Capítulo 1

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- Ah! Merda! Ô seu cagão! Que palhaçada é essa? Isso aí não é teu, não! Mais que babaca! – grita Jonas, da areia.

- Calma, Jonas! – Claire levanta-se da toalha. – Não fale assim com ele! Coitado do menino! Opa! Parece que foi sério mesmo, hein!

- Ih, deu merda mesmo! – exclama Jonas, que percebe a gravidade da situação.

Peter senta-se nas marolas. Havia tropeçado e batido a nuca em algo duro, e estava agora sentado na água, esfregando sua cabeça. Tinha quase quebrado o equipamento de stand up paddle de Jonas. O casal vai ao encontro dele.

- Machucou? – pergunta Jonas. – Eu disse que você não ia nem entrar na água com isso.

- Minha cabeça! Ah! – Peter geme de dor. – Tá saindo sangue? Tá sim! Droga!

- Mas no que foi que você tropeçou? – pergunta Clair, averiguando o ferimento.

- Não sei! Alguma coisa preta e dura, parece que está enterrada. Não faço a menor ideia do que seja. Não estava ali ontem. Talvez um pedaço de madeira. Não sei. Ai!

Jonas parte para perto da água para procurar o tal objeto, seguido de Clair e Peter.

- Estranho. Essas praias são sempre tão limpas. – afirma Jonas.

- É mesmo. – Clarice concorda, vasculhando o chão com os pés. – Essas praias são quase desertas. Mas de vez em quando alguma coisa pode aparecer na areia. Os vizinhos podem ter esquecido algo, na pressa de ir embora.

- Aqui! Achei! – grita Peter. Eles se juntam para observar um pedaço de plástico, preto e duro, saindo da areia.

Jonas se agacha e começa a cavar.

- Parece uma caixa. Que estranho.

- Credo Jonas, e se tiver um corpo aí dentro? – Clair se afasta. – Eu nem quero ver o que tem aí. Vem P, vamos ver o que tem nessa cabeça.

- Nada. – diz Jonas.

- Morri de rir. – responde Peter. – Pode deixar Clair, eu vou botar gelo nisso aqui. Já volto.

- Ok. – responde ela. – Já chama a Sam e o G pra mim?

- Sem problemas. – diz Peter, cambaleando de volta pra sua suíte.

Os cinco haviam alugado três quartos em uma praia exclusiva e meio deserta, já quase no fim da temporada. Havia cinco suítes na parte de cima, todas com ar-condicionado, frigobar, água quente, telefone e tudo mais. Peter estava dormindo sozinho numa suíte só dele, Samantha e George estavam juntos na suíte do meio e Jonas e Clair dormiam na maior delas, a única com cama de casal. Na parte de baixo havia espaço para os carros e para festas, com uma bela piscina em frente. Ao lado, outro prédio idêntico ao deles, do qual duas famílias já haviam ido embora no dia anterior. Compraram um pacote de uma semana para cinco pessoas com um mês de antecedência, numa promoção de um site  que oferecia estadia numa das mais belas e exclusivas praias Califórnia pela metade do preço. Baixo o suficiente para os cinco resolverem se encontrar no que poderia muito bem ser a última vez que teriam a oportunidade de reunir todos para qualquer coisa.

Peter entra na suíte dos dois irmãos, Sam e George.

- Nossa! Isso é sangue? – Sam se levanta da cama e analisa o ferimento de Peter.

- Puxa vida, cara! O que aconteceu? – pergunta George, acompanhado Sam e já procurando pelo kit de primeiros socorros.

- Bati a nuca em alguma coisa enterrada na areia. – diz Peter, em meio a gemidos. – Os dois estão lá fora, desenterrando a tal coisa. Eles querem que vocês lá pra dar uma olhada.

- Ok, mas primeiro vamos ver essa cabeça. – diz Sam, limpando o sangue com um guardanapo.

Depois de Sam acabar de fazer o curativo, os três chegam à praia, onde Jonas já havia feito um buraco em volta da caixa de plástico preto.

- Caramba, não parecia tão grande quando comecei a cavar. Vem cá G, me ajuda aqui.

- O que será que tem dentro disso? - pergunta Peter, esfregando o curativo na cabeça.

- Não sei, mas me parece bem pesado. Muito pesado pra ser um corpo. Pelo menos não um corpo só. Tá cheio até aboca com alguma coisa e tá muito bem selado com algum tipo de cola. Não deu pra ver nenhum nome nem nada que diga de onde veio E também não tem muita craca grudada nele, então deve ter caído de algum caminhão, ou coisa assim, faz pouco tempo. Deve ser um carregamento de algum produto de supermercado.

- Não me vem outra coisa na cabeça mesmo. – comenta Clair.

- Vamos abrir? – pergunta Peter

- Não sei. – diz Jonas. – Pode ser uma boa ideia.

- Que mal pode ter? Vou buscar uma faca.

- Não! Volta aqui P! – Clair tenta evitar, mas Peter parte em direção a sua suíte e logo volta com uma faca longa de cortar carne.

Os cinco tiveram que ajudar a erguer a caixa e quase não deram conta de seu peso. Era quadrada, tinha cerca de sessenta centímetros de altura por oitenta de largura e uma tampa muito bem selada. Foi necessária muita força para perfurar a tampa e serrar um corte até que se abrisse um pequeno buraco.

- Consegui! – comemorou Peter, tirando uma lasca grande da tampa com usando toda força que tinha.

- O que tem dentro? – pergunta Sam, inquieta. – Não deveríamos estar fazendo isso!

- Calma. – pede Peter, botando os olhos pra dentro da abertura. – Não consigo ver nada. É muito escuro aqui dentro. Espera.

Peter põe a mão dentro do buraco aberto na tampa e agarra algo duro, envolto em um plástico. Tenta retirá-lo dali, mas o objeto não passa pela abertura.

- Não quer sair, mas já posso dizer que não é um corpo.

- Abre mais isso aí. – diz Jonas, pegando a faca na mão. – Me deixa aumentar isso. Dá licença.

Jonas força a faca na tampa e corta mais um pedaço de plástico, grande o suficiente para passar até dois braços. Peter estica a mão dentro da caixa, retira o objeto e o joga rapidamente na areia, tentando assustar os outros.

Fez-se um longo silêncio e não se ouvia nada além de respirações ofegantes e ondas quebrando. Alguns levaram as mãos à boca e outros esfregavam freneticamente os cabelos. Geroge e Jonas caem sentados no chão.

Os cinco formam um círculo em volta do objeto: um tijolo de mil cédulas de cem dólares, embalado a vácuo reluzindo no sol da manhã, faiscando o plástico duro que o envolvia, afundando na areia diante deles.

Peter, tão incrédulo quanto todos, dá uma olhada para dentro da abertura que tinha feito na tampa enquanto todos o observam, esperando pela resposta cujo estômago deles congelava pela expectativa. Ele vagueia os olhos por entre o rosto de seus amigos, e assente, meneando a cabeça.

- Sim. Tá cheio.

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