capítulo I - O primeiro assombro

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Na Estíria, mesmo que não sejamos ricos, nós vivemos em um castelo, ou schloss em alemão.
Em um lugar como esse, uma quantidade razoável de dinheiro já é suficiente para se ter uma vida digna.

Os recursos de nossa família não nos trariam uma posição de riqueza na nossa terra natal.
Meu pai é japonês. Eu fui batizado com um nome japonês. Mas nunca visitei o Japão.

Meu pai foi um funcionário do governo austríaco e depois de se aposentar e viver bem com o dinheiro da pensão e de seus patrimônios. Comprou este castelo medieval, e o pequeno terreno que o circula.

Nunca vi algo tão isolado, solitário e exótico. A residência fica na parte mais alta de uma floresta. A estrada é bem antiga e passa por uma ponte levadiça, que não é erguida há décadas.
E no fosso do castelo, vivem vários peixes e alguns cisnes.

O castelo tem uma fachada composta por diversas janelas, torres e uma capela gótica. A floresta da abertura a clareira irregular à sua entrada e uma ponte gótica, muito íngreme, conduz a estrada sobre um riacho, que passa pela floresta solitária.

Eu disse que esse lugar era muito solitário, me diga se acredita ou não; a vila habitada mais próxima fica a onze quilômetros à esquerda. O schloss mais próximo pertence ao velho general Spielsdorf. A mais de trinta quilômetros seguindo à direita. Eu disse "vila habitada mais próxima" porque a apenas 5 quilômetros do schloss do general Spielsdorf, existem os destroços de uma vila antiga, com uma pequena igrejinha, mesmo que não tenha mais telhado. Nas laterais, estão as tumbas da família dos Allan Poe, uma linhagem já extinta, que já foi proprietária de um schloss igualmente solitário, suas ruínas ainda estão em algum lugar da imensa floresta observando o vilarejo.

A destruição desse lugar é geralmente associada a uma lenda antiga que revelarei outra hora.

Prefiro ressaltar agora, sobre os poucos habitantes de nosso castelo, sem dar foco aos criados e outros servos que moravam conosco. Era só eu e meu pai, o homem mais gentil do mundo, que envelhece lentamente, e eu com 19 anos na época. Minha mãe, uma dama, morreu enquanto eu ainda era jovem, mas eu tinha a bondosa governanta que cuidou de mim desde sempre. Essa era a Madame Perrodon, seu carinho e amor ajudaram a amenizar o luto pela minha mãe, de quem agora mal consigo me lembrar.

Além da Madame Perrodon, tem a Mademoiselle De Lafontaine, acho que ela pode ser considerada minha preceptora. Ela falava francês e alemão, enquanto Madame Perrodon, só falava francês e um japonês bem falho.

Eu e meu pai falávamos em japonês todos os dias, para impedir que o idioma morresse entre nós, e por motivos patrióticos. Isso resultava numa torre de Babel, que mantinha entretido qualquer um que estivesse observando. Também tinha duas ou três jovens que nós visitavam de vez em quando, e às vezes eu as visitava.

Essas eram nossas interações sociais, garanto que era muito solitário.

Minhas governantas tinham controle sobre mim, tanto quanto teriam sobre uma criança mimada, que o pai, solitário e viúvo permitia agir como bem entendesse.

A história que vou contar agora, que me apavora até os dias de hoje, e que nunca vou esquecer, é uma das primeiras coisas que consigo lembrar da minha infância. Talvez você ache que esse detalhe é algo banal que não deveria ter sido mencionado, mas logo vai entender o motivo da importância desse relato.

No andar mais alto do schloss, há um quarto muito espaçoso, coberto por um telhado de carvalho inclinado, e mesmo que eu fosse a única criança ali, chamamos de quarto das crianças. Eu não deveria ter mais que 6 anos de idade, quando numa noite, eu acordei, olhei ao redor e não vi nenhuma babá ou criada, achei que estivesse sozinho. Não fiquei com medo, eu era uma criança que os mais velhos protegem das histórias de fantasmas, contos de fadas ou qualquer crença popular que nos assusta durante a noite. Muito pelo contrário, eu fiquei irritado, me senti ignorado e comecei a choramingar.

De repente, para minha surpresa, percebi que do lado da minha cama, havia um rosto, muito bonito, me observando. Era um garoto jovem, ajoelhado, e suas mãos debaixo do cobertor. Quando eu parei de chorar e retribuí seu olhar. Ele me acariciou e deitou ao meu lado na cama, me puxou para mais perto sorrindo. Me senti muito sossegado e dormi de novo. Mas logo depois acordei com a aterrorizante sensação de duas agulhas perfurando fundo no meu peito, e soltei um grito alto aterrorizado. O moço bonito se afastou com os olhos fixos em mim, desceu e rastejou para debaixo da cama.

Agora eu estava assustado, e gritei desesperado com todas as forças, e vieram a babá, a criada, a governanta... todas vieram me socorrer. Quando contei o que aconteceu, começaram a me acalmar de todas as maneiras possíveis. Mas eu sempre fui muito observador e sabia que estavam assustadas, com os rostos pálidos e rostos apreensivos. Elas reviraram o quarto, embaixo da cama, nos armários, das mesas. Até que escutei a governanta sussurrar para a babá "coloque a mão naquela parte do colchão mais afundada, alguém realmente deitou ali, ainda está morno." lembro da criada me acariciando e das três examinando o lugar onde eu senti as "agulhas" no meu peito. Elas disseram que não tinha nenhum machucado visível. Elas passaram o resto da noite comigo, e depois disso meu sono passou a ser constantemente vigiado por alguém.

Depois do ocorrido, fiquei ansioso por muito tempo. Contrataram um médico para cuidar de mim, um senhor de idade, pálido e magro, tinha o rosto manchado pela varíola e usava uma peruca castanha. Me lembro perfeitamente bem disso. Por um longo tempo, toda segunda-feira, eu tinha de tomar remédios horríveis que ele vinha me trazer, eu odiava.

Na manhã seguinte à aparição, eu ainda estava tão apavorado e não conseguia ficar sozinho de jeito nenhum, seja de dia ou de noite.

Lembro do meu pai ter visitado o quarto de crianças e ter ficado ao meu lado na cama, falando animado na esperança de me animar, ele fazia perguntas para a babá e ria bastante, fazia carinho no meu ombro e me beijava. Tudo não passou de um sonho, nada poderia me machucar, ele dizia, embora isso não me reconfortasse, eu sabia que alguém realmente esteve ali, e era isso que me deixava aterrorizado.

A criada também tentou me consolar, disse que na verdade, quem eu vi na noite anterior era ela, e que tinha deitado do meu lado, mas eu estava tão sonolento que não a reconheci, e mesmo depois que a babá confirmou o relato, não me satisfez nem um pouco.

Me lembro da visita de um respeitável homem, todo vestido de preto, ele entrou no quarto das crianças acompanhado da babá e da governanta e falou comigo com a voz calma, ele me avisou que daria início à uma oração, e então juntos minhas mãos, pediu para que durante a prece eu repetisse o que ele dissesse.

"Senhor, ouçais todas as preces que pedem por nosso bem, em nome de Jesus".

Tenho certeza de que era isso, porque repetia frequentemente para mim mesmo.

O rosto calmo e pensativo daquele velho homem, os seus cabelos brancos, de pé em sua batina preta, naquele quarto rústico com sua atmosfera sombria iluminada pela luz que entrava dos espaços entre as cortinas das pequenas janelas, ele caiu de joelhos no chão, e cantou sua prece para o céu. Isso permanece gravado em minha memória perfeitamente.

Não me lembro de nada antes desse evento, e mesmo depois dele, não me lembro de muita coisa por um bom tempo, mas essa visão permanece intacta na minha memória, e se destaca como a luz rodeada pelas trevas.

N.A;

Oi Alain aqui.

Sobre essa fanfic, ela é totalmente inspirada em carmilla, eu li enquanto escrevia, cada trecho foi usado de inspiração, e eu não sei se vou manter esse formato pra toda a fic, eu achei que em muitas partes ficou estranho e desconectado. Eu revisei bem porcamente pra ver se tinha erros de ortografia mas não mudei nada na história, e é provável que eu mude, talvez eu edite o capítulo mudando trechos e arrumando furos que eu encontrar.

E por favor me ajudem a editar, me avise de qualquer erro.

Agradeço por lerem,
Até a próxima!

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⏰ Last updated: Sep 13 ⏰

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Carmilla, A Vampira De Karnstein. - RanPoe! - Stories to obsess over. Discover now