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CAPITULO 01: Kageyama

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Desde que entrei para a equipe de voleibol da Karasuno, meus dias mudaram. Entre treinos exaustivos e a energia vibrante do ginásio, descobri sensações novas — algumas intensas demais para serem ignoradas. E, por causa de um certo assistente, percebi um sentimento que jamais imaginei ter.

Era um treino comum. Eu e Hinata estávamos praticando levantamentos velozes, o som das bolas ecoando pelas paredes, o cheiro de madeira misturado ao suor. No impulso de um salto, ele perdeu o equilíbrio. Não houve tempo para evitar: sentimos o impacto ao mesmo tempo, o ar fugindo dos pulmões, o eco da queda reverberando pelo ginásio.

A bancada atingiu minhas costas com força, mas ele recebeu o impacto do chão. Eu deveria estar preocupado ou irritado. E estava — até abrir os olhos.

A camisa dele estava desalinhada, revelando um vislumbre da pele clara, quase luminosa sob as luzes altas. Minha raiva se dissolveu como fumaça, substituída por algo quente e incômodo. Um desejo súbito, intenso… quase perigoso. A respiração dele estava próxima demais, e eu não sabia mais se queria empurrá-lo ou puxá-lo para mais perto.

O tempo parecia ter se partido em dois — o momento antes da queda e o agora, suspenso, silencioso, apenas o som apressado das nossas respirações preenchendo o espaço.

Os fios alaranjados do cabelo dele roçavam meu rosto, quentes, como se guardassem o sol do treino. A palma da minha mão, instintiva, se apoiou no chão ao lado de sua cabeça, mas os dedos quase tocaram a pele exposta da clavícula.
Quase.

Ele piscou, surpreso, e um breve “Você está bem?” escapou de sua boca num sussurro rouco. Não havia deboche, não havia a energia elétrica habitual — apenas uma vulnerabilidade que me desarmou.

Eu deveria responder. Levantar. Rir disso como se fosse só um acidente. Mas algo em mim não queria quebrar esse instante. Meu coração batia alto demais, como se quisesse denunciar cada pensamento errado que me atravessava.

— Vocês estão bem?! — A voz de Tanaka ecoou pelo ginásio, cortando o transe em que eu estava. Foi como acordar de um sonho estranho e perigoso. Senti um arrepio, não pelo impacto da queda, mas pelo susto com meus próprios pensamentos.

— Estamos! Né, Kageyama? …Kageyama? — Hinata chamou, hesitante.

Um toque leve encostou na minha bochecha, rápido demais para que eu me afastasse. Quando ergui os olhos, ele me olhava com preocupação verdadeira. Mas, num instante, aquela expressão séria se desmanchou em um careta ridícula, quase cômica, como se tivesse lembrado que estava falando comigo. Foi o suficiente para reacender a raiva que eu havia esquecido.

— Desculpa! Desculpa! Desculpa, Kageyama! — ele disparou, a voz subindo uma oitava a cada desculpa.

— Você é mesmo corajoso, Hinata… não tem medo do perigo, né? — murmurei, enquanto batia de leve na minha própria cabeça, indicando a dor. Não havia intenção real de machucar, mas o gesto dizia mais do que eu queria admitir.

O desejo que antes queimava em mim desapareceu como fumaça ao ver aquele rosto idiota outra vez. No lugar, ficou apenas um desconforto quente, misturado a uma estranha vergonha.

Assim que parei com os tapas, o mundo deu uma volta sutil — uma tontura leve, abafada pelo calor do treino. Ignorei. Me levantei, limpando as mãos no short, e estendi uma para ele.

— Anda logo. Ainda temos treino.

Ele aceitou minha mão num impulso, se levantando com energia demais para quem tinha acabado de cair.

— Claro! — disse, e no segundo seguinte já estava saltitando como se nada tivesse acontecido. — Vamos começar logo, Kageyama!

— Não me dê ordens, seu idiota. — respondi, deixando escapar um tom irônico, mas sem conseguir esconder a ponta de um sorriso que ameaçava surgir.

Por mais que eu tentasse afastar aquele momento da minha cabeça, sabia que a queda não tinha terminado. Não aquela.


Voltamos ao treino de levantamentos. Minhas bolas seguiam precisas, os cortes de Hinata, afiados como lâminas no ar. Éramos uma dupla estranha — e, de algum jeito, funcionávamos.
A concentração me fez perder a noção do tempo; só percebi que havíamos terminado quando o eco das bolas desapareceu e o silêncio do ginásio tomou conta.

Depois de arrumarmos a quadra, seguimos para o vestiário. Era um ritual automático, mas havia algo errado comigo: meus olhos insistiam em encontrá-lo, em buscar cada detalhe que eu não deveria notar. Quando terminamos, Hinata foi se despedir dos senpais com aquele jeito impulsivo e leve que parecia impossível de se imitar.

— Vamos, Hinata. — chamei.

Íamos pelo mesmo caminho de volta, e ele, como sempre, aceitou sem hesitar. O escuro parecia deixá-lo inquieto, e eu… não me importava de ser a companhia dele.
Ainda me surpreendia pensar que alguém da minha idade pudesse ser tão medroso — e, ao mesmo tempo, tão determinado dentro da quadra. Era quase cômico.

— Tô indo, Kageyama. — disse ele, empurrando a bicicleta.

A rua estava silenciosa. Quase deserta. O som dos nossos passos e o leve rangido da corrente da bicicleta eram tudo o que preenchia o ar.
Hinata caminhava um pouco à frente, e o sereno caía sobre ele como um véu transparente. Eu observava demais — a curva calma da respiração, o reflexo suave da luz noturna em seus cabelos, o sorriso pequeno que surgia sem motivo aparente.

— Kageyama? — a voz dele me arrancou do devaneio.

Foi então que percebi: nossos rostos estavam próximos demais. Minha mão… estava em seus cabelos.
Não lembrava de ter feito isso. Não lembrava de ter tomado essa liberdade.
Ele me olhava com olhos confusos, tentando entender o que estava acontecendo.
E eu também tentava. Me assustava a forma como meus próprios impulsos surgiam sem permissão, como se alguém dentro de mim decidisse agir no meu lugar.

— Kageyama… — chamou novamente, mas dessa vez sua voz saiu mais baixa, quase um sopro.

Respirei fundo. Mexi levemente nos fios, sentindo a textura macia entre meus dedos, e um sorriso suave — um que nem meus pais jamais tinham visto — escapou antes que eu pudesse segurar.

— Seu cabelo… é muito macio. É bom de tocar. — falei, num tom mais calmo do que eu pretendia. — Vamos andando, Hinata, antes que fique muito tarde.

Soltei os fios devagar. Ele apenas assentiu e sorriu, como se não quisesse quebrar aquele momento. Seguimos lado a lado, sob o sereno da noite, e eu me perguntava se aquilo tinha sido real… ou apenas mais um erro que não conseguiria esquecer.

Somos Perfeitos Juntos - Kageyama x HinataMga kuwentong kahuhumalingan mo. Tumuklas ngayon