Descobertas desnescessárias

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POV Ryujin

Acordar cedo nunca foi meu talento, mas naquele dia eu acordei com uma sensação ruim no peito, como se o universo tivesse decidido me dar um aviso. Eu ainda estava com a camiseta larga que eu usava pra dormir — uma daquelas que parecem um saco de batata, mas que me deixam confortável. Passei a mão no rosto, tentando espantar o sono, e saí do quarto arrastando os pés.

O cheiro de um perfume novo me atingiu antes mesmo de chegar na sala. Minha mãe só usava qualquer outro perfume quando estava tentando impressionar alguém. E claro... lá estava ele. O novo namorado. O cara que ela conheceu há duas semanas e já tratava como se fosse o amor da vida.

— Bom dia, Ryujin — minha mãe disse, com aquela voz doce que ela só usa quando tem homem por perto.

Eu só levantei a mão num aceno preguiçoso. O cara me olhou como se estivesse avaliando um produto na prateleira.

— Essa é sua filha? — ele perguntou, como se eu não estivesse ali.

— É... ela é meio... diferente — minha mãe respondeu, rindo.

"Diferente". Eu sabia exatamente o que ela queria dizer. Roupas largas, cabelo bagunçado, zero paciência pra agradar homem. E claro, o fato de eu gostar de meninas — algo que ela fingia não saber, mas que sempre deixava escapar nos comentários.

— Vou me arrumar pra escola — murmurei, só pra sair dali.

No meu quarto, coloquei minha calça  favorita e uma blusa preta que parecia três tamanhos maior. Eu gostava de me sentir escondida, protegida. Como se o tecido fosse uma armadura contra o mundo.

Peguei minha mochila e saí antes que minha mãe inventasse de me apresentar como se eu fosse um troféu.

A escola estava barulhenta como sempre, mas algo parecia... estranho. As pessoas olhavam pra mim mais do que o normal. E olha que eu já estava acostumada com olhares — desde a escola da primária, onde me chamavam de "estranha" como se fosse um insulto. Eu achava até engraçado como eles falavam isso com tanta certeza, como se eu tivesse assinado um contrato.

Mas naquela manhã, os olhares tinham outro peso. Um peso que eu não reconhecia.

Foi quando Chaer apareceu.

Ela sempre parecia iluminada, com aquele ar de que "ninguem pode me parar" Obiviamente ela sabe de alguma coisa que eu não sabia !

— Ryu! — ela chamou, correndo — Você tá bem? Tá todo mundo falando de você.

— Falando o quê? — perguntei, tentando não parecer preocupada.

Chae mordeu o lábio, hesitante.

— Estão dizendo que você tava... namorando a Lia.

Eu congelei.

Lia? A Lia, minha amiga? A Lia que eu só tinha abraçado ontem porque ela estava chorando?

— Isso é ridículo — eu disse, mas minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

— Eu sei — respondeu, tocando meu braço. — Mas você sabe como o pessoal é...

E eu sabia. Sabia bem demais.

Respirei fundo e fui até a sala onde a Lia estava. Eu precisava resolver aquilo antes que virasse um caos maior. Mas assim que entrei, ouvi as risadinhas.

— Olha lá, a namoradinha chegou. 

— Vai dar chupão na Lia?

 — Sapatão não perde tempo.

Eu senti meu estômago revirar e  Lia ficou vermelha, claramente desconfortável.

— Gente, para — ela pediu, mas ninguém parou.

Eu tentei manter a calma. Eu juro que tentei.

— Lia, eu só vim falar com você — eu disse, ignorando os comentários.

Mas aí um garoto — o mesmo burro do caralho que vivia fazendo piada com todo mundo — resolveu abrir a boca.

— Ah, claro. Falar com a namorada, né? Vocês duas se pegando no banheiro ontem...

Eu nem pensei. Só senti o sangue ferver.

— Cala a boca — eu disse.

James riu.

— Se não quiser que eu fale, vem me calar, sapatão.

Foi aí que eu perdi o controle.

Empurrei ele com força. Uma força que nem sei de onde veio,só dei mais um soco na cara desse marmanjo e deixei minhas lágrimas cairem em cima dele. Rapidamente se formou uma rodinha entre nós que só foi desfeita quando um professor chegou.

Quebra d tempo

Cheguei em casa com a cabeça latejando. Minha mãe já estava na porta, braços cruzados, expressão de quem estava prestes a explodir.

— O que você fez na escola? — ela perguntou, sem nem me deixar entrar.

— Nada demais — respondi, tentando passar.

Ela segurou meu braço.

— Você brigou. De novo. E por quê? Por causa de menina? Por causa dessa sua... fase?

Eu senti meu peito apertar.

— Não é fase.

Ela deu um riso cruel e apertou mais meu braço

— Claro que é!  Você só quer chamar atenção— olhou para mim com desgosto—  NENHUMA FILHA MINHA VAI SER UMA LÉSBICA NOJENTA,OUVIU?

Aquilo doeu. Do jeito que só palavras de mãe conseguem doer.

— Eu sou assim — murmurei, quase sem voz.

— Não na minha casa! A partir de hoje, você está de castigo!— gritou com toda sua força— Sem SAIR,SEM CELULAR E VOU TE MUDAR DE ESCOLA! VAI PRO CENTRO DE SEUL, LÁ TEM COISAS MELHORE PRA VOCÊ

Ok.. eu não pude disser nada,apenas abaixar a cabeça e chorar.

Subi pro meu quarto, fechei a porta e senti o peso do mundo inteiro nas minhas costas.

E no meio de tudo isso... só uma pessoa ocupava meus pensamentos.

Karina

Diário de uma coitada apaixonadaDes histoires addictives. Découvrez maintenant