Minhas Nem Tão Novas Amigas

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Meu arrependimento podia ser sentido a quilômetros de distância, e minha alegria de ter voltado viva, era bem perceptível.
Meus olhos estavam inchados, e também haviam olheiras abaixo deles,mostrando meu sofrimento. Era um dia chuvoso, e eu ainda continuava parada no ponto do táxi, mesmo com a grossa chuva caindo sobre mim. Para que tudo estivesse perfeito, um carro preto passa numa poça, molhando-me ainda mais.
— Ainda tem mais alguma coisa para meu castigo ?
A chuva que estava ruim se tornou pior, e começou a trovejar,me trazendo frustração e mais arrependimento. Eu sabia o quão grande havia sido meu erro,e não tinha como fugir das conseqüências. Suspiro pesado e começo a andar rumo ao orelhão que havia ali perto. Disquei rapidamente o número da minha casa, e esperei que atendessem,mas parecia que não havia ninguém em casa. Desliguei frustada e dessa vez liguei para a casa de Amberly,esperando que ela atendesse. Quando eu estava quase desistindo, ouço a voz aveludada e calma de Amber ao telefone.
— Alô ? - Ela dizia impaciente, e parecia cansada.
— Amber ? - Pergunto mesmo tendo a certeza que era ela,pois eu podia reconhecer aquela voz a quilômetros de distância.
— Beth ? - O seu tom de voz mudou,de cansado, para surpreso.
— Sei que eu não tenho esse direito...mas será que podia me buscar na frente do aeroporto ? - Falei com uma careta,e mordi o lábio inferior, esperando uma resposta, que eu tinha quase certeza que seria negativa.
- Estará me devendo explicações. Chego ai em vinte minutos. - Ela desliga e um suspiro escapa, sem que eu mesma perceba eu já estava sorrindo em saber que por mais que eu fosse uma estúpida, e burra, as minhas amigas estariam sempre ao meu lado.
Olho em meu relógio, e apenas dez minutos haviam se passado depois de eu ter falado com Amber. Comecei a bater o pé, e olhar para o céu que ainda estava nublado,tinha parado de chover,mas minhas roupas ainda estavam molhadas.
— Droga. - Digo entediada,ela estava demorando demais. Alguns carros de polícia param em frente a uma loja, e todos apresados saem dos carros,com as armas em punho.
Vejo um homem sair com um refém a mira, logo em seguida correndo com um bebê nos braços. Meus pés se movem sozinhos e eu acabo correndo atrás dele. Desvio das pessoas e jogo minha bolsa em qualquer lugar. A única coisa que se passava em minha mente era "Salve o bebê". Meus pés se moviam tão rápido que eu estava ficando assustada,mas isso era apenas adrenalina. O homem ainda estava com a criança nos braços,eu estava perto de pegá-lo. Ele para e vira-se,apontando a arma para mim,e logo depois para o bebê.
— Me dê o bebê...e você pode ir. - Digo ofegante,com as mãos em rendição. Olho para seu rosto,tentando memorizar cada detalhe,tentando achar alguma cicatriz.
Ele tinha uma tatuagem no pescoço, e uma cicatriz acima da sobrancelha. Os polícias corriam até nós,o que o faz olhar para o rio corrente ao nosso lado.
— Não...não - Antes que eu pudesse terminar de falar,ele se joga da ponte com o bebê. Sem pensar,pulo atrás, e nado em direção a criança, nos levantando até a superfície. Nadei até a margem do rio, colocando o bebê deitado sobre a folhagem sem cor, fiz m massagem cardíaca com os polegares, até ouvi-lo chorar,o que me faz sorrir.
— Aquele malvado vai levar uma bela surra por molhar você...e o dinheiro.
Pego o bebê no colo e me ponho de pé, olhando para o rio,talvez eu gostasse disso, salvar as pessoas.
Ao chegar na frente da loja, onde todos os policiais ainda estavam,um grupo de pessoas começaram a bater palmas,e abrir caminho até a mãe do bebê.
— Meu filho...- Pude ver as lágrimas que foram de tristeza, se transformarem em lágrimas de alegria.
— Ele está com frio...- Disse eu,olhando para toda aquela gente que ainda me olhavam com gratidão. Parecia que todos ali eram parentes da criança, ou talvez eles apenas tinham se colocado no lugar da mãe.
— Obrigado. - A mulher dos cabelos negros de repente me abraça, ainda chorando. - Obrigado por me trazer meu bebê de volta para mim.
— Não precisa agradecer...tenho certeza que teria feito a mesma coisa por qualquer outra mãe.
Me afasto para poder olhar em seu rosto, sorrindo. Um homem me pega pelo braço e me leva até a uma ambulância, pondo um cobertor sobre meus ombros.
— Pode me dizer como era o homem que levou o bebê ? - Ele põe as mãos nos bolsos, e olha-me com aqueles olhos absurdamente azuis.
— Ele tinha uma cicatriz acima da sobrancelha,e uma tatuagem no pescoço,era um tipo de símbolo.
Aperto o cobertor sobre meus ombros e ainda continuo olhando para os olhos do policial. Eram tão bonitos, assim como ele por inteiro. Me perco em meus pensamentos e quando caio em si, ele já havia sumido. O procuro com os olhos, mas não o vejo. Tomo um enorme susto ao voltar com os olhos para frente, e ver Amber parada, me olhando fixamente.
- O que acha de me explicar o que houve aqui...e antes ? - Sua voz era uma mistura de,raiva, saudade e compreensão. Me levanto e abraço-a sem aviso prévio.
Não me importei em molhar sua jaqueta,com tanto que eu estivesse ali dentro, daquele abraço.

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