JULHO DE 2006
Os cabelos negros de Sophia só não reluziam mais do que o seu sorriso. Ela estava falando mais do que de costume, eufórica por finalmente ter conseguido um emprego novo.
O jeito quieto de Luke não o permitia esboçar muita empolgação, mas ele estava feliz, ria de lado, ouvindo atentamente cada detalhe sobre a entrevista que a namorada tivera mais cedo, e os planos que aquela oportunidade lhe traria.
Luke e Sophia sempre foram amigos, namorados, confidentes. Um era o pilar do outro, o que tornava tudo fácil entre eles, de modo que palavras nem precisavam ser usadas. Um gesto, um olhar, acabava sendo mais do que suficientes, o silêncio era confortável e a segurança era garantida.
Sempre incluíram um nos planos do outro, e mesmo naquele momento tão difícil para ela, Luke estava lá, mesmo sem poder estar e faria isso porque a amava, porque era seu porto seguro.
A empolgação ainda permanecia, mas Sophia já havia lhe contado tudo, então deixou que uma música country tocasse baixinho dentro da caminhonete que estavam. Aproximou-se mais do seu namorado, apoiou a cabeça em seu ombro e foi abraçada por ele.
- Você acha que vai dar certo? – Olhou ele de canto, vendo seu sorriso refletir o dele. – Digo, ela vai ficar bem, não é?
- Você é a filha dela, já deu tudo certo.
- Lindo. – Ela sussurrou em seu ouvido.
- Linda. – Respondeu de volta, na mesma intensidade e amor.
Lindo e Linda eram as palavras usadas pra dizer aquelas três famosas, e para os dois representava até mais.
Luke desviou um instante da estrada para beijar Sophia, como sempre acontecia, os lábios pareciam imãs, buscando contato a todo instante. O beijo foi interrompido por um clarão, um carro em alta velocidade surgiu, e num reflexo hábil Luke desviou, mas a estrada estreita não impediu de o carro bater contra a frágil ponte e cair no rio.
Escuro.
- Luke, acorda. – A voz desesperada de Sophia despertou o namorado. Luke lembrou automaticamente de onde estava, pois sentia a água fria já cobrindo a maior parte do seu corpo. – Graças a Deus. – A garota disse aliviada por ele estar bem, estar vivo. – Estou presa e você não acordava, me ajuda!
Sem nem precisar processar o pedido, Luke procurou meios de tirá-la de lá, mas a perna estava presa no câmbio do carro antigo. Ele se esforçou até o seu limite, e então tentou de novo, e de novo, sem deixar espaços para a exaustão, Luke lutava contra o tempo e a água.
- Não estou conseguindo. – Revelou atordoado quando a água ultrapassava a linha de seu queixo.
- Eu confio em você. – Sophia murmurou, em meio à tentativa de esconder o seu choro. Seu pescoço já estava levantado e o pânico já a tinha dominado há bastante tempo, mas não podia deixar que ele soubesse. – Luke, eu confio em você.
Sophia repetiu aquelas palavras, porque sabia que poderia. Mesmo se não sobrevivesse aquilo, tinha certeza que Luke continuaria a fazer o que fosse necessário para salvar sua mãe.
- Eu não vou te abandonar!
Não se passou muito tempo, a água tomou o carro e a vida dos dois. Sophia estava totalmente imersa, Luke levantava para buscar ar, inflava suas bochechas com o máximo que conseguia e mergulhava passando tudo para ela, depois continuava tentando a libertar dali. Fez isso por quatro vezes, ele contou.
"Eu amo vocês" e a imagem daquela que lhe era tudo, ainda saudável, foi à última coisa que Sophia pensou antes da água roubar seus sentidos de uma vez, fazendo Luke gritar. Bolhas saíram de sua boca, cada átomo delas, era a sua dor começando a se esvair.
Milhares de pensamentos inundaram seus pensamentos à medida que sua boca enchia de água e seus pulmões, sem ar, queimavam em seu peito. Mas ele não podia deixá-la, o pouco de força que lhe sobrou ele dividiu em dois, para conseguir tirá-la de dentro do carro, e a outra pra tentar reanimá-la.
Quando deitou o corpo inerte de Sophia na margem, Luke apertou o nariz dela e soprou a vida que lhe restava, comprimiu seu peito, depois deixou o cuidado de lado e o esmurrou, não obteve sucesso e esmurrou o chão ao seu lado, gritando para que ela voltasse, reagisse e dissesse que tudo ficaria bem. Nada. Cansado e incrédulo, ele a tomou em seus braços e, lhe acolhendo, se permitiu chorar, tendo aquela despedida particular daquela que ele amaria eternamente. Eterno também seria a sua culpa. Sophia havia partido levando tudo, já que metade de Luke era ela, e a outra, ele, de bom grado, havia lhe dado.
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11. Through The Dark
RomanceO quanto de culpa os ombros de um homem podem carregar? O quanto vale a sua promessa? O quão apaixonada uma mulher pode ser? Até onde esse amor quebrado pode leva-la? Ela era luz, ele a escuridão, ela lutava para salvá-lo, ele lutava pra ser absolvi...
