A RAINHA DAS NOITES

215 21 10
                                        

O relógio de parede no escritório de Engfa Waraha marcava 21h47 quando ela finalmente fechou o laptop. O vidro da janela refletia a silhueta dela contra as luzes de Bangkok, uma cidade que nunca dormia e que, de certa forma, pertencia a ela. Trinta anos. Dona de três empresas de entretenimento, dois restaurantes de luxo e um clube privado no último andar de um prédio em Sukhumvit. Tudo construído com mãos firmes, decisões frias e um sorriso que abria portas - ou fechava pernas.

Engfa puxou o blazer preto do espaldar da cadeira e o vestiu sem pressa. A camisa branca de seda estava aberta o suficiente para mostrar a curva suave do colo, e as calças de alfaiataria pretas caíam perfeitas sobre as pernas longas, marcando a silhueta com elegância precisa. O cinto de couro fino apertava a cintura no ponto exato. O perfume amadeirado que ela usava era caro o bastante para ser lembrado horas depois, uma mistura de sândalo, âmbar e algo mais escuro que se fixava na pele. Ela olhou para o reflexo uma última vez. Cabelos escuros presos em um coque baixo, olhos afiados, boca pintada de um vermelho discreto. Perfeita. Como sempre.

O telefone vibrou sobre a mesa de vidro.
Snack:

"Já estou no bar. Freen e Becky chegaram. Não demora, a noite está boa."

Engfa sorriu de lado, o canto da boca se erguendo apenas o suficiente para revelar diversão.

"Estou saindo."

Ela desligou a luz do escritório com um movimento do dedo no painel e saiu. O elevador privativo desceu em silêncio. No térreo, o motorista já esperava com a porta do carro aberta. Engfa entrou sem dizer uma palavra. O interior cheirava a couro novo e ar-condicionado gelado. Bangkok deslizava do lado de fora como um rio de neon e promessas.

Vinte minutos depois, o carro preto parou em frente ao Skyline. O segurança apenas inclinou a cabeça quando a reconheceu. Ninguém pedia identidade para Engfa Waraha. Ela subiu as escadas de mármore com passos firmes, o salto fino ecoando como um aviso suave. Cada degrau a colocava mais perto do território que ela dominava todas as noites.

O ambiente era exatamente como ela gostava: luzes baixas, música profunda que vibrava no peito, cheiro de whisky caro, perfume caro e desejo mal disfarçado. No canto VIP, Freen e Becky já estavam acomodadas em um sofá de couro escuro. Freen tinha o braço em volta dos ombros de Becky, os dedos traçando círculos preguiçosos na pele exposta. Snack estava de pé, conversando com o bartender particular da área.

- A rainha chegou - anunciou Snack, levantando o copo com um sorriso largo.
Engfa aceitou o beijo no rosto de cada uma. O de Freen foi rápido e familiar. O de Becky, um pouco mais demorado, acompanhado de um olhar curioso.

Snack apenas ergueu a sobrancelha em cumprimento. Engfa se sentou com a perna cruzada, a calça de alfaiataria marcando a linha elegante da coxa, e aceitou o whisky que o garçom já conhecia de cor - sem gelo, sem diluição, apenas o líquido âmbar que queimava do jeito certo.

- Como foi o dia? - perguntou Becky, sempre a mais conversadeira do grupo.

- Produtivo. Fechei o contrato com o grupo japonês. Três anos de exclusividade. - Engfa girou o copo entre os dedos, observando a luz se quebrar no líquido. - E vocês?

- Freen quase matou um investidor no almoço - brincou Becky, encostando a cabeça no ombro da namorada.

- Ele merecia - respondeu Freen, sem nenhum arrependimento na voz. - Tentou me explicar como eu deveria administrar a própria empresa. Eu apenas sugeri que ele voltasse para a mesa dele antes que eu o empurrasse pela janela.
Snack riu.

- Vocês duas são um perigo juntas.

- E você continua solteira por escolha própria - rebateu Freen. - Não finja que é vítima.

LIVRE PARA TE QUERER (ENGLOT G!P)Stories to obsess over. Discover now