Augusto Valença não gostava de chegar atrasado.
Não era uma questão de obsessão com relógios. Era mais simples que isso.
Se combinava alguma coisa para determinada hora, esperava que a outra pessoa estivesse pronta naquela hora.
Por isso, quando estacionou a caminhonete diante da casa de Helena, às oito e sete da noite, a primeira coisa que fez foi olhar para o relógio no painel.
Oito e sete.
Sete minutos.
Ele soltou um suspiro curto.
- Sete minutos não matam ninguém - murmurou para si mesmo.
Desligou o motor.
A casa de Helena ficava numa área mais afastada da cidade, grande, antiga, cercada por árvores e por um jardim que ela insistia em manter mesmo sem ter tempo para cuidar direito. Augusto conhecia aquele lugar havia anos. Já tinha consertado uma torneira, uma cerca, uma porta e uma churrasqueira naquela casa.
Helena dizia que ele era seu "marido de manutenção".
Augusto dizia que ela era incapaz de contratar alguém.
A verdade era que os dois gostavam da amizade que tinham construído.
Ele saiu da caminhonete, ajeitou a manga da camisa e entrou.
A música estava baixa.
Havia umas oito pessoas espalhadas pela sala e pela varanda.
Helena apareceu quase imediatamente.
- Finalmente!
Augusto olhou para ela.
- Cheguei sete minutos depois.
- Exatamente. Um absurdo.
- Você me chamou às oito.
- E são oito e oito.
- Oito e sete.
Helena levantou uma sobrancelha.
- Você contou o minuto?
- Não.
- Augusto.
- Olhei no painel.
Ela riu.
- Você é impossível.
- Eu sei.
Ele pegou uma cerveja que estava sobre a mesa, mas não abriu.
Helena percebeu.
- Não vai beber?
- Vou dirigir.
- Você mora a quinze minutos daqui.
- Continua sendo dirigir.
- Deus, como você envelheceu.
Augusto olhou para ela sem expressão.
- Obrigado.
- Foi um elogio.
- Pareceu uma ofensa.
- Você sabe que eu te adoro.
Ele finalmente abriu um pequeno sorriso.
- Eu sei.
Helena observou o amigo por alguns segundos.
Então seu rosto mudou.
Um sorriso diferente apareceu.
Um sorriso de quem tinha acabado de se lembrar de alguma coisa.
- Ah.
Augusto percebeu.
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ONDE A FORÇA DESCANSA
FanfictionOnde a Força Descansa Augusto Valença sempre soube como manter tudo sob controle. Homem de presença marcante, reservado e extremamente determinado, Augusto construiu a própria vida sobre disciplina, trabalho e responsabilidade. Acostumado a resolver...
