Hoje recebi um comunicado, o estranhei, parecia algo fúnebre, porém, não havia notícias de mortes na familia. As horas passavam e eu, uma completa medrosa, não havia aberto a carta, quando tomei coragem suficiente, me levantei, mas para apenas cair de cara no chão. A noite era calma em Longwick, mas a chuva era continua,no meio do silêncio junto ao bater da chuva, um homem de silhueta suspeita e de grande porte havia aparecido na janela, quando o vi, perdi de vez minha coragem, mas ouvi uma voz familiar, minha irmã Rowena, fui correndo a porta, para minha surpresa, o homem era meu genro Gerrath e ele estava encharcado.
Após oferecer para que passem a noite, fui preparar um chá para eles, Rowena parecia ter percebido isso e foi esgueirando-se até minhas costas com o intuito de me assustar, mas o barulho da velha porta de madeira da cozinha acabou com seu sigilo.
Com o chá pronto e todos secos, ela decidiu contar-me o que houve, ela havia vindo para Longwick com o intuito de ir para Pristine, nossa cidade natal, na verdade, não havíamos morado por muito tempo lá, mudavamos muito e Longwick é a cidade mais próxima.
Já havíamos ido para nossos quartos, mas agora eu decidi abrir a carta, não havia uma grande alegria na ação mas ela era necessária, o choque veio, uma intimação vinda de Pristine, a razão era um parente,uma tia que havia falecido,não lembro dela mas o nome "Arlem" não me era estranho, mas eu não conformei-me e decidi acordar Rowena, enquanto eu ia ao seu quarto eu ouvira a porta da sala bater e quando cheguei ao quarto de Rowena, não havia ninguém, além de uma carta, a mesma que eu havia recebido e em cima dela, um bilhete,escrito: Te esperamos irmã.
Após o ocorrido eu fui dormir, não sonhei com nada nem acordei durante a noite, nada fora do normal acontecia. já cedo na manhã fui ao meu carro, um Mini Copper que eu havia comprado com minhas economias, não me apressei ao ligar o carro nem arrumei uma mala, peguei uma bolsa e pus algumas poucas roupas, a viagem para Pristine era curta, mas exaustiva, passa-se por um pequeno vilarejo pesqueiro de Blustread ao lado do mesmo lago em que Pristine se encontra, mas quando passei por ele, não havia mais ninguém, a área era deserta, havia cabanas de madeira, comuns para férias tomadas por mato, uma vez já havíamos ficado por lá, mas não gostei muito, o lago era muito lamacento e não podíamos tomar banho nele e eu não como peixe, a única coisa que se tem lá.
Passando pela região encontrei a cabana que passamos as férias, era a única que parecia conservada, ela ainda era nossa, vovó não quis vender depois da morte do vovô e ela mantinha uma chave escondida no vaso ao lado da porta, nunca soube como nunca acharam aquela chave antes, talvez fosse cliché demais, de qualquer forma já era tarde e eu não podia continuar na estrada com a névoa, então peguei a chave e entrei em casa.
Durante a noite o vento, com cheiro de mar, apesar de estarmos a milhas dele, me dava calafrios,me enrolei no cobertor de croché e deitei na fofa cama do quarto dos meus avós.
A noite passou e retomei a estrada, a névoa se manteve, mas não ia esperar mais para sair, voltei ao carro e continuei dirigindo até a típica placa de entrada de Pristine, aonde parei e me preparei para o que vinha.
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Pristine
HorrorA morte de alguém pode trazer muitas tristezas, algo comum de se pensar, mas a morte traz muito além, a passagem de bens, nem sempre é material, algo muito pior pode vir, mas quem pode dizer, os mortos não irão te falar o que vão te deixar.
