THE VOLKOV DYNASTY

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Capítulo 1 — A Coroa


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Em Velyar, as crianças aprendiam a respeitar a coroa antes mesmo de aprenderem a pronunciar o nome de seu próprio rei.

Era assim havia séculos.

Nos livros de história, a tradição da família real era descrita como uma das maiores responsáveis pela estabilidade do reino. Os sacerdotes a chamavam de sagrada. Os nobres a chamavam de necessária. E o povo, acostumado a ouvir a mesma história geração após geração, simplesmente aceitava.

A Casa Volkov governava Velyar desde os primeiros tempos do reino, e sua linhagem era cercada por regras que ninguém ousava quebrar.

O rei e a rainha deveriam se casar. Teriam apenas um filho. Um único herdeiro.

E quando aquela criança completasse dez anos, chegaria o momento da escolha.

Diante dos pais, diante da corte e diante das autoridades religiosas, o herdeiro deveria decidir qual dos dois permaneceria vivo para continuar governando Velyar.

O outro morreria.

Não havia segunda opção.

Não havia adiamento.

E depois que o herdeiro assumisse o trono, quando chegasse a idade apropriada, deveria se casar e repetir exatamente o mesmo ciclo.

Um rei.

Uma rainha.

Um filho.

Uma escolha.

Era uma tradição cruel, mas em Velyar a crueldade de uma tradição não era suficiente para fazê-la desaparecer. Quanto mais antiga uma coisa se tornava, mais difícil era questioná-la. As pessoas haviam aprendido a temer a ideia de mudar aquilo que seus antepassados haviam considerado sagrado.

Por isso, quando alguém perguntava por que aquilo precisava continuar, a resposta quase sempre era a mesma:

- Porque sempre foi assim.

E ninguém precisava explicar mais nada.

Foi nesse mundo que Ekaterina Viktorovna cresceu.

Desde muito jovem, ela aprendeu que o poder não era algo que se recebia simplesmente por nascer na família certa. Era algo que precisava ser protegido. Conquistado. Mantido.

A menina tinha uma aparência que fazia os adultos baixarem a guarda perto dela. Seus cabelos muito claros emolduravam o rosto delicado, e sua postura ainda infantil fazia com que muitos a enxergassem como uma criança dócil e educada. Ela sabia sorrir quando necessário, sabia permanecer em silêncio quando conveniente e, principalmente, sabia observar.

Enquanto outras crianças corriam pelos corredores do palácio, Ekaterina preferia ficar perto dos adultos.

Ela observava reuniões.

Escutava conversas.

Prestava atenção nos nomes das famílias nobres, nos acordos feitos entre os conselheiros e nas pequenas mudanças de comportamento dos funcionários.

Aprendeu cedo que as pessoas raramente diziam exatamente aquilo que pensavam.

Um nobre podia elogiar alguém enquanto secretamente desejava sua queda. Um conselheiro podia jurar lealdade enquanto esperava uma oportunidade para conseguir mais influência. Um sacerdote podia falar sobre humildade enquanto desfrutava de todos os privilégios oferecidos pela coroa.

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