo isto é real, e a cada noite eu tenho mais certeza disso.

O que mais me dói é que, se a maldição for verdadeira e ela é, eu estou fadada à morte. E não uma morte simples. Estou fadada a morrer pelas mãos do meu amado.

E eu, simplesmente, não consigo entender isso. Não consigo entender como pode, uma pessoa, deixar de amar a outra, e passar a odiar. Odiar ao ponto de matar, com frieza, aquele que um dia chamou de amor.

Me dói saber que se eu for morrer, será pelas mais de Edgar. Me dói, ainda mais, não saber se terei forças para lutar por minha vida. Não saber se, simplesmente, deixarei que ele mate-me ou se lutarei, ao ponto de ter que matá-lo para sobreviver.

Porque eu sei que, quando chegar a hora, eu terei que escolher entre a minha vida e a vida dele.

Eu só não sei que decisão tomarei.

E isso.. Isso dói mais que qualquer outra coisa.

Respiro fundo, tendo meus últimos pensamentos, antes de fechar os olhos e deixar que a escuridão me invada. Me fazendo entrar em mais uma noite de tortura em meio aos sonhos, gritos e berros, com as outras Lenoras."

...

Grito ao ouvir o zumbido alto em minha cabeça. O zumbido que estava me levando à loucura, nos últimos tempos, o zumbido que era o presságio de mais uma noite mal dormida, mais uma noite de gritos torturantes e gemidos de agonizo, mais uma noite de tortura psicológica e pesadelos com as Lenoras.

Abro os olhos, sem saber ao certo quanto tempo estava com eles fechados e estranho ao ver que ali só estava uma Lenora - a primeira de todas -. Respiro fundo ao vê-la se aproximar calmamente e sinto minhas mãos suarem, por mais que soubesse que era apenas um sonho, as sensações sempre eram muito reais para, simplesmente, ignorar.

- O que você quer? - pergunto sentindo todos os meus pelos arrepiarem em ansiedade e medo.

- Eu? Eu quero apenas te mostrar toda a verdade, criança. Você já sofreu demais, por minha culpa, acho justo que você saiba o motivo de todo o sofrimento. E a causa do seu futuro trágico. - diz segurando meu rosto com as duas mãos.

- E se eu não quiser saber? - pergunto decorando todos os traços do seu rosto, a semelhança era absurda, os mesmos cabelos vermelhos e olhos verdes, e os lábios, eram roxos, com o rosto pálido, diferente dos meus lábios, sempre vermelhos e pulsantes, com o rosto sempre corado.

- É claro que você quer, criança, todas querem! - diz antes de fechar os olhos e aproximar nossos lábios, deixando-os grudados.

E foi então que eu vi tudo.

Durante aquele tempo eu deixei de ser eu e passei a ser ela. Eu senti e vi tudo o que ela viu e sentiu. E não eram experiências que eu gostaria de ter novamente.

...

- E esse é o mal das Lenoras - murmura o homem, sorrindo triste e balança a cabeça, em negação, antes de virar as costas e se afastar. Deixando toda aquela história de mais uma Lenora para trás.

...

A chuva forte, que cai do céu, olhava meu corpo e alma. Limpa minhas lagrimas, medo, e o vermelho do sangue que mancha minhas mãos e roupa. Levanto chorando - não sei se de alivio, de dor ou de angustia -, e suspiro ao ver o corpo à minha frente. Agora está acabado, agora não terá mais dor ou tristeza, agora não haverá mais maldição para ser concretizada. A maldição está acabada

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⏰ Last updated: Feb 13, 2016 ⏰

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