Prefácio

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- Tem certeza que a sua mãe não vai brigar com a gente, Fabrício? - Uma de olhos verdes brilhantes e cabelos ruivos presos cuidadosamente em uma trança perguntou, enquanto ela e o grupo com mais oito amigos caminhava pateticamente sobre a neve fina do final de novembro em direção ao canto mais escuro do grande quintal.

Atrás deles, o crepúsculo encerrava o dia do aniversário do menino que guiava os amigos, Fabrício, com seus pequenos olhos azuis atentos e temerosos, enquanto fingia ser corajoso o suficiente para continuar com o ligeiro desafio. Os cabelos dourados do menino eram constantemente levados pelo vento, assim como seu companheiro, logo atrás dele, que tinha os cabelos num dourado um pouco mais claro. Esse era Luís. E ele, sim, demonstrava o medo que Fabrício fingia não ter.

- Não, ela não liga, Catarina - Ele respondeu, arrancando um galho forte de uma árvore próxima e fincou no chão para ajudá-lo a andar, como um cajado. - Enquanto a gente estiver dentro do quintal...

Um cão uivou ao primeiro sinal da Lua, fazendo Luís e as meninas pularem de susto. Cada um deles agarrou o braço do companheiro mais próximo que aparentava mais forte. A garota loira de olhos cor-de-mel, Raquel, teve que dividir o braço de Pedro, o pequeno de cabelo ruivo-desbotando-para-castanho e olhos azuis sinceros e corajosos com a pequena morena de olhos castanhos, Belinda, porque o garoto que estava do outro lado dela, Luís, estava amedrontado o suficiente para ele mesmo agarrar seu braço. A pequena Catarina, a mais nova do grupo, com ainda sete anos recém-completados, correu para frente e segurou o braço de Fabrício que estava livre do cajado. Ele sorriu mais confiante com aquilo e o seu medo escondido pareceu se amenizar. Por último, a morena de olhos tão escuros quanto a noite que caia, Léa, enlaçou os dedos com os do penúltimo garoto livre, Arthur, moreno e de olhos azuis brilhantes.

O último garoto, Michael, irmão de Raquel, estava ali apenas arrastado pela irmã e olhou desejoso para uma das amigas dela. Ele esperava que a garota arrancasse o braço que segurava e viesse correndo para ele. Era apenas por ela que ele estava ali com a irmã. Se não fosse, estaria brincando com garotos mais velhos, da sua idade de nove anos. Todos os outros tinham oito anos, exceto Luís, que já completara nove, Catarina e Belinda com sete.

O comboio de pequenas perninhas seguiu seu líder aniversariante até onde ele queria. A intenção da viagem era um plano de Arthur, que era o único que sabia o que fariam quando chegassem ao lugar. Ele só queria se divertir à custa dos outros garotos e das meninas.

Mas nem ele, nem Fabrício haviam ido àquela casa à noite.

Estavam chegando à beira do fim do longo e extenso 'quintal' de Fabrício. E era bem um antes dos limites que estava o fim da jornada.

A cabana se mostrou a eles em poucos passos. Ela era toda e completamente feita de madeira velha e desgastada. A pintura branca, que um dia poderia ter deixado a casa bonita, já quase não existia mais. A única janela estava presta com tabuas de madeira que a impediam de abrir e a porta parecia prestes a cair.

Um a um, Pedro e Arthur à frente, eles entraram, fazendo a porta ranger, reclamando do esforço não comum. A casa fedia a mofo, poeira e animais mortos. As meninas reclamaram sonoramente e Luís fez coro, choramingando. Fabrício, que conhecia mais a casa e estava um pouco mais seguro, tateou no escuro da noite recém feita e achou uma vela, acendendo com um fósforo encontrado em uma caixinha amarela ao lado.

O efeito foi o contrário do que ele queria. As meninas gritaram vendo as teias de aranha e as sombras dos ratos correndo no chão. Léa foi rápida ao pensar e montou nas costas de Arthur. As outras não se demoraram a imitá-la e Raquel procurou o irmão para isso, deixando que Belinda subisse às costas de Pedro. Luís subiu no sofá.

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