Prólogo

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Quando Gael finalmente entrou na cela onde Anelise estava cativa, ele desaprendeu a respirar. Sua garganta pareceu fechar e seu coração apertou violentamente em seu peito. Ao pegar delicadamente a cabeça de Anelise com uma das mãos e erguer com todo cuidado, Gael não conseguiu segurar as lágrimas. Anelise estava pálida e gélida, seus lábios estavam rachados, ela parecia a seda mais refinada e delicada que ele tocara na vida.

Graças aos deuses, Anelise ainda parecia respirar, mesmo que como uma brisa suave quase imperceptível.

— Avisem ao Rei Guilherme! - bradou Gael — A princesa Anelise precisa de cuidados imediatos! Chamem os curandeiros reais!

Os soldados apenas assentiram com a cabeça e saíram apressados. Gael então se preparou para pegar a princesa em seu colo. Anelise estava leve como uma pluma e isso desesperava Gael.

— Por favor, Anelise... - sussurrou Gael próximo aos seus ouvidos. — Seja forte e recupere suas forças!

Quando finalmente saiu da cela, Gael apressou-se em caminhar o mais rápido possível até os aposentos da princesa. As servas de Anelise quando o viram carregando a princesa nos braços, ao mesmo que se assustaram, logo correram a frente de Gael e chegaram antes que ele nos aposentos de Anelise a fim de abrir as janelas e ajeitar o leito para que ele pudesse deitá-la.

— Mas o que foi acontecer com a princesa? - perguntou o príncipe Henry ao entrar pela porta entreaberta. — Como está minha irmã Anelise?

— Meu senhor! - disse Gael ao fazer uma reverência ao príncipe. — A princesa está fraca, parece que não come há dias... Eu a encontrei desmaiada na cela quando estava passando pelas torres.

— ONDE ESTÁ MINHA FILHA? - gritou o rei que invadiu o recinto ao escancarar à porta.

— Os curandeiros já foram chamados, papai - disse o príncipe Henry. — A princesa Anelise parece que teve sorte de ser encontrada por Gael desacordada em sua cela nas torres...

— Saiam todos dos aposentos de minha filha! - ordenou o rei. — Quero os curandeiros reais aqui imediatamente!!

Gael prontamente se retirou dos aposentos de Anelise fazendo uma breve reverência ao rei e saindo em seguida sem olhar para trás. O Príncipe Henry o seguiu para fora e ao fazer uma breve reverência, sentiu o peso de seu olhar, porém, o príncipe nada disse e apenas saiu andando pelo corredor.

***

— Tem certeza de que não viu nada meu amigo? - perguntou Alberto.

— Já lhe disse tudo que aconteceu - respondeu Gael ao respirar fundo.

— Ainda bem que você tem os soldados de guarda como testemunha de que não foi você a fazer nada Gael, caso contrário...

— A única coisa que importa neste momento é a princesa se recuperar e acordar Alberto - disse Gael.

— Que os deuses perdoem a princesa pela blasfêmia que cometeu... - sussurrou Alberto.

— Acha mesmo que os deuses castigaram a princesa? - perguntou Gael.

— Diferentemente de você, meu amigo, que tem sentimentos pela princesa e a quer proteger a todo custo, sou lúcido ao refletir que a princesa Anelise, infelizmente, está sendo punida pelos deuses por traição.

O silêncio pairou absoluto no momento seguinte. Nem Gael nem Alberto disseram mais nada e seguiram o tempo da vigília noturna do palácio até às três da madrugada quando fizeram a troca dos soldados.

***

— Que deus é esse que você foi servir Anelise... - resmungou Gael ao se deitar para dormir. — Agora mesmo você está lutando pela sua vida por causa dele.


Do lado de fora de seus aposentos, uma forte chuva começou a cair. Gael se revirou inúmeras vezes em seu leito na tentativa de adormecer, porém, sem sucesso. O rosto de Anelise voltava a sua mente em todo momento e seu coração estava inquieto em seu peito.

"— Para alguém que diz conhecer e amar a princesa, você duvida muito do que ela acredita."

Gael não sabia como reagir. De repente, sentiu uma forte presença invadir o ambiente de seus aposentos e, mesmo deitado e sozinho, sentia que havia algo ou alguém o observando de algum lugar. Um forte medo o invadiu, como se ele estivesse diante de alguém muito puro e principalmente muito poderoso.

— Quem fala comigo? - perguntou ao se virar e pegar rapidamente a espada que estava encostada na parede próxima de sua cabeça.

— EU SOU JESUS - disse uma voz estrondosa.  — Agora me ouça, soldado.






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