Os sinais

12 7 44
                                        

Os ventos da manhã fria sopravam na janela minimamente aberta de Blair.

Ela se mexia entre os lençóis e aquela bela menina de cabelos ondulados e pele noz-escura não imaginava o que estava chegando.

O alarme dela toca.

— Já vou, já vou... - falo com a voz sonolenta e preguiçosa.—

Me levantei sentindo o frio entrar pela minha pele.

—Nossa, eu nem me lembrava de ter deixado a janela aberta, que estranho — ando até a janela e fecho até que escuto passos.
-

— Filha... Um dia pro aniversário da minha princesa, 17 anos já, nem parece que era aquele neném de antes que... —


Interrompo ele - Pai não, não começa com esse discurso melodramático seu, tá? -

Ele olha pra mim com seus olhos amarronzados e dá um leve sorriso.

—Está ficando como sua mãe nessa idade, chata e faminta... -

Minha mãe entra no quarto.

— Eu chata? Oh querido, isso é por que você nem viu muito, mas agora parem de papo, e vamos tomar o café da manhã. E Blair, está com seu colar? —

Ela olha pro meu colar no pescoço que tinha formato de um cristal roxo como ametista.

— Sim mãe, e antes que você fale, eu sei que em hipótese nenhuma devo tirar.—

Andava pra fora do meu quarto e desço as escadas levemente desgastadas e meus pais vêm atrás de mim.

Sinto o cheiro de torradas com queijos, a minha preferida inclusive.

E já vou correndo para pegar a minha.- Vai com calma pequena faminta - Meu pai já pegou o café para beber.

—Pode pegar o quanto que quiser querida, até porque amanhã você faz 17 anos - minha mãe falava arrumando a mesa para nós sentarmos.

Como um pedaço da torrada com o queijo esticando, e falo:— Por que está todo mundo animado para isso, é só um aniversário como os outros. —

— Todos os aniversários são importantes Blair, agora coma ou vá se atrasar. —

Suspiro fundo e olho pra lâmpada até que ela começa a piscar várias vezes, enquanto sentia alguma coisa saindo dentro de mim, parecia a minha energia.

Meus pais se entreolharam, mas não percebo. —Filha, você está bem? — Minha mãe fala vindo já até a mim preocupada e olhando pro meu pai.

—Vá trocar de roupa, Blair, eu preciso conversar com a sua mãe. —

Subo as escadas ainda confusa com a confusão nas expressões deles, mas começo a me arrumar pra escola.

Até que, quando eu estava finalizando meu cabelo, escutava sussurros deles como: —Nós precisamos contar a verdade pra ela, Marc, necessitamos — o tom de voz da minha mãe estava
nervosa e ansiosa, como nunca vi antes.

—Nós não podemos falar isso, Diana.
Apenas no momento certo, e na hora certa — a voz dele confiante só que com um tom de nervosismo

— Mas e se eles chegarem primeiro, Marc? Eu não quero que ela saiba disso sem ser da nossa boca. —

Continuava finalizando pensando:"Que conversa mais estranha é essa? Parece que é sobre mim... Mas será mesmo? Não, não, impossível."

Meu pensamento é interrompido de novo pelo frio, mas eu tinha fechado a janela? Não tinha, então por qual motivo ela está aberta?

Talvez meus pais abriram né... Só sei que vou correndo fechar, até porque em Hansgfield sempre parece que estamos no outono.

Linhagem SombriaStories to obsess over. Discover now