Depois de uma semana longa, intensa, cheia de estresses no trabalho, na rotina forte de treinos, para tentar recuperar um pouco da saúde que perdeu ao longo dos anos, uma carga pesada de estudos, resolveu que iria dormir cedo na sexta-feira para levantar-se o mais cedo possível no dia seguinte e ir até a praia para relaxar. Sua ansiedade em ter um momento de relaxamento espiritual, físico e mental era tão grande que demorou a pegar no sono.
Às seis e meia da manhã seu despertador tocou, pela primeira vez na semana não o colocou no modo soneca, queria levantar-se , sentir-se vivo durante todo o dia, aproveitar o que a vida realmente tem a lhe oferecer, prazer em estar vivo, pensou em preparar um café da manhã reforçado para poder dar uma corrida na praia mas refletiu bem e logo desistiu, hoje não é dia para esforços é dia para contemplação da vida, decidiu então tomar um belo banho e tomar café da manhã na padaria, uma refeição simples, pão na chapa com manteiga e um café preto.
Escolheu um livro que estava com muita vontade de ler, deixou o que estava lendo na cabeceira de sua cama, onde havia deixado-o na noite anterior, vestiu uma bermuda, pegou uma camiseta sem vesti-la, queria sentir o sol queimar a sua pele, calçou o primeiro par de chinelos que encontrou no armário, pegou seu smart phone e os fones de ouvido e deixou seu apartamento.
Como planejado, parou na primeira padaria que encontrou, tomou seu café da manhã e seguiu no sentido da praia. Estava escutando música e contemplando tudo ao seu redor, árvores, prédios, as pessoas que iam e viam. Fez questão de cumprimentar cada uma delas, independentemente de conhecê-las ou não. Sentia-se leve, alegre e acima de tudo grato por mais um dia.
Chegando à praia dispensou o guarda sol, a cadeirinha de praia, que sempre alugava quando ia curtir um dia de praia. Ao perceber a areia, retirou seus chinelos, queria sentir a área em seus pés. No início não foi agradável, a areia quente queimava a sola de seus pés mas aos poucos foi acostumando-se e assim que encontrou um lugar sossegado, o mais próximo possível do mar, sentou-se, colocou a camiseta, os chinelos e o livro ao seu lado.
Não sentia vontade de fazer nada, queria apenas contemplar o mar, o sol, o vento e tudo que aquele lugar poderia lhe oferecer. Percebeu, que sem querer, acompanhava cada um dos surfistas que estavam deliciando-se com as ondas que se formavam naquela hora. Veio um pensamento em sua mente, como deve ser bom surfar, porquê nunca tentei aprender? Deve ser uma sensação maravilhosa. Aos poucos ia se perdendo em seus pensamentos. A medida que o tempo passava iam sendo levados pelo vento que soprava leve e suave.
Estava calmo, sereno, quase em transe, apenas sentido a brisa do mar em seu rosto, sentido sua pele queimar pelos raios solares que tocavam seu corpo, viajando nas músicas que escutava, quando de repente toca Relicário, esta obra prima composta pelo monstro Nando Reis e interpretada por não menos monstruosa Cássia Eller.
Foi invadido por um mar de sentimentos e lembranças. Enquanto passava um tsunami de ideias, planos e lembranças em sua cabeça, sentiu vontade de falar, baixinho, apenas para si mesmo, sem que ninguém escutasse. Obrigado senhor por ter o privilégio de estar aqui. Nada mais conseguia tirar este pensamento de sua cabeça. Um lágrima escorre de seus olhos, não havia tristeza, apenas um sentimento fortíssimo de gratidão por tudo que aconteceu, acontece e acontecerá em sua vida, repetiu várias vezes, obrigado, obrigado e obrigado.
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Obrigado
Short StoryGratidão pela vida, talvez este seja o sentimento mais difícil que podemos ter nos dias atuais.
