VEYRA - A CAÇADORA DOS TÚNEIS
No futuro, algumas coisas são consideradas perigosas demais para serem encontradas.
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PRÓLOGO - O CÉU QUE NÃO EXISTIA
No ano de 2189, ninguém mais olhava para o céu.
Não porque não houvesse céu, mas porque quase ninguém sabia mais o que era um céu de verdade. Dentro dos grandes Núcleos subterrâneos, as paredes eram cobertas por enormes painéis de realidade atmosférica que reproduziam a antiga aparência do mundo exterior com uma perfeição assustadora. Pela manhã, as telas mostravam um azul claro, com nuvens brancas atravessando lentamente o horizonte. À tarde, o azul se transformava em tons alaranjados e rosados. Durante a noite, milhares de estrelas artificiais apareciam sobre as cabeças dos habitantes, acompanhadas de uma lua perfeitamente programada. As crianças aprendiam que aquilo era o céu antes mesmo de aprenderem que existira um mundo acima delas.
A humanidade vivia em cinquenta e três cidades subterrâneas espalhadas pelo planeta. Eram chamadas de Núcleos, estruturas gigantescas construídas durante as últimas décadas da civilização da superfície, quando governos e corporações perceberam que as condições ambientais estavam se tornando insustentáveis. A história oficial dizia que a humanidade havia descido para o subsolo depois do Colapso Atmosférico, um período de guerras, alterações climáticas, acidentes tecnológicos e contaminações que haviam tornado a superfície praticamente inabitável. Os sobreviventes teriam construído os Núcleos como último abrigo e, desde então, gerações inteiras haviam nascido sem jamais pisar na terra.
O Núcleo Aurora era o maior deles.
A cidade não era organizada horizontalmente como as antigas metrópoles. Ela ocupava uma gigantesca cavidade subterrânea e era dividida verticalmente em setores. Quanto mais alto alguém vivia, mais próximo estava do centro administrativo e das estruturas protegidas. Quanto mais baixo descia, mais perigosa, úmida e esquecida se tornava a cidade. O primeiro nível era ocupado pelo Governo Central e pelas famílias mais importantes. Abaixo ficavam os grandes hospitais, centros científicos, universidades, laboratórios e residências dos profissionais considerados indispensáveis. Mais abaixo estavam os setores industriais, agrícolas e comerciais. Nos últimos níveis viviam trabalhadores de manutenção, recicladores e famílias que haviam perdido pontos no sistema de classificação social.
O Governo chamava aquilo de organização racional.
Os moradores dos níveis inferiores chamavam de prisão.
Entre a cidade habitada e as ruínas do passado existia uma região que não aparecia nos mapas destinados à população comum.
Os túneis.
E era ali que Veyra trabalhava.
Os Caçadores eram uma das profissões mais importantes de Aurora e, ao mesmo tempo, uma das menos compreendidas. Eles desciam para recuperar aquilo que a civilização havia perdido. Baterias antigas, componentes eletrônicos, medicamentos, equipamentos médicos, sementes, documentos, ferramentas, sistemas de filtragem, peças de máquinas e qualquer outra tecnologia que pudesse ser reaproveitada. Um único componente encontrado em uma instalação abandonada poderia significar anos de funcionamento para um hospital ou impedir que um setor inteiro ficasse sem energia.
Mas havia outra razão para os Caçadores serem necessários.
Os túneis não eram apenas depósitos de objetos antigos.
Eles eram a memória física de uma civilização que o Governo dizia ter desaparecido.
E, em algum lugar daquela escuridão, existiam coisas que alguém havia decidido que jamais deveriam ser encontradas.
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The Hunter
AcciónEm 2189, a humanidade vive em 53 cidades subterrâneas, após acreditar que a superfície da Terra se tornou inabitável. Veyra é uma das melhores Caçadoras, responsável por explorar túneis abandonados em busca de recursos essenciais. Porém, durante uma...
