Capítulo 3 - O que ainda permanece

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Cecília passou boa parte da noite tentando convencer a si mesma de que o encontro com Rafael não tinha mudado nada.

Deitada na cama, encarava o teto enquanto as lembranças daquele dia insistiam em voltar. O escritório de Rafael. O olhar dele quando a viu entrar. A maneira como sua voz pareceu diferente quando pronunciou seu nome. E, principalmente, a sensação estranha de estar diante de alguém que ela havia passado cinco anos tentando deixar para trás.

Ela virou para o lado e fechou os olhos.

Precisava parar de pensar nele.

Precisava lembrar que sua vida tinha continuado.

E tinha continuado muito bem.

Cecília tinha uma carreira que amava, uma casa construída aos poucos e uma filha que preenchia espaços que ela nem sabia que existiam. Não podia permitir que uma única tarde colocasse tudo aquilo em dúvida.

Na manhã seguinte, ela levantou cedo.

Quando entrou na cozinha, encontrou Lívia sentada à mesa, concentrada em um desenho.

- Bom dia, meu amor.

A menina levantou os olhos e sorriu.

- Bom dia, mamãe.

Cecília se aproximou e beijou sua testa.

- O que você está desenhando?

Lívia levantou a folha.

- Nossa casa.

Cecília sorriu.

- Ficou linda.

- Eu coloquei você aqui.

Lívia apontou para uma das figuras.

- E eu aqui.

Cecília observou o desenho por alguns segundos.

- Só nós duas?

Lívia deu de ombros.

- Por enquanto.

Cecília riu baixinho.

- Por enquanto?

- Sim.

A menina voltou ao desenho, como se aquela resposta não tivesse importância.

Mas, por algum motivo, Cecília ficou alguns segundos em silêncio antes de se afastar.

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No escritório, Isabela percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente.

Cecília estava trabalhando, respondendo e-mails e analisando plantas, mas parecia distante.

- Você dormiu?

Cecília continuou olhando para a tela.

- Mais ou menos.

- Isso significa que não.

- Significa que eu estou bem.

Isabela cruzou os braços.

- Você sempre diz isso quando não está.

Cecília finalmente olhou para ela.

- Eu encontrei o Rafael depois de cinco anos. É normal ficar um pouco mexida.

Isabela suavizou a expressão.

- Eu sei.

- Mas vai passar.

- Talvez.

Cecília franziu a testa.

- Talvez?

- Algumas coisas passam. Outras só aprendem a ficar quietas.

O segredo que nos uneStories to obsess over. Discover now