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Vitória Almeida narrando

Eu sempre achei que algumas pessoas deveriam continuar exatamente onde a gente deixou elas: no passado.

Não porque ainda significam alguma coisa, mas porque existem coisas que simplesmente não fazem falta nenhuma na nossa vida.

E eu estava muito bem sem algumas delas.

Meu nome é Vitória Almeida, tenho dezesseis anos, cabelo preto, liso e, modéstia à parte, bonito pra caramba. Minha vida não é um filme, não tem trilha sonora romântica tocando quando alguém passa por mim e muito menos aquelas cenas em câmera lenta que as meninas do TikTok adoram inventar.

Minha vida é basicamente acordar, me arrumar, reclamar de alguma coisa e ir estudar.

Naquele dia, não foi diferente.

- Vitória, você vai se atrasar! - minha mãe gritou da cozinha.

- Já estou indo!

Olhei uma última vez para o espelho, ajeitei meu cabelo e peguei o celular em cima da cama.

Eu gostava de me arrumar. Gostava de estar bonita para mim mesma, de escolher minha roupa com calma e de sair de casa sentindo que pelo menos uma coisa no meu dia estava sob controle.

Na escola, fui direto para o pátio. Cumprimentei duas meninas que conhecia de vista e sentei em um banco, mexendo no celular enquanto esperava o sinal.

Até que ouvi uma voz perto da entrada.

Uma voz feminina, um pouco rouca, conversando com dois meninos.

Não dei importância.

Quer dizer, eu não costumava prestar atenção em qualquer pessoa que entrava na escola. Tinha mais o que fazer.

Continuei mexendo no celular até que uma das meninas que passava por mim comentou alguma coisa sobre uma garota nova que estava circulando por ali.

Levantei os olhos por curiosidade, mas só vi algumas pessoas atravessando o pátio.

Nada demais.

E foi assim que meu dia continuou: aulas, professores falando sem parar e eu contando os minutos para ir embora.

Eu ainda não sabia, mas algumas coincidências têm um senso de humor péssimo.

Nos dias seguintes, continuei vivendo normalmente.

Não estava procurando ninguém, não queria reencontrar ninguém e definitivamente não ficava pensando em pessoas com quem tinha perdido contato.

Meu passado estava no passado. Simples assim.

Até porque eu tinha problemas suficientes no presente.

Naquela tarde, saí da sala para beber água. O corredor estava movimentado, cheio de alunos conversando, rindo e atrapalhando a passagem como se a escola fosse a sala de estar da casa deles.

Eu estava olhando uma mensagem no celular quando virei uma esquina.

E quase bati em alguém.

- Opa, cuidado - a pessoa disse.

Parei imediatamente e levantei o rosto.

Era uma garota de cabelo curto, vestindo roupas largas e pretas. Tinha alguns acessórios prateados e uma expressão tranquila, como se quase ser atropelada por uma menina distraída fosse a coisa mais normal do mundo.

- Desculpa - respondi, guardando o celular.

- Tranquilo.

Ela passou por mim sem demonstrar qualquer interesse em continuar a conversa.

E eu fiz exatamente a mesma coisa.

Continuei andando, entrei no banheiro, lavei as mãos e voltei para a sala.

Fim.

Pelo menos, para mim, aquele encontro não tinha significado absolutamente nada.

Eu não fazia ideia de quem era aquela garota.

Não sabia o nome dela, de qual turma era ou se já tinha visto seu rosto em algum lugar.

E ela também não pareceu me reconhecer.

O que era ótimo.

Porque eu não estava nem um pouco interessada em reviver histórias antigas.

Só queria terminar minhas aulas, voltar para casa e dormir sem precisar ouvir ninguém reclamando da minha existência.

Mal sabia eu que, para uma certa garota de cabelo curto, aquele esbarrão aparentemente insignificante não ficaria tão insignificante assim.

Mas isso era problema dela.

Ou pelo menos seria o que eu diria se soubesse de alguma coisa.

Espero que vocês gostem 🤍✨

Nosso Jeito De SerStories to obsess over. Discover now