Eu, Karen Button, era uma adolescente com sérios problemas de saúde. Mas fora isso, minha vida era até comum e ao meu ver, sem graça. Porém isso mudou até ela aparecer! De um jeito misterioso e repentino, extinguindo todo tipo de conhecimento sano que acreditava ser verdade. Agora tudo que antes parecia ser irreal vinha até mim, me atravessando como balas.
Havia tantas perguntas rondando minha mente do qual as respostas estavam tão acerca e distantes de mim, como se fossem escorregadias em minhas mãos. Ao mesmo tempo em que minha confiança na garota enigmática crescia a cada dia, a curiosidade também vinha sendo alimentada constantemente. Quantos segredos haviam por trás daqueles olhos destemidos? E o que o futuro incerto e indecifrável nos aguardava?
Mas é claro que antes havia coisas mais urgentes para se lidar. Como a ainda persistente birra do meu pai comigo, após eu ter feito uma vez na vida algo que classificaria como "muito adolescente". Mesmo que já tivesse se passado algumas semanas desde que quebrei o "Código de Confiança", que ele inventou há alguns anos, até uns dias atrás repetia o mesmo sermão. Comecei a desconfiar que ouvi-lo era minha verdadeira punição. E se fosse, devo dizer que pensaria duas vezes antes de fazer algo do tipo novamente!
Não me lembro muito daquele momento, apenas que em um instante estava me sentindo livre como nunca antes e depois veio o impacto do meu corpo contra o chão. Sei que normalmente não se dá muita importância a um tombo no gelo, é claro que eu não precisava estar tão rápido e também não foi uma simples queda e eu acabei me machucando seriamente. Talvez por sempre, tomar tanto cuidado em não me ferir que quando acontecia eu acabava me arrebentando para compensar as outras vezes. E por mais que em parte fosse mesmo exagero do meu pai, logo entenderão que comigo nada era muito simples ou normal.
Aconteceu depois de sair com um velho amigo, Dylan, em Nova Iorque para passear quando fui visitar minha mãe em sua casa. Claro que ela não sabia que íamos patinar, já tinha sido difícil deixar que eu saísse mesmo sendo só sete e meia da noite, mas o motivo era que estava sob os cuidados dela e tinha medo que algo acontecesse, algumas das neuras de seu ex-marido acabaram passando para ela. E pior ainda, seria se houvesse algo comigo quando estava acompanhada do Dylan. Esse era um bom motivo para culpá-la, já que meu pai não confiava muito nele; Ao contrario de Brandon, meu melhor amigo, ele não era muito responsável e não gostava da palavra restrições, mas também nunca me forçou a fazer nada que não quisesse. E a idéia de fazer aquilo foi minha, mesmo sabendo que ele não se recusaria em me ajudar. No entanto esse passeio me custou uma forte dor de cabeça, depois de tê-la batido com força no gelo. E problemas para o coitado do meu amigo que não querendo me meter em encrenca disse que ele havia sugerido irmos patinar e assumiu toda a responsabilidade por que se sentia mesmo culpado, repetindo suas desculpas enquanto esperava a ambulância, assustado com o sangue de um corte na minha testa no gelo, enquanto mal o ouvia já quase desmaiando.
Fiquei sob observação, trancada num quarto de hospital com os efeitos do remédio me dominando e me deixando sonolenta, fazendo difícil se quer abrir os olhos, pois minhas pálpebras pareciam pesar toneladas, só que relutante em me manter desperta, principalmente depois de começar a achar que a preocupação deles não fosse muito exagerada, repensando na hipótese de ter golpeado a cabeça com mais força do que me lembrava. Após ouvir vozes, que nunca soube direito se eram por causa da batida ou das alucinações por conta do medicamento.
Elas pertenciam a uma mulher e a um homem que não eram familiares, estava difícil captar ou ao menos fazer os ruídos virarem frases, porém ás vezes conseguia distinguir algo e formar diálogos, não que estas faziam algum sentido ou tinha alguma importância, mas chamou a minha atenção e atiçou a curiosidade, então me concentrei tentando imaginar a de quem eram as vozes.
- Serei sempre grato por seu apoio e por ser assim... Uma companheira única. – Disse ele com uma voz baixa e sedutora.
- Só faço aquilo que acho ser meu dever. – Esta voz feminina no inicio não me chamou a atenção. Não era muito diferente, mas se eu soubesse o quanto a ouviria meses depois teria tido arrepios pelo corpo. Sua voz não era cortante nem fria, apenas um pouco distante e mantendo certo tom respeitoso.
- Ainda assim minha admiração e sentimentos por você só aumentam! – Falou parecendo aos meus ouvidos mais claro e distinguível apesar de continuar com um tom baixo. Dando uns passos para mais perto dela, que por sua vez, estava ao meu lado. Me esforcei para vê-los, mas tudo que enxerguei foram cabelos ruivos e uma tatuagem no antebraço dele, que parecia algo como um selo, cheio de formas com um triangulo, um circulo e uma estrela dentro e o que me parecia letras ao redor em uma língua que nunca vi antes. Ouvi de novo seus passos e dessa vez um dos dois estava saindo do quarto.
Pouco depois senti como se algo me empurrasse para um lugar distante e bem profundo, talvez uma lacuna assustadoramente silenciosa em minha mente me fazendo perder a consciência e qualquer noção do que estava acontecendo ali. Tudo ficou pra trás, aquelas pessoas estranhas, o quarto do hospital e minhas dores, restando apenas um vácuo solitário.
Evitei pensar naquilo,pois ao acordar mais tarde, tudo estava normal e o que imaginei ter acontecidome dava calafrios, assim como aquela sensação de vazio e solidão que senti aoadormecer completamente. Ao mesmo tempo em que uma parte de mim me dizia queaquele não era apenas um sono pesado ou algum efeito colateral dos remédios,pois desse assunto eu entendia e nunca havia passado por algo parecido antes. Omedo de nunca mais voltar daquele lugar e permanecer perdida ali para sempreeram reais e agonizantes. Até o ponto de poder compará-lo a sensação de seestar trancada a um caixão e enterrada viva. Mas como muitos fazem após essasexperiências traumáticas e marcantes apenas as deixei ir para o esquecimento eignorá-las, mesmo que às vezes tentassem voltar para me atormentar me fazendoouvir aquelas vozes repetidas vezes em pensamento.8rvw
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A Verdade
Teen FictionKaren era uma adolescente com sérios problemas de saúde, mas, fora isso, sua vida era até comum e, a seu ver, sem graça. Porém isso mudou até ela aparecer! De um jeito misterioso e repentino, fazendo desvanecer todo tipo de conhecimento são que Kare...
