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Matar meus pais foi uma das melhores coisas que eu fiz.
Não pelo dinheiro — embora o dinheiro ajude. Não pela liberdade — embora a liberdade seja doce. Foi porque, sem eles, eu finalmente pude me dedicar ao que realmente importa.
Ele.
Estou na sacada do meu apartamento, um copo de vinho tinto na mão que eu não vou beber, os olhos fixos na janela do prédio em frente. Terceiro andar. Segunda janela da esquerda. A luz está acesa. Ele está em casa.
Hwang Hyunjin.
Eu o observo há duas horas. Ele chegou às 19h47 — mais tarde do que o habitual, o que me fez pensar que talvez tivesse ficado na biblioteca depois das aulas. Ele tirou o casaco assim que entrou, pendurou no cabide atrás da porta, acendeu a luz da cozinha. Depois, foi para o quarto. Trocou de roupa. Voltou para a sala com um livro. Agora está sentado no sofá, os óculos escorregando no nariz, a perna esquerda balançando num ritmo que eu já decorei. É o ritmo dele quando está concentrado.
Eu sei tudo sobre ele.
Sei que ele acorda às 6h30 mesmo nos fins de semana. Sei que toma café com leite, sem açúcar, numa caneca branca que ele comprou na Coreia e trouxe na mudança. Sei que tem insônia desde os 19 anos. Sei que a cicatriz no pulso esquerdo não foi acidente de infância — foi uma tentativa de suicídio quando ele tinha 22, na Coreia, depois que a namorada o deixou. Sei que ele chora assistindo filmes japoneses antigos, sempre sozinho, sempre às escondidas. Sei que tem medo de altura, mas ama a vista do apartamento. Sei que o pai dele pressiona ele para seguir medicina, mas ele quer artes. Sei que ele finge que está tudo bem.
Eu sei tudo.
A primeira vez que eu o vi, eu tinha 17 anos e estava entediada.
O jantar era em um restaurante estrelado em Lyon, o tipo de lugar onde os pais levam os filhos para exibir riqueza e boas maneiras. Meu pai, Bertrand Bellamy, era dono de metade das coisas do sul da França. Minha mãe, Élise, era a herdeira de uma fortuna que remontava ao século XIX. Eu era a filha única. A herdeira. A boneca que eles vestiam de seda e exibiam como um troféu.
Naquela noite, eles estavam negociando com uma família coreana que tinha uma clínica em Seul e queria expandir para a Europa. Não lembro o nome da clínica. Não importa. O que importa é que eles trouxeram o filho.
Eu o vi assim que entrei no salão. Ele estava sentado ao lado do pai, de terno cinza, o cabelo preto penteado para trás, os óculos de grau escorregando no nariz. Ele olhava para o cardápio como se fosse um documento em outra língua — e era, provavelmente. Francês não era a língua dele. Ele parecia perdido. Parecia deslocado. Parecia... invisível.
Todos à mesa falavam sobre negócios. Números. Contratos. Fusões. Ninguém olhava para ele. Ninguém perguntava nada. Ele era só o filho que tinham trazido por educação.
Eu também era só a filha.
Foi por isso que eu o notei.
Não porque ele era bonito — embora fosse. Não porque ele parecia interessante — embora parecesse. Foi porque, pela primeira vez na minha vida, eu vi alguém tão sozinho quanto eu. Alguém que estava numa sala cheia de gente e, ainda assim, completamente invisível.
Eu me apaixonei por ele naquele momento.
Não do jeito que as pessoas normais se apaixonam. Não do jeito que os filmes mostram. Não foi o coração acelerado, as mãos suadas, o sorriso bobo. Foi uma decisão. Uma certeza. Como quando você olha para uma peça de roupa numa vitrine e sabe, sem provar, que ela foi feita para você.
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Beijos de Sangue | Hwang Hyunjin - Oneshot
FanfictionPor trás do rosto bonito e da vida aparentemente normal, existe uma garota que rouba, mente e mata sem sentir culpa. Uma psicopata que aprendeu a viver entre pessoas comuns sem deixar rastros. Viollet Bellamy tem 19 anos, uma fortuna herdada e um se...
