Capítulo 5-memórias e sonhos

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Três anos se passaram desde a execução de Sal Fisher. O mundo estava à beira do colapso, infectado pelas sombras que escaparam após a destruição dos Apartamentos Addison.
Ashley Campbell e Casey Johnson agora agiam como fugitivas, unidas pela promessa de terminar o que Sal e Larry começaram. Casey, agora uma mulher adulta marcada por cicatrizes indeléveis e com os olhos endurecidos pelo luto, carregava as ferramentas de Todd e seus próprios bisturis. Ashley, determinada a se redimir pelo erro do passado, portava o braço robótico de Todd, modificado para disparar feixes de energia espiritual.
Elas estavam escondidas em uma cabana isolada na floresta de Nockfell, cercada por cinzas. Diante delas, o corpo sem vida de Todd Morrison repousava sobre uma mesa. O Demônio de Olhos Vermelhos o havia abandonado, deixando apenas uma casca vazia e destruída.
- O tempo está acabando, Ash - disse Casey, ajustando a tira de sua prótese. - A escuridão está se fechando ao redor da cabana. Sinto o cheiro delas.- Nós só precisamos de um momento, Casey - Ashley respondeu, com os dedos trêmulos conectando os cabos ao braço robótico. - Se o plano do Todd funcionar, podemos rasgar o véu entre os mundos.
Ashley posicionou-se diante do túmulo de Sal Fisher, no cemitério local, sob um céu vermelho-sangue. Usando a tecnologia de Todd, ela cravou uma adaga mística no solo sagrado. O chão tremeu. Rachaduras de luz azul e verde cortaram a terra, e a realidade se dividiu.
No plano espiritual, a consciência de Sal Fisher despertou. Ele não tinha mais corpo, apenas uma forma feita de pura energia e memórias, flutuando em um mar de quebra-cabeças geométricos e televisores antigos que transmitiam seu passado.
- Sally! - a voz ecoou. Era Larry, cujo espírito ainda guardava os portões do outro lado. - Cara, você demorou. A seita está prestes a consumir o núcleo da realidade.
- Eu estou pronto, Larry. Vamos acabar com isso - a voz espiritual de Sal ressoou.
O plano final exigia que eles destruíssem os três núcleos da Seita espalhados por diferentes dimensões de memórias. Sal viajou pelas mentes dos antigos moradores: reescreveu os pesadelos de infância de Larry, libertou os traumas de infância de Todd e visitou o dia em que Casey sofreu o terrível incêndio.almas dos líderes do culto.
- Vocês não podem nos parar, crianças! Nós somos o fim de todas as coisas! - as vozes da Seita rugiram.
- Nós não somos mais crianças - Sal respondeu.
Ele invocou a forma espiritual de sua guitarra. Junto com Larry, que canalizou a energia das pedras sagradas, Sal tocou a melodia final - a Frequência da Libertação. As notas rasgaram o vazio, ecoando direto no plano físico através do corpo de Ashley e das lâminas de Casey.Casey cravou seus bisturis energizados no chão da cabana, criando uma barreira de luz azul que obliterou os cultistas ao redor. Ashley canalizou toda a energia restante de seu braço mecânico em um feixe direcionado ao céu, abrindo um portal definitivo.
No epicentro do plano espiritual, a Singularidade começou a rachar. Sal Fisher flutuou até o centro do monstro, sacrificando os últimos resquícios de suas próprias memórias para desencadear uma explosão de pura luz branca.
- Adeus, Sally Face... - a voz de Larry sumiu com um sorriso.
O mundo inteiro clareou por um segundo. A escuridão que cobria os céus de Nockfell desfez-se em poeira fina. Os monstros viraram cinzas e sumiram com o vento. O silêncio retornou.
Ao amanhecer, a floresta estava em paz. Ashley caiu de joelhos na grama úmida, exausta, olhando para o céu que finalmente voltara a ser azul. Casey caminhou até ela, embainhando suas ferramentas, e olhou para o horizonte. O preço havia sido alto demais. Larry se fora para sempre. Todd estava livre do demônio, mas sua mente precisaria de anos para se reconstruir. E Sal... Sal havia se tornado parte da própria luz que salvou o universo.
Casey tirou sua máscara por um momento, deixando o vento fresco da manhã tocar seu rosto marcado pelo fogo. Ela olhou para uma borboleta azul de verdade que pousou em seus dedos.
- Nós conseguimos, Sal - Casey sussurrou, com um meio sorriso que há anos não aparecia em seu rosto. - Você finalmente pode descansar.
A borboleta bateu asas e voou em direção ao sol nascente, encerrando de forma definitiva a trágica e heroica história de Sally Face.

Sally FaceStories to obsess over. Discover now