Piloto

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Acordo lentamente com o som do despertador tocando ao meu lado. Estendo a mão até o criado-mudo e o desligo, mas continuo deitada por alguns segundos, olhando para o teto.

Ainda consigo sentir aquela sensação estranha do sonho.

A Névoa.

De novo.

Respiro fundo e me levanto, tentando não pensar muito nisso. Vou até o banheiro e paro em frente ao espelho. Meu cabelo está completamente bagunçado, como sempre acontece quando durmo mal. Passo os dedos pelas mechas prateadas e dou um pequeno sorriso ao olhar para minhas sardas.

Por algum motivo, elas sempre me fazem lembrar da infância.

Do jardim.

Das flores.

Das borboletas.

Lembro de correr entre as árvores enquanto elas voavam ao meu redor. Era uma sensação tão boa que às vezes sinto falta daquele tempo.

Abro os olhos e volto a olhar para o espelho.

É só uma lembrança.

Nada demais.

Termino de me arrumar para a escola e prendo meu cabelo em um rabo de cavalo. Dou uma última olhada no espelho antes de sair do quarto.

Último ano do ensino médio.

Ainda não sei se estou animada ou desesperada.

Desço as escadas e encontro a casa silenciosa. Meus pais adotivos já saíram, mas deixaram um bilhete sobre a bancada.

Pego o papel.

Tenha um ótimo dia.

Voltaremos para o jantar.

Sorrio.

Guardo o bilhete e preparo meu café da manhã. Como iogurte com frutas e tomo um pouco de café enquanto tento afastar o sonho da cabeça.

Não funciona.

A Névoa continua ali.

Eu não sei por que ela aparece tanto. Não sei o que significa e, principalmente, não sei por que cada vez que sonho com ela tenho a sensação de que existe alguma coisa me esperando do outro lado.

Alguma coisa que eu deveria enxergar.

Termino meu café, pego minha mochila e saio de casa.

Quando chego à escola, meus amigos já estão na sala. Assim que entro, Jake olha para mim e abre um sorriso.

— Finalmente apareceu.

— Bom dia para você também.

Sento ao lado dele e começo a tirar minhas coisas da mochila.

Jake continua me encarando.

— O quê?

— Você não dormiu direito.

— Dormi, sim.

Ele levanta uma sobrancelha.

— Lyra.

Suspiro.

— Tá. Talvez não muito.

Ele se aproxima um pouco e fala baixo:

— Pesadelos outra vez, loirinha?

Reviro os olhos.

— Já falei para você parar com esse apelido.

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