Prólogo

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Ponto final. O trabalho estava pronto, depois de procrastinar muito encontrou um argumento forte e o concluiu. Colocou o arquivo em um pen drive. Era hora de se arrumar e sair com os amigos para o bar.

Jorge não gostou de ver o lixo da noite passada acumulado na calçada, mas como ele fazia o mesmo na casa dos outros, não se importou em limpar.

O bar que frequentavam desde o primeiro termo não havia mudado um móvel de lugar, era monótono e tinha ar de imundice, mas todos conversavam e interagiam em paz. O tempo prometia chuva então só estavam eles e mais dois homens sentados em uma mesa distante.

Pedro havia chegado há pouco, depois do pontual Rogério e do adiantado Josias, Jorge era sempre o atrasado...

- Desculpa galera, estava terminando o trabalho do Gael, achei um porre essa matéria nova.

- Também terminei agora, é difícil fazer trabalho dos professores que não gosto.

- Ele é um pé no saco, mas vamos nos atualizar da vida um do outro, que tal?! – Disse Rogério.

Os amigos conversavam na mesa do fundo e as nuvens se espalhavam no céu, até que a grossa chuva caiu.

Os rapazes nem davam conta do temporal, conversando sobre festas, sobre a faculdade, os sonhos malucos e jogavam tudo fora bebendo e rindo.

Depois, esgotados, correram cada um para o seu canto, se esquivando da chuva.

Em casa, Jorge tomou um banho quente e foi assistir TV, tentou relaxar, mas alguém bateu na porta e, perguntando quem era, foi dando passos leves, era seu amigo Daniel, perguntando se ele emprestaria o trabalho para copiar. Aquele maconheiro, pensou Jorge.

- Eu nem fiz ainda – Mentiu. – Mas quer ficar e tomar alguma coisa? Está chovendo muito.

- É, amanhã eu faço o trabalho correndo...

Tomaram a cerveja, assistiram a um programa ruim e, como a chuva nem ameaçara parar, Jorge falou para Daniel dormir ali mesmo no sofá.

Dormiram e, pela manhã, estavam: Jorge estirado na cama e Daniel deitado no sofá, as nuvens tinham se dissipado e o sol alcançava os olhos dos dois em seus lugares, seria mais um dia bonito, se ambos não estivessem com as camisetas estampando grandes manchas de sangue escuro, as faces iluminadas e lívidas, sem vida.


O círculo rubroStories to obsess over. Discover now