Prólogo

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Depois da guerra.
Depois da queda de Cybertron.
Depois de tudo que destruíram um no outro.

Optimus jamais imaginou que ainda existiria espaço para algo tão delicado quanto uma família.

E Megatron menos ainda.

A relação deles não se reconstruiu de maneira simples. Não houve redenção mágica, nem um perdão imediato capaz de apagar eras de violência, mortes e cicatrizes emocionais. O que existiu foi cansaço. Um silêncio enorme depois de anos lutando. E, dentro desse silêncio, algo antigo começou a reaparecer.

Orion Pax e D-16.

Não como eram antes - inocentes, sonhadores, inseparáveis - mas como fragmentos sobreviventes escondidos sob as armaduras de guerra.

No seu universo, os dois permaneceram juntos porque finalmente entenderam algo cruel: nenhum deles realmente conseguiu seguir em frente sem o outro.

Megatron tentou transformar dor em poder durante toda a vida. Optimus tentou transformar dor em esperança. E ambos falharam parcialmente, porque carregavam o mesmo vazio desde Cybertron.

Os filhos nasceram muitos ciclos depois do fim do conflito, em um período estranho de reconstrução política e emocional. A existência deles não simbolizava perfeição; simbolizava sobrevivência.

Três crianças criadas entre duas figuras históricas que o universo inteiro ainda observava com medo.

E isso afetou cada detalhe da família.

Dion, o mais velho, nasceu primeiro durante a fase mais instável da relação entre Optimus e Megatron. Ele cresceu vendo discussões silenciosas, olhares pesados e uma tensão constante entre afeto e autoridade. Por isso se tornou tão controlado emocionalmente. Dion aprendeu cedo que sentimentos intensos podiam destruir ambientes inteiros.

Ele herdou a presença intimidadora de Megatron, mas também herdou de Optimus o senso profundo de responsabilidade. Age como alguém mais velho do que realmente é. Observador. Protetor. Difícil de ler. Ele ama os pais profundamente, mas muitas vezes sente que nasceu no meio de ruínas emocionais que nunca foram totalmente reconstruídas.

Megatron se identifica demais com Dion - talvez até mais do que gostaria.

Porque reconhece naquele filho o mesmo isolamento que carregava quando era D-16.

Pherix nasceu depois, em uma época mais leve. Optimus já conseguia rir com mais facilidade; Megatron já havia parado de tratar felicidade como fraqueza. Então Pherix cresce em um ambiente menos pesado, o que explica sua personalidade explosiva, brincalhona e caótica.

Ele é praticamente o coração vivo da família.

O tipo de filho que sobe nos móveis, provoca discussões só para rir depois e consegue arrancar reações até de Megatron. Enquanto Dion absorve tensão, Pherix quebra tensão. Ele não suporta silêncio excessivo, nem ambientes frios. Herdou o carisma natural de Orion Pax e a impulsividade perigosa dos dois pais.

Mas existe algo importante: Pherix percebe emoções rápido demais.

Ele nota quando Optimus força calma.
Percebe quando Megatron se afasta emocionalmente.
E odeia ver os dois recaindo em comportamentos antigos.

Por trás do humor, existe um medo genuíno de perder aquela família.

Então veio Astraeus.

O mais novo.
O mais emocional.
Talvez o mais parecido com o que Orion Pax foi um dia.

Astraeus nasceu quando Optimus e Megatron já estavam verdadeiramente juntos - não apenas coexistindo, mas escolhendo um ao outro conscientemente. Por isso ele cresceu cercado por mais carinho do que os irmãos. E isso moldou completamente sua visão de mundo.

Ele acredita nas pessoas com facilidade.
Acredita em reconciliação.
Acredita que qualquer conflito pode ser resolvido.

Megatron teme isso.

Porque Astraeus possui exatamente o tipo de bondade que o universo destrói primeiro.

Ao mesmo tempo, Optimus observa o filho e sente algo doloroso: esperança. Não esperança política ou heroica, mas esperança pessoal. Como se Astraeus fosse a prova viva de que eles conseguiram interromper um ciclo de violência que começou muito antes do nascimento de qualquer um deles.

Mesmo assim, a família inteira é marcada pela história dos pais.

O nome "Megatron" ainda causa medo em vários sistemas.
O nome "Prime" ainda carrega expectativas impossíveis.

Os filhos cresceram ouvindo histórias contraditórias sobre os próprios pais: salvador, tirano, herói, destruidor, líder, assassino. E isso criou conflitos internos profundos sobre identidade.

Dion odeia política porque sabe que todos enxergam neles símbolos antes de enxergarem pessoas.

Pherix reage através do humor e rebeldia.

Astraeus sofre tentando entender como dois indivíduos capazes de amar tão profundamente também foram capazes de ferir o universo daquela forma.

A família deles não nasceu da perfeição.
Nasceu de sobreviventes.

Optimus e Megatron não criaram os filhos tentando apagar o passado - porque seria impossível. Em vez disso, tentaram ensinar algo que nunca aprenderam quando jovens:

Que amar alguém não significa controlá-lo.
Que dor não precisa virar crueldade.
E que mesmo pessoas quebradas podem construir algo gentil depois do fim do mundo.

Cybertron One - Next Gen #MegopStories to obsess over. Discover now