O alarme do Batalhão Central de Seul não era apenas um som estridente; era um solavanco de adrenalina que cortava o ar denso do alojamento. Eram três horas da manhã quando as luzes vermelhas de emergência piscaram no teto de concreto, fazendo o chão do segundo andar tremer levemente.
Enquanto a maioria dos recrutas do turno da noite saltava das beliches ainda desorientados pelo sono, Jeon Jungkook já estava de pé, ajustando o cinto tático sobre a farda preta de combate. Seus movimentos eram precisos, mecânicos, treinados até a exaustão. Aos vinte e seis anos, ostentava o posto de Capitão do Grupo de Resgate Primário da Elite 1 — um prodígio entre os bombeiros da capital, respeitado pelo sangue-frio em cenários de colapso e temido pela disciplina inabalável.
Ao seu lado, encostado na armação de metal dos armários com uma postura deceptivamente relaxada, Kim Taehyung prendia o rádio de comunicação no colete.
Taehyung era um ano mais velho e um centímetro mais alto, mas a diferença na presença entre os dois ia muito além da altura. Enquanto Jungkook transmitia uma força concentrada e perigosa, Taehyung carregava uma aura de controle absoluto, dominando o espaço ao seu redor sem precisar erguer a voz. A farda de combate parecia moldada sob medida para seus ombros largos, e a expressão em seu rosto mantinha aquele ar de misteriosa superioridade que enlouquecia metade das pessoas nas casas noturnas de Gangnam nos finais de semana.
— Três minutos para o embarque, Jeon — a voz de Taehyung ressoou pelo vestiário, grave, pausada, cortando o barulho de fivelas e botas dos outros oficiais. — Você já foi mais rápido para se vestir.
Jungkook nem sequer se deu ao trabalho de piscar. Ajustou a fivela do braço esquerdo, sentindo o tecido reforçado apertar os músculos trabalhados, e virou o rosto na direção de Taehyung. Um sorriso de canto, carregado de deboche refinado, despontou em seus lábios.
— Estou apenas dando uma vantagem justa para o resto da equipe, Kim — respondeu Jungkook, a voz firme sustentando o tom provocador. — Se eu descer primeiro pelo cano de resgate, não sobra nenhum trabalho para você se gabar depois.
Alguns recrutas no fundo do corredor trocaram olhares rápidos. A rivalidade entre os dois capitães era lendária no Batalhão Central. Os dois maiores nomes da divisão de elite, os dois homens mais cobiçados da corporação e, indiscutivelmente, os maiores libertinos de Seul quando estavam fora do plantão. O que ninguém ali ousava comentar, no entanto, era a atmosfera carregada que se formava toda vez que os dois ficavam a menos de um metro de distância. Não era apenas competição profissional; era uma atração magnética e perigosa que ameaçava explodir a qualquer faísca.
Taehyung deu um passo à frente. O som de suas botas no piso de vinil fez o silêncio se instalar por um segundo. Ele encurtou a distância entre eles até que apenas alguns centímetros de ar restassem entre seus peitos.
Jungkook não recuou um milímetro. Manteve o queixo erguido, encarando os olhos castanhos e profundos de Taehyung, embora tenha sentido sua garganta secar discretamente quando o aroma amadeirado do perfume de Taehyung — misturado ao cheiro característico de couro e sabão do vestiário — invadiu seus sentidos.
Sem pedir licença, Taehyung ergueu a mão direita. Seus dedos longos e firmes tocaram a gola do uniforme de Jungkook, ajustando a dobra do tecido com uma lentidão calculada. O roçar sutil da ponta dos dedos de Taehyung contra a pele quente do pescoço de Jungkook fez um arrepio elétrico descer diretamente pela espinha do mais jovem.
O pulso de Jungkook acelerou sob a pele, e sua respiração deu um salto imperceptível.
— Mantenha o foco esta noite — disse Taehyung, inclinando a cabeça apenas o suficiente para que sua voz soasse em um sussurro aveludado, audível unicamente para Jungkook. O tom perdeu a ironia, tornando-se algo muito mais denso e possessivo. — O relatório indica vazamento de gás no setor oeste. Não quero ter que arrombar uma porta para ir buscar você do meio das chamas por excesso de confiança.
Jungkook sentiu a pressão da proximidade de Taehyung dominar a sua mente por um segundo. A vontade de segurar a gola de Taehyung e testar quem realmente tinha o controle daquela situação queimou em seu peito, mas ele manteve a postura inabalável.
— Você adoraria ter a oportunidade de bancar o herói para cima de mim, Taehyung — rebateu Jungkook, a voz saindo um pouco mais baixa do que pretendia, os olhos fixos na boca do mais velho.
Taehyung sustentou o olhar por mais um segundo, os olhos escurecendo levemente ao notar a reação de Jungkook. Ele deu um tapa fraco e controlado no ombro do mais novo, deslizando a mão pelo braço dele antes de se afastar.
— Não brinque com o fogo, Jeon — arrematou Taehyung, virando-se com a calma de quem sabia exatamente o impacto que causava. — Vamos. O caminhão não espera por ninguém.
Jungkook olhou para as costas de Taehyung enquanto ele caminhava até o cano de descida do batalhão. Levou a mão ao pescoço, no exato ponto onde os dedos de Taehyung haviam tocado, sentindo a pele ainda queimando.
Ele soltou um arfar pesado, praguejando baixo. A noite seria longa na cidade, mas o verdadeiro combate de Jungkook começava ali mesmo, dentro do próprio peito.
A lanterna tática presa ao capacete de Jungkook cortava a fumaça cinzenta que tomara a ala oeste do galpão comercial. O cheiro de produtos químicos queimados e plástico derretido impregnava o ar, mas o silêncio pesado da estrutura em risco era o que realmente mantinha os sentidos de Jeon em alerta máximo.
— Setor de estocagem limpo! Nenhum civil encontrado — reportou Jungkook pelo rádio, a voz firme sob a máscara de oxigênio.
— Entendido, Capitão Jeon. A pressão na tubulação central está subindo rápido. Precisamos fechar a válvula mestra no fundo do galpão antes que o setor B colapse — a voz de Taehyung veio através do fone, alta, clara e desprovida de qualquer hesitação. Era a voz do homem que comandava a operação, impecável, no controle absoluto da situação.
— Estou indo até lá — respondeu Jungkook, avançando entre as prateleiras de metal contorcidas pelo calor.
As chamas lambiam o teto de zinco, fazendo o metal estalar como chicotadas no ar. A temperatura dentro do galpão ultrapassava os duzentos graus, mas a adrenalina que corria nas veias de Jungkook transformava aquele ambiente hostil em algo quase familiar. Ele virou o corredor final e encontrou a válvula mestra de vapor. A manivela de ferro estava incandescente, travada pela dilatação do calor.
Jungkook segurou a manivela com as luvas térmicas e aplicou toda a sua força. O metal rangia, resistindo.
— Precisa de uma mão, Jeon? — a voz grave e repentina soou bem atrás dele, tão próxima que o calor do corpo de Taehyung parecia competir com o do próprio incêndio.
Jungkook não se virou, mas sentiu o peito contrair ao ver Taehyung se posicionar ao seu lado. O mais velho cobriu as mãos de Jungkook na manivela com as suas próprias luvas. O gesto parecia puramente operacional, um esforço conjunto para girar o ferro travado, mas a prensagem do corpo de Taehyung contra o seu, alinhando os ombros e empurrando o peso na mesma direção, fez o ar faltar nos pulmões de Jungkook por um motivo bem diferente do dióxido de carbono.
— No três — murmurou Taehyung no fone interno. — Um... dois... três!
Com um estalo alto de metal se libertando, a válvula girou. O vapor retido começou a escoar com um assobio estridente pelas saídas de alívio, aliviando a pressão da estrutura. A fumaça começou a se dispersar devagar, revelando as paredes pretas de fuligem.
A emergência imediata havia passado, mas nenhum dos dois se moveu de imediato.
As mãos de Taehyung continuavam sobre as de Jungkook na manivela de ferro. A respiração ritmada do mais velho ressoava no fone de ouvido de Jungkook, quente e próxima. Taehyung inclinou ligeiramente a cabeça, aproximando o visor do seu capacete do de Jungkook. Na escuridão cortada pelas luzes das lanternas, os olhos de Taehyung brilhavam com uma intensidade dominadora, sem a máscara da indiferença que ele usava no pátio do batalhão.
— Você se arrisca demais — disse Taehyung, a voz baixando de tom, aveludada e firme, cortando o ruído residual do vapor. — Se você tivesse entrado aqui sem o suporte da equipe, essa tubulação teria explodido na sua cara.
Jungkook virou o rosto, mantendo os olhos cravados nos de Taehyung, recusando-se a recuar diante do peso daquele olhar.
— Eu sabia o tempo que tinha — respondeu Jungkook, a respiração ligeiramente descompassada. — E sabia que você estava logo atrás de mim.
Um sorriso lento e perigoso curvou os lábios de Taehyung por trás do visor. Ele apertou os dedos sobre as luvas de Jungkook mais uma vez antes de soltar a manivela e dar um passo para trás, restabelecendo a distância profissional.
— É bom que saiba — arrematou Taehyung, virando-se para o corredor desobstruído. — Vamos recuar a equipe. A noite está apenas começando, e você ainda tem o relatório para me entregar na minha sala.
Jungkook observou a silhueta alta de Taehyung caminhar com passos firmes em direção à saída, a luz das chamas remanescentes refletindo em seu uniforme. Ele soltou um suspiro profundo, sentindo o peito descer devagar enquanto tentava normalizar o ritmo do coração.
A operação no galpão estava encerrada, mas a tensão velada que os guiava estava longe de apagar.
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FOGO CRUZADO
FanficEles são a Elite do Batalhão Central de Seul. Conhecidos tanto pela precisão cirúrgica no combate a incêndios de alto risco quanto pela reputação imbatível fora do expediente, o Capitão Kim Taehyung e o Capitão Jeon Jungkook dominam a corporação. P...
