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Conhecendo

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Porque no final de uma paixão sempre sofremos? Porque não posso me apaixonar e pronto? Essa é a pergunta que me faço todas as manhas enquanto me encaro no espelho. Vejo o reflexo dos meus olhos castanhos escuros com longos cílios de forma meio turva, ainda não pus meus óculos, apesar de não enxergar quase nada sem eles as vezes os esqueço na cabeceira da cama. Tenho que parar de ser esquecida.
- Meeeeel?! Vai demorar muito? Você vai se atrasar! – Grita Bianca, minha melhor amiga com quem eu divido um apertamento, jeito carinhoso que chamamos nosso duplex, no Rosa Else. É um lugar pequeno duas suítes e uma cozinha/sala mas fica próximo da universidade e podemos pagar por ele.
- 10 minutos e eu estou pronta! – falo fazendo careta, ainda me olhando no espelho, não posso me atrasar hoje.
Bianca tem uma pele bem clara e gosta de mudar o cabelo constantimente. Nessa semana é um vermelho bem discreto. Seus olhos são parecidos com a da Capitu, olhos de cigana oblíqua e dissimulada, não que ela seja uma má pessoa, obvio que não, só que ela é louca, louca de pedra. Uma mulher de personalidade forte que tem picos de alegria e tristeza em menos de cinco minutos. Deve ser por isso que ela faça faculdade de psicologia apesar de achar que essa ainda não seja a sua verdadeira vocação. Ela tem 1,57 de altura, seios robustos, um sorriso de fazer qualquer um se apaixonar e um sinal na ponta do nariz que é a sua marca registrada.
Enquanto tomo um banho rápido apenas para despertar e juntar forças para encarar o longo dia que vou ter, canto um pouco de Blues da piedade, do eterno Cazuza, como se fosse uma oração de boa sorte.
Acabo o banho e vou logo pegar a roupa que passei uma semana pra decidir qual seria, acabei optando por uma saia lápis preta que vai um pouco abaixo da metade da coxa, uma blusa de seda branca, um blazer preto e um scarpin preto. Preto e branco nunca erra. Hoje além de começar no novo estagio, volta também as aulas na faculdade. Estou no terceiro período de secretariado executivo.
Após me vestir e prender o cabelo em um rabo de cavalo, ponho o café pra fazer. O dia só começa depois de uma boa xicara de café, preciso admitir o meu vicio em café. Enquanto espero a cafeteira apitar vou terminar de me arrumar. Uma make básica, apenas pra me dar um ar mais saudável e esconder umas espinhas. Coloco o relógio que eu ganhei de presente de quinze anos, meus brincos de perola e minha corrente da sorte que eu tenho desde do dia que nasci.
A cafeteira apita no mesmo minuto em que o despertador apita. Vinte pras oito da manha, preciso sair de casa agora, não posso chegar atrasada no meu primeiro dia de trabalho. Corro e pego minha caneca térmica, coloco meu café com calma tentando não derramar nada, pego minha bolsa e vou pra sala falar com Bianca.
-Me deseja sorte hoje, amiga! -Abraço ela e saio correndo pela porta sem esperar uma resposta. Como moramos no segundo andar é bem mais fácil ir de escadas do que esperar o elevador, é isso que eu faço. Quando chego no hall do prédio percebo que vou ter vizinhos novos, tem caixas espalhadas por toda parte e eu vejo que tem um violão no meio das caixas. Mas não tenho tempo pra dar as boas vindas e saio correndo.
Decidir morar sozinha a menos de seis meses, queria morar perto da UFS, Universidade Federal de Sergipe, universidade em que eu estudo e trabalho, não decidir isso por capricho mas sim pra facilitar a minha vida. Comecei a estagiar na UFS no final do primeiro período, depois de muitas entrevistas conseguir uma vaga para trabalhar no departamento de pós-graduação de Recursos Hídricos. Trabalhava pela manha de 8 as 12, voltava para casa da minha mãe, almoçava, descansava e depois tinha retornar para a aula pois estudava a noite. Era muito cansativo e eu estava ficando destruída.
Como o meu contrato era de apenas um ano e esse tempo já estava se acabando, comecei a ficar preocupada pois iria ficar sem emprego. Ate que o vice-diretor  da UFS, Daniel Martins, disse que precisava de uma nova secretaria e eu me candidatei para essa vaga de trabalho. Foi uma entrevista escrita, uma pessoalmente e analise do currículo. Rezei, fiz promessas e até simpatia pra conseguir esse emprego. Quando eu já estava entrando em pânico recebo um e-mail dizendo que eu tinha sido contratada. Fiquei tão feliz que quase tenho um ataque do coração.
Agora que iria trabalhar pra alguém importante e ganharia mais, nada mais justo do que ter um pouco de conforto e praticidade na minha vida nova. Por isso resolvi me mudar e ainda trouxe de quebra minha melhor amiga pra me ajudar nas despesas e fazer compania.
Chego pontualmente as oitos da manhã na Reitoria e preciso esperar a antiga secretaria, Monique, chegar. Ela ira passar uma semana me orientando e depois ira se aposentar. Monique é uma senhora de 64 anos, muito doce e que vai fazer muita falta.
Enquanto aguardo sentada no hall do prédio mando um sms para a Bia.
M- Vc viu? -Ela responde imediatamente
B- N, oq?
M- Alguém esta se mudando para o nosso prédio, quando eu sair estava cheio de caixa na entrada.
B- Serio? Vc viu quem era?
M- Não tive tempo, o apart do lado da gente esta vago ne?
B- Sim, espero que eles sejam legais
M- Tbm!
Quando acabo de enviar a mensagem, Dona Monique chega. Ela abre um sorriso radiante assim que me ver. Me levanto e vou ao encontro dela.
-Bom dia senhorita Amélia, esta muito elegante! Desculpe o atraso, estava comprando um café. -Ela fala enquanto destranca a porta.
-Bom dia dona Monique e pode me chamar de Mel que irei ficar muito grata. A senhora não se atrasou eu que cheguei cedo demais, não se preocupe.
-Você é uma fofa, seja bem vinda, aquela ali é a sua mesa. -Diz ela apontando para um mesa quadrada de vidro preto muito elegante que fica a direita da porta de entrada. Nela existe um computador de ultima geração com um monitor de 30 polegadas e uma pilha de papeis muito bem organizados. Uma cadeira preta toda acolchoada, muito confortável. As paredes são pintadas de um azul bem clarinho e atrás da minha mesa há um quadro pintado com diferentes tons de vermelho na horizontal.
- Muito obrigada. Espero ser tão competente quanto a senhora. -Falo meio embasbaca, olhando em volta, ainda não acreditando que aquilo é real.
-Me chame de você, mocinha. Hoje eu te apresentar como as coisas funcionam por aqui, tenho certeza que ira se acostumar muito fácil.
Ela me deu todas as senhas de acesso ao computador e me apresentou a cafeteira. A manhã se passou em um piscar de olhos, antes de eu perceber já era meio dia. Tive que sair correndo pra comer no resun, restaurante universitário. Antes de chegar avistei que a fila estava enorme, me deu até uma fraqueza. O resun era do tipo self-service, coloque apenas o que ira comer, não podendo repetir a prato. Pagando 1 real por casa refeição não era de se esperar menos que a maioria dos estudantes e funcionários da UFS optassem por fazer as refeições por lá mesmo.
Hoje no almoço tinha salada Verde, arroz integral, feijão carioca, frango cozinhado a carne moída. Para beber suco de manga e maça de sobremesa. Como não gosto muito de salada, nem de suco e nem de frutas só pus no prato arroz, feijão e frango. Fui me sentar em uma mesa vazia no final do refeitório, parecia um forno de tão quente. Como tão rápido que não senti o gosto da comida, em menos de trinta minutos já estava voltando pro escritório.

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⏰ Last updated: May 30, 2016 ⏰

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