único.

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Chou Tzuyu sempre acreditou que algumas coisas deveriam permanecer em silêncio.

Não porque fossem pequenas, mas justamente porque eram grandes demais. Grandes o bastante para destruir tudo aquilo que ela havia aprendido a considerar certo.

Desde pequena, ouvira que existia apenas uma maneira correta de amar. Havia palavras para aquilo, regras, exemplos, histórias repetidas durante os cultos e conselhos de adultos que pareciam ter certeza absoluta de tudo.

Então Tzuyu aprendeu a esconder.

Escondeu quando percebeu que seu coração podia acelerar por uma garota da mesma maneira que acelerava por um garoto. Escondeu quando percebeu que não era uma fase. Escondeu até de si mesma.

Principalmente de si mesma.

Naquela noite, ela estava sentada no último banco de uma praça quase vazia, encarando as próprias mãos.

- Você está com aquela cara de novo.

Tzuyu ergueu os olhos.

Minatozaki Sana estava parada diante dela, segurando dois refrigerantes.

- Que cara?

- A cara de quem está tentando resolver a própria vida em quinze minutos.

Tzuyu soltou uma risada fraca.

- E você acha que eu consigo?

- Não. Mas conhecendo você, vai tentar mesmo assim.

Sana sentou ao lado dela e entregou uma das latinhas.

As duas ficaram em silêncio por alguns segundos.

Sana não era religiosa. Nunca fora. Dizia que não precisava acreditar em uma divindade para saber quando algo era certo ou errado.

Tzuyu invejava aquela certeza.

- Sana...

- Hm?

- Você já teve medo de ser quem você é?

Sana virou o rosto.

- Já.

A resposta veio tão rapidamente que Tzuyu se surpreendeu.

- Mesmo?

- Claro. Ser ateísta também não me transformou em uma pessoa de aço.

Tzuyu abaixou os olhos.

- Não é disso que eu estou falando.

Sana percebeu.

Não perguntou imediatamente. Apenas esperou.

Era uma das coisas que Tzuyu mais gostava nela: Sana nunca arrancava palavras à força.

- Eu gosto de meninos - Tzuyu começou, quase num sussurro. - Mas também gosto de meninas.

Sana permaneceu em silêncio.

Tzuyu sentiu o peito apertar.

- Eu sei que parece errado.

- Não parece.

- Para mim parece.

- Então talvez o problema não esteja em você.

Tzuyu levantou os olhos.

- Como assim?

Sana respirou fundo.

- Você passou tanto tempo ouvindo que uma parte sua era errada que começou a acreditar nisso. Mas sentir alguma coisa não transforma você em uma pessoa ruim.

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