Tocar Para Deus

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Sempre achei isso de segunda.
Musico que toca em missa, casamento , batizado, culto.
Qualquer coisa que envolvesse religião eu sempre achei nada a ver.
E no entanto já há algum tempo, tenho tido momentos de intensa satisfação tocando numa associação espiritualista. Momentos de paz e luz, quietude e inspiração que não costumo encontrar em outros lugares, mesmo em grandes salas de concerto. Porque desse mudança ?! Não sei ao certo... Mas ele aconteceu. Acho que antes eu gostava de ir tocar para desafiar o mundo, os outros músicos, e em especial a mim mesmo. Não escolhia um lugar especial para tocar, mas via uma oportunidade e a agarrava. E lá estava eu tocando meu jazz contemporâneo ou seja lá o que fosse em qualquer lugar que deixassem. Depois voltei a ser concertista . Apresentei-me em inúmeras salas prestigiosas, onde sempre buscava o apuro, a elegância e um certo distanciamento do público sempre acaba ocorrendo nesses lugares. Depois de uma viajem que fiz a Europa, de fato a minha cabeça já havia mudado um pouco, pois os lugares onde mais gostei de tocar foram nas praças públicas ... Nas escadarias...
De fato havia na França de 1994 uma sensação de liberdade que imagino bem diferente da de hoje. Era como se o espaço comum estivesse pronto para receber uma interferência artística , coisa que vejo muito pouco nos dias de hoje até mesmo em lugares próprios para a música. Mas enfim isso é uma outra história e conto outra hora. Que todos os que trabalham com música já espero experimentaram algum tipo de sensação transcendente, ou esotérica , isso já é sabido. No mínimo pensamos em que existem dias em que estamos inspirados e outros em que simplesmente nada acontece . Agora mesmo eu estava em uma sessão de gravação tentando timbrar um violão para gravar uma música em que queria lançar uns efeitos diferentes do violão tradicional. Colocar uns efeitos de guitarra tipo chorus e delay, abrir bem o reverb e o eco... Enfim, enquanto eu passava o som e ia regulando o computador, parecia que iam saindo sons muito legais e a música estava surgindo pronta bem debaixo dos meus dedos. Bem, quando ficou pronto e eu mu dispus a gravar... Nada aconteceu. Tudo parecia sem inspiração ou lógica, o timbre não estava bom e até a afinação está a dando errado! Como assim?! A meio minuto tudo estava perfeito e foi-se...A inspiração sumiu...
É o que que Deus tem a ver com isso?!
Bem, a verdade é que quem busca.
Deus, busca a paz... Seja consigo mesmo ou com o que faz.
Nesse espaço que tenho ido tocar, que é muito simples, consigo sentir sem problemas o fluxo da minha energia musical sem problemas ... O que é mais interessante, ligada totalmente ao meu "Self" e integrada ao mesmo tempo com o ambiente. Não sinto necessidade, ou antes, até busca uma sonoridade mais enxuta, não necessariamente menos intensa... Ou seja, não fico me desafiando com o virtuosismo.
   Realmente me sinto em paz.
   Normalmente crio as composições na hora baseadas em pequenos motivos rítmico/ melódicos e a mente vai fluindo pelos espaços sonoros sem problemas ...
    Uma verdadeira benção, que de fato é a cerimônia que vem depois. Nela eu só toco quando em vez, pois gosto do caráter gregoriano que as canções assumem quando sem acompanhamento. Enfim, tocar para para Deis assume para mim um caráter meditativo e renovador.
     Um retorno ao som básico e universal do Om, feito com as notas do violão e do coração.
      Pode parecer careta, mas não é... Muito ao contrário , é um som progressivo e atemporal que surge.
      Enfim , chegando ao limite das palavras, só a experiência musical em si pode mostrar... Graças a Deus...

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