Chuva Na Rua

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Chovia muito aquela noite. Era muito agradável, pois o calor daquele dia estava insuportável. Dois homens se encaravam no meio do asfalto de uma pequena cidade. Um deles usava uma calça preta jeans e um casaco de mesma cor com um capuz que, mesmo se o lugar fosse bem iluminado, não se via nada de seu rosto. Ele segurava uma faca grande, do tamanho das usadas pelos pescadores para estripar peixes, mas essa era ornamentada, linda, com um cabo preto brilhoso e uma lâmina tão brilhante que parecia diamante.
O outro homem também usava jeans, só que azul, e por sua blusa fina e vermelha, notava-se que não sentia frio com facilidade. Ele era magro, com uma pele branca. Cabelos e olhos negros encarando o outro encapuzado. Não segurava nenhuma arma, mas trazia na boca um meio sorriso, aquele que só os mais confiantes de si podem dar. Pelo jeito que a cena corria, não demorou para o embate começar.
A lâmina cortava as gotas de água em busca do corte macio da pele de sua vítima. Mas esse prêmio não iria vir com facilidade. Cada movimento do encapuzado era previsto pelo outro que desviava tão suavemente quanto uma dança. Atacou a cabeça, as pernas, os braços, mas seu principal alvo era o tórax.
Ambos já suavam com os primeiros cinco minutos de luta, apesar da chuva. O encapuzado já ofegava quando o contra ataque de seu oponente veio rápido como o relâmpago que passou no céu aquele momento. Pareceu que iria lhe torcer o braço, mas só pressionou ate que a grande faca estivesse no chão. Então puxou o capuz do seu adversário, que já não esboçava mais reação sentado no chão molhado.
-Não quero fazer isso, irmão. Não me obrigue.
O rosto que virou e encarou o primeiro era exatamente igual. Ambos tinham o mesmo formato de olhos, tamanho do nariz, pele mortalmente branca.
-É só você voltar pra casa. E não somos irmãos.
-Não vou voltar. Não depois do que Ele fez.
-Então você vai morrer. Se não por mim, será por outro de nós.
No momento em que o rapaz ia pegar a faca para guardar em seu bolso um forte farol de carro o encandeou de repente. Quando voltou a ver, o encapuzado e a faca tinham sumido. O homem que desceu do carro perguntou se estava tudo bem com ele, que não respondeu. Percebeu que ficar ali era muito arriscado, e sumiu correndo para a escuridão da noite no meio da chuva.

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