Lianna Velmon Bratz
Eu ainda tento processar como o mundo que eu conhecia desmoronou em questão de segundos. Até uma semana atrás, às vésperas de completar meus dezoito anos, minha vida era a definição perfeita de estabilidade. Família unida, rotina simples, uma felicidade genuína... E então, em um piscar de olhos, fui arrancada da sala de aula escoltada por dois policiais.
*Flashback On*
- Com licença, professora Sara. Poderia liberar a aluna Lianna por um momento? - a voz da diretora Suse ressoou na porta, cortando a explicação da aula.
O silêncio foi imediato. Dezenas de olhares se voltaram para mim de uma só vez. Eu nunca fui a garota popular do colégio, mas transitava entre todos os grupos com facilidade. Havia quem dissesse que eu tinha a fisionomia e a aura de uma fada, um elogio que eu achava fantasioso, já que seres assim pertencem apenas aos livros, e eu me considerava uma jovem comum, feliz ao lado dos meus pais e da minha melhor amiga, Cris.
- Claro, Suse - respondeu a professora, encarando-me com docilidade. - Lia, meu amor, pode acompanhar a diretora.
- Com licença, professora - me levantei e segui em direção ao corredor, sentindo um nó incômodo se formar em meu estômago.
Ao lado da diretora, aguardavam dois oficiais, um homem e uma mulher. A rigidez de seus portes contrastava com a imensa pena estampada em seus olhares.
- Senhorita Lianna Bratz? - perguntou a policial, a voz suave demais para o fardamento que vestia.
- Sim, sou eu. Aconteceu algo?
- Precisamos que nos acompanhe até a delegacia, por gentileza - disse o oficial ao lado.
Antes que eu pudesse formular a pergunta que travava minha garganta, a diretora interveio delicadamente.
- Vá, querida. Eu mesma me encarrego de recolher o seu material.
Entrei na viatura no banco traseiro. O silêncio dentro do carro era quase palpável, quebrado apenas pelo chiar esporádico do rádio policial.
- Posso fazer uma pergunta? - quebrei a inércia, encarando os dois pelo retrovisor interno.
O policial homem trocou um olhar rápido com a parceira antes de responder.
- Quantas quiser, senhorita.
- Trata-se dos meus pais, não é? Desde hoje cedo sinto um aperto estranho no peito...
A policial soltou um suspiro pesado, os ombros caindo ligeiramente.
- Senhorita Lianna... não temos autorização para fornecer detalhes antes de chegarmos, mas... sim. Tem a ver com seus pais. Sugiro que tente se preparar mentalmente.
Encostei a cabeça contra o vidro frio da janela e observei as ruas passarem como borrões. Eu queria chorar, mas o choque atuava como uma anestesia perversa a ficha simplesmente recusa-se a cair. Minha mente buscou refúgio nas lembranças mais recentes: o café da manhã longo, o abraço apertado antes de sair de casa, as noites de filme no sofá. Lembrei-me da minha mãe confidenciando que só encontrou forças para continuar viva após a perda do meu irmão gêmeo porque eu, ainda bebê, me agarrei ao seu colo como se prometesse protegê-la do mundo.
- Chegamos, Lianna - a voz do oficial me tirou do transe enquanto ele abria a porta do veículo.
Caminhei pela recepção da delegacia e fui conduzida até o último andar. Percorremos um corredor de divisórias opacas até pararmos diante de uma sala envidraçada. Lá dentro, além do delegado, havia um homem refinado, trajando um terno impecavelmente cortado, cuja postura transmitia uma sobriedade absoluta.
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Obcecada pela Vingança
RomanceUma herança de bilhões. Uma vida construída sobre mentiras. Uma sede implacável de vingança. Aos quase dezoito anos, Lianna Bratz acreditava ter uma vida simples e comum: pais amorosos, uma rotina tranquila e planos para o futuro. Esse mundo perfeit...
