Capítulo 1: O Olhar que Quima.

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O som da música eletrônica pulsava nas paredes de vidro fumê da boate Eclipse, misturando-se ao burburinho das vozes e ao tilintar de taças de champanhe. A luz estroboscópica tingia o ambiente de azul e vermelho, criando um efeito quase hipnótico.

Yuna se sentia uma impostora.

Ali, envolta no vestido curto de seda preta que a amiga Jisoo a convencera a usar, ela tentava imitar a postura despreocupada das outras garotas ricas que dançavam na pista. Mas, por dentro, seu coração acelerado denunciava a verdade: ela estava fora da zona de conforto. Este não era o mundo dos coquetéis beneficentes do pai, nem das galerias de arte frequentadas por sua mãe. Este era o submundo glamorizado da juventude milionária, onde as regras eram nebulosas e o perigo era apenas um tempero.

- Relaxa, Yuna! - Jisoo gritou perto de seu ouvido, com um sorriso largo. - Você parece uma freira prestes a ser flagrada num pecado mortal.

- Talvez eu esteja - Yuna murmurou, forçando um sorriso enquanto mexia os quadris sem muita convicção.

Foi então que o ar pareceu faltar.

Uma sensação estranha, elétrica, percorreu sua espinha. Como se alguém tivesse ligado um interruptor dentro dela. Seu corpo paralisou, e seus olhos, por instinto, desviaram-se para o andar superior.

Lá em cima, no camarote VIP envidraçado, uma figura se destacava das demais. Não era a luz que o diferenciava, mas a presença. Ele estava sentado, semi-reclinado no sofá de veludo carmesim, com uma taça de uísque equilibrada entre os dedos longos e elegantes. Usava um terno perfeitamente ajustado, escuro como a meia-noite, e a camisa desabotoada na primeira botoeira revelava um pedaço de pele pálida e um colar fino de prata.

Mesmo à distância, os olhos dele a encontravam. E que olhos.

Eram escuros, profundos, e tinham uma intensidade que a fazia sentir como se estivesse nua sob um holofote. Seu rosto era uma escultura de linhas afiadas: maxilar definido, nariz empinado, lábios que se curvavam em um sorriso que não era um sorriso, mas sim uma provocação silenciosa.

Minho a observava como um predador observa uma presa que não sabe que está sendo caçada.

Ele a viu hesitar, viu o jeito ingênuo com que ela tentava dançar, viu o brilho de insegurança em seus olhos mesmo sob a maquiagem pesada. E achou aquilo deliciosamente divertido.

- Quem é aquela? - a voz dele era baixa, rouca, e cortou o ar do camarote, fazendo os homens ao seu redor se virarem.

Changbin, seu braço direito, inclinou-se para seguir seu olhar.

- Não sei, chefe. Mas pelo vestido, parece uma das garotas da família Han. Ou talvez uma das herdeiras do grupo Kim.

- Não - Minho disse, um sorriso sarcástico dançando em seus lábios. - Essa aí é muito mais pura do que essas vagabundas. Olha o jeito que ela segura a bolsa, como se estivesse segurando um terço. É uma filhinha de papai perdida no meio do pecado.

Yuna sentiu o rosto esquentar. Ela sabia que não deveria continuar olhando. Seu pai, o delegado Park, sempre a alertara sobre homens com aquele olhar. "Perigosos, Yuna. Você vai saber quando vir um." Mas seus olhos estavam presos, hipnotizados, como uma mariposa voando em direção à chama.

O Preço do PerigoStories to obsess over. Discover now