PRÓLOGO

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Com o coração a mil, ela levantou sua cabeça e abriu os olhos, deparando-se no comando de um exército de belas mulheres, que vestiam armaduras e longos vestidos. Estavam em meio a um campo de guerra, imerso em barro com pequenos arbusto negros sem nenhuma folha, com os galhos retorcidos e barulhentos tão tenebrosos quanto espíritos na noite. À sua frente, pode avistar um grande batalhão de criaturas horrendas de cor acinzentada, que possuam garras pontiagudas e afiadas, e bocas enormes para comportar suas grandes presas. Estes eram seus adversários, estavam enlouquecidos para dilacerar aquelas mulheres, no entanto, esperavam o comando de um misterioso ser que vestia uma grande capa negra, toda suja e perfurada, que cobria todo o seu corpo e rosto.

Com um olhar tentador e um sorriso sarcástico, a garota fitou o inimigo como quem estivesse provocando um homem. Logo em seguida, jogou para o alto um botão de rosa vermelha que carregava em sua mão esquerda, juntamente com um grande e glorioso grito de guerra, que terminava em uma imensa gargalhada quase sem fim. Imediatamente suas guerreiras começaram a se mover para atacar o inimigo em uma velocidade inimaginável aos seres humanos, resultando em um vulto gélido e transparente. Sem exceções, o ser de capa negra deu o seu sinal, levantando sua mão para cima e apontando para frente, fazendo com que suas criaturas impetuosas agissem, dando início a uma batalha sangrenta.

Mesmo em guerra, todas aquelas mulheres se vestiam belamente, mas a pedra deste anel  era sua líder. De pele branca como a neve, seus labios rosados se destacavam seu em rosto. Com um corpo perfeito, um vestido longo e vermelho colado e seus cabelos pretos e lisos escorridos para o lado, ela poderia matar qualquer um de prazer ou inveja.

Rapidamente, a rosa que ela havia lançado ao alto se transformou em um grande tridente cor de chumbo, com diamantes e esmeraldas incrustados em toda sua superfície e três grandes correntes de ouro que ficavam presas de uma extremidade a outra. Refletia uma luz semelhante a do arco-íris, mas emanava uma energia pesada e sombria. Logo abaixo, um vendaval de poeira se formou à sua volta, deixando-a invisível a qualquer um. Abruptamente, ela deu um salto saindo de dentro do redemoinho e o desfazendo para apanhar sua arma, pairando no ar em frente as três grandes luas que haviam naquele céu nublado. Podia-se perceber que ela também havia se transformado:  o seu belo vestido foi substituído por uma saia vermelha rasgada e desfiada que se movia como chamas. Agora, o que cobre seus seios são seus cabelos que ficaram brancos e crespos. Sua face, agora demoníaca, visava a morte e a destruição.

A entidade misteriosa havia observado todos os seus movimentos, até que viu a garota levantar o tridente, que de alguma maneira intensificou a luz da lua que estava ao meio das outras, cegando totalmente a visão dos que estavam à um raio de 10km. Com um olhar perverso e trevoso, a garota fez um movimento relâmpago, dirigindo-se a entidade pronta para dar uma investida mortal. Mas para sua surpresa, quando bem perto, o inimigo sacou uma espada de prata com um grande relevo circular acima do punhal, que oscilou um som agudo, sinalizando que era muito afiada. Com as pontas de seu tridente quase na garganta do misterioso, subitamente ele desapareceu, surgindo então, atrás de suas costas, atacando-a e provocando um grande e profundo corte. Era de se esperar que tamanha ferida daquela, que iniciava na ponta de seu ombro e se estendia até o meio de suas vértebras, sangrasse, porém, no lugar do sangue, jorrava algo brilhante, como um pó dourado. Ela não conseguia se levantar, alguma coisa estava impedindo que se movesse. Ajoelhada no chão sem poder fazer nada, ela gritou para o ser oculto, assemelhado-se à um rugido de uma pantera que foi atingida pela flecha de um caçador:

- Quem és tu, ordinário que esconde-se atrás destas vestes medíocres de um covarde? Diga-me se achas que é capaz de algo!

Não veio nenhuma resposta, mas passos vinham em sua direção. A garota olhou para trás, viu que o misterioso se aproximava enquanto passava seus dedos na lâmina da espada que exalava um vapor esverdeado:

- Afinal, aquelas Napéias não são tão inúteis assim. - dizia com uma voz variável, que ia e voltava - É fatigante tentar encontrá-las, mas vale o esforço.

- Tu és infame, criatura desprezível ! - tentava levantar - Além de agir pelas sombras, utiliza das forças de outros seres ao invés das suas para conseguir a vitória !?

- Calada! - atingiu a cabeça da garota com o punhal da espada - Farei o possível e o impossível para te derrotar. Lhe presegui durante milhares de anos, - falava enquanto à circundava - e me cansei de ver a glória que somente você possui, e cansei de ver todos aos seus pés. Eu me cansei de VOCÊ!

- O que pretende fazer então?

- Com isso aqui - mostrou a espada - será fácil enviá-lá para o...

De repente, o misterioso se virou para traz e posicionou a espada à sua frente para se defender do ataque aéreo vindo com os pés de uma das guerreiras do exercíto da garota. O impacto foi tão intenso que provocou uma imensa onda sonora. A guerreira negra com um grande Black-Power cacheado de armadura branca e cristalina demonstrava poder e, para provar isso, impulsionou suas pernas sobre a espada do ser misterioso e o jogou à quilômetros de distância, tão facilmente como se fosse apenas uma brincadeira. Deu um giro para trás no ar e caiu ereta ao chão, para logo em seguida, socorrer sua senhora. Ela se abaixou e pegou nas mãos da garota ferida, percebendo que ela estava pálida e gélida:

- O que aquilo fez com vossa senhoria?

- Não sei, mas não é bom. Não se preocupe comigo, apenas descubra quem é.

O ser se levantou da possa que havia caído, e pela forma que se retorceia, era de se deduzir que estava furioso. Não se deu ao trabalho de correr atrás das duas inimigas, percebia que tinha um plano maior. Ele levantou sua espada para o alto de sua cabeça com a lâmina para frente, e ao mostrar sua lateral, via-se que o relevo que havia nela começou a se abrir, revelando um grande olho verde de dragão. Aquilo liberou uma névoa negra densa que se expandia a cada milésimo de segundo. De dentro dessa névoa surgiram sete sete sombras com aparência humanóide, no entanto com longos braços. Eram almas, almas sombrias que gritavam enquanto flutuavam em volta da espada. Aquilo assustou a guerreira negra que estava observando tudo, não fazia sequer ideia do que era:

- Rosa Negra! - gritou bela que estava ao chão, tirando a guerreira de seu transe - Impeça que ele termine!

- Mas o que ele está fazendo?

- Não é hora de perguntas, vá logo antes que seja tarde!

Em apenas um segundo, a negra se levantou, porém o misterioso começou a recitar:

- Dessi...

A negra deu dois socos na armadura que, logo em seguida, começou a brilhar:

- ...pa...

A negra começou a correr. No terceiro passo, ficou na ponta de seu pé direito e girou para o outro lado, fazendo com que seu corpo se concentrasse em um só ponto e desaparecer:

- ...te! (¹Dessipate)

Rosa Negra surgiu logo à frente da entidade em questão de segundos, mas já era tarde demais. Ele fincou a espada no chão, dando origem a uma esfera de energia tão forte e maligna que expulsou a negra do local, jogando-a tão longe que excedeu o campo de batalha, fazendo com que desmaiasse ao cair em cima de uma grande pedra que havia em um bosque ao redor do local.

Enquanto isso, a garota começou a se desintegrar, seu corpo trincava com louça e pedaços caiam na terra. Ela estava se transformando em luz, parte por parte, e a desaparecer. A entidade que estava articulando tudo isto gargalhava enquanto dizia:

- Esse é seu fim, Hypólitta, a Destruição chegou até você.

Porém, sua alegria veio a acabar rapidamente, pois cinco das guerreiras da garota se juntarem para capturar aquele ser, mas ele desapareceu como fumaça, escapando ileso e deixando a espada para trás. Os sete espíritos liberados pela espada apareceram subitamente em volta da garota, sendo a presença deles mais aterradora do que a dos monstros que às atacavam. Eram fortes o bastante a ponto de impedir que alguém respirasse apenas com suas aproximações. Dois deles agarraram os braços da garota, levando ela para o alto enquanto chegavam cada vez mais perto, até formarem um círculo. Nos seus últimos momentos, seu corpo brilhava e esquentava cada vez mais, sentia que não havia mais fôlego. A visão escureceu e então...

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⏰ Last updated: Jul 30, 2024 ⏰

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