capítulo único

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A tela e-ink do Kindle que Agustín Giay segurava era a única coisa que iluminava parcialmente o quarto escuro. Ele estava encostado na cabeceira da cama, com a cabeça apoiada em um travesseiro, e segurava o aparelho com certa força, próximo de seu rosto.

Na tela, destacava-se mais uma das histórias que ele tanto amava e não compartilhava com ninguém: um dark romance envolvendo seu personagem clássico de terror favorito — o Ghostface. As palavras pareciam queimar seus olhos, mas de uma forma que ele não conseguia evitar. Cada linha era um convite para um mundo onde o medo e o desejo se entrelaçavam de maneira tão íntima que era impossível separá-los. O quarto estava mergulhado em um silêncio quase absoluto, quebrado apenas pelo som suave de sua respiração e pela leve batida de seus dedos na tela quando ele virava as páginas.

Ele não percebeu quando a porta do quarto se abriu devagar, nem quando uma silhueta alta e larga ocupou a moldura da porta. A luz do corredor desenhou uma linha fina no chão, mas logo desapareceu quando a figura fechou a porta atrás de si, mergulhando os dois novamente na penumbra.

— Você está lendo de novo — disse Flaco, a voz grave e arrastada, com um tom que misturava reprovação e diversão.

Agustín ergueu os olhos num sobressalto, o coração disparando dentro do peito. Flaco estava parado ali, a alguns passos da cama, com uma máscara de Ghostface pendurada na mão direita. O capuz preto estava caído sobre os ombros, e ele vestia uma camisa escura de manga longa e calças que deixavam claro o quanto seu corpo era grande, imponente, quase ameaçador. A luz fraca do Kindle mal alcançava seu rosto, mas Agustín podia ver o brilho de seus olhos, fixos nele.

— Flaco... - Agustín sussurrou, fechando o Kindle contra o peito como se pudesse esconder o que estava lendo. — O que você está fazendo aqui?

— Você acha que eu não percebo? - Flaco deu um passo para dentro, o som de suas botas pesadas abafado pelo tapete fino ao lado da cama. — Toda noite, essa mesma história. Esse mesmo personagem. Você acha que eu não sei o que você quer?

Agustín engoliu seco. O rubor subiu pelo seu pescoço, quente e traiçoeiro, pintando suas bochechas de um vermelho que ele esperava que a escuridão escondesse.

— Eu não... não sei do que você está falando - ele tentou, mas a voz saiu fraca, pouco convincente.

— Não mente para mim - Flaco cortou, aproximando-se mais. Ele parou ao lado da cama, olhando para baixo, para Agustín encolhido contra a cabeceira. A diferença de tamanho entre os dois nunca pareceu tão evidente. — Você quer o Ghostface. Quer o medo. Quer a máscara. Quer ser dominado por algo que te assusta e te excita ao mesmo tempo. Eu vejo como você olha para a tela. Vejo como seus dedos tremem quando vira a página.

Agustín não conseguiu responder. Sua respiração estava irregular, o peito subindo e descendo rápido, e o Kindle escorregou de seus dedos, caindo de lado no colchão. A tela ainda brilhava, mostrando um trecho da história que ele estava lendo, e Flaco se inclinou para pegá-lo. Ele olhou para a tela por um instante, os olhos percorrendo as palavras, e um sorriso lento se formou em seus lábios.

— É exatamente isso - ele murmurou, a voz mais baixa agora, quase um segredo. — Você quer que eu seja ele.

Sem pressa, como se estivesse saboreando cada segundo, Flaco colocou a máscara. O látex branco e distorcido cobriu seu rosto, e os olhos escuros por trás dos buracos negros pareciam ainda mais intensos, mais penetrantes. Ele puxou o capuz, ajustando-o sobre a cabeça, e a figura que se ergueu diante de Agustín não era mais apenas Flaco – era o Ghostface, o assassino, o amante sombrio de todas aquelas histórias que ele lia no silêncio da noite.

— Deita - ordenou, e a voz saiu abafada pela máscara, mas ainda reconhecível, ainda dele.

Agustín obedeceu, o corpo tremendo levemente. Ele se deitou de costas, a cabeça afundando no travesseiro, os olhos fixos na figura mascarada que agora subia na cama. O peso do corpo de Flaco afundou o colchão, e ele se posicionou sobre Agustín, os joelhos em cada lado de suas coxas, as mãos plantadas no colchão ao lado de sua cabeça. A máscara de Ghostface criava uma sombra assustadora e erótica sobre o rosto do mais jovem, e Agustín sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Você gosta disso - Flaco disse, a voz abafada pela máscara, mas ainda carregada de intenção. — Gosta de saber que estou no controle. Que eu posso fazer o que quiser com você.

Ele deslizou a mão enluvada pela camiseta de Agustín, levantando-a devagar, sentindo a pele quente se arrepiar com o toque. Agustín soltou um suspiro trêmulo quando os dedos de Flaco roçaram seu abdômen, e ele instintivamente arqueou as costas, querendo mais.

— Por favor... - Agustín sussurrou, a voz embargada.

— Por favor, o quê? — Flaco perguntou, inclinando a cabeça mascarada. A boca da máscara estava perto do ouvido dele, e Agustín podia sentir o calor da respiração de Flaco através do látex.

— Por favor... me fode.

Flaco riu baixo, um som rouco que ecoou atrás da máscara. Ele puxou a camiseta de Agustín para cima, jogando-a de lado, e fez o mesmo com o resto da roupa, até que o corpo do mais jovem estivesse completamente exposto sob ele. A pele clara brilhava na penumbra, e o peito subia e descia rápido, os mamilos endurecidos pelo frio e pela excitação. Flaco passou a mão pela lateral do corpo de Agustín, dos ombros até os quadris, apreciando cada curva, cada tremor.

— Você é lindo assim - ele disse, a voz grave. — Tão entregue. Tão meu.

Ele tirou a própria camisa, revelando o torso largo e musculoso, coberto por uma fina camada de pelos escuros. Agustín observava, hipnotizado, enquanto Flaco descia a mão até o cós da calça e libertava seu pau, já duro e grosso, segurando-o na base. A visão era quase demais — a máscara de Ghostface, o corpo grande e poderoso, o pau ereto apontando para ele — e Agustín sentiu o próprio membro pulsar em antecipação.

— Você quer isso? - Flaco perguntou, a máscara inclinada para o lado, os olhos negros fixos nele.

— Sim - Agustín ofegou. — Eu quero. Por favor.

Flaco não precisou de mais nada. Ele se posicionou entre as pernas de Agustín, empurrando devagar, e o som que Agustín soltou foi uma mistura de dor e prazer, um gemido que pareceu ecoar pelo quarto inteiro. A máscara de Ghostface permanecia fixa no rosto de Flaco, os olhos negros observando cada reação, cada tremor, cada suspiro que escapava dos lábios de Agustín.

— Isso é o que você lê sobre - Flaco disse, a voz grave e ritmada conforme se movia. — Mas agora é real. Eu sou o seu Ghostface. E você é meu.

Agustín agarrou os lençóis com força, os nós dos dedos brancos. O corpo arqueava a cada investida, e a máscara fria, o peso do corpo de Flaco, o pau o preenchendo com uma mistura de brutalidade e cuidado – tudo era como ele imaginava, mas melhor, mais intenso, mais real do que qualquer palavra no Kindle poderia descrever.

— Mais... - Agustín implorou, a voz quebrada. — Por favor, mais.

Flaco aumentou o ritmo, segurando os quadris de Agustín com força, os dedos cravando na pele macia. A cama rangia baixinho, e o quarto escuro parecia ainda mais fechado, mais íntimo, como se o mundo lá fora tivesse deixado de existir. A cada movimento, a máscara balançava levemente, e Agustín olhava para ela, fascinado, sentindo o prazer crescer dentro de si como uma onda que ameaçava engoli-lo.

— Você é meu - Flaco rosnou atrás da máscara. — Meu para ler, meu para desejar, meu para foder. Ninguém mais pode te ter assim.

Agustín gemeu, o corpo inteiro tremendo. Ele estava perto, e Flaco também. Os dois se moveram juntos, num ritmo que era ao mesmo tempo caótico e perfeito, até que Agustín gritou, o prazer o atravessando como uma lâmina, fazendo seu corpo se contorcer sob o de Flaco.

Flaco o seguiu logo depois, um grunhido abafado pela máscara, e por um momento os dois ficaram parados, ofegantes, suados, o cheiro de sexo preenchendo o ar. A máscara de Ghostface ainda estava no rosto de Flaco, e ele olhou para baixo, para Agustín, que estava completamente entregue, os olhos semicerrados, o peito ainda subindo e descendo rápido.

Flaco tirou a máscara devagar. Seu rosto estava vermelho, o cabelo colado na testa, e ele olhou para Agustín com uma expressão que era ao mesmo tempo terna e possessiva. Ele se deitou ao lado dele, puxando-o para perto, e Agustín aninhou a cabeça no ombro de Flaco, sentindo o coração ainda disparado.

— Você vai continuar lendo essas histórias - ele disse, a voz rouca.

— Sim - Agustín respondeu, sorrindo fraco.

— Mas agora você tem o original.

Agustín riu, puxando Flaco para perto. A máscara de Ghostface ficou jogada no travesseiro, olhando para o teto com seus olhos negros e vazios, enquanto os dois se deitavam juntos no escuro, o Kindle esquecido na mesa de cabeceira, a tela e-ink finalmente apagada.

ghostface ; Giay x FlacoStories to obsess over. Discover now