A mudança e o ataque

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UM

Aubrey

- Essa é a nossa nova casa, gostou, Aubrey? - indaga minha mãe com um sorriso de orelha a orelha.

Eu dei uma olhada no cômodo onde estou, um hall de entrada enorme e com uma decoração minimalista.

Me mudar não era o que eu mais queria, na verdade eu nunca quis me mudar. Eu tive que deixar tudo que eu amo para trás, meu amigos, minha família por parte do meu pai e também a casa que eu passei a minha infância, que me relembrava os momentos felizes da minha vida, momentos estes que meu pai ainda estava entre nós.

- É bem grande - digo sem emoção e ignorando o quanto minha mãe está feliz com a nova casa.

- Mais animação, querida, isso é um recomeço para todos nós. - Recomendou, William colocando a sua mão enorme no meu ombro.

O seu toque me deixa arrepiada, porém não de um jeito bom, me deixa apavorada e eu me afasto dele e da sua mão o mais rápido possível.

- Olha aqui William , primeiro: você só praticamente nos empurrou para essa cidade de merda para nos fazer esquecer o meu pai, pra minha mãe pode ter dado certo, porém você nunca vai substituí-lo. Segundo: Não me chama de querida. - cuspo as palavras e fico ali fuzilando o imbecil do marido da minha mãe com o olhar.

Ele dá um sorriso assustador que me deixa com muito medo, porém eu não deixo transparecer nem um pouco, para não demonstrar fraqueza.

- Aubrey, respeita o seu padrasto - Exigiu, me olhando já vermelha de raiva.

Eu bufo, pego minhas malas e subo pela escada para o andar de cima, para me trancar no meu quarto, seja lá qual desses for o meu.

Eu ignoro os gritos da minha mãe, entrando no único quarto que está com as caixas escritas: Aubrey , trancando a porta, sentando no chão e chorando.

- Por que você teve que morrer,pai? - sem resposta - Porque você tinha que me deixar aqui com ele? - nada.

Era óbvio que meu pai não me responderia, no entanto eu insistia em tentar me "comunicar" com o incomunicável.

O acidente não tirou só o meu pai, também levou junto a minha felicidade e a minha vontade de viver.

Queria que tivesse sido eu naquele carro.

Nunca tive coragem de colocar meus pensamentos autodestrutivos em prática, porém vontade era o que não faltava.

Depois de muito custo, consegui me levantar e arrumar o meu quarto.

Escuto passos no corredor, passos pesados e arrastados. William . Eu sei que é ele mesmo antes dele bater na porta, eu sinto a energia estranha dele se aproximando. Meu corpo reage à sua presença tal qual um coelho reagiria ao ver um lobo.

- Aubrey, abra a porta, eu quero conversar com você. -pede com a voz mais calma que o normal.

Eu me levanto da cama com o corpo rígido e com um nó no estômago. Eu abro a porta e ele está apoiado na batente da porta com uma expressão estranha.

- O que você quer? - pergunto tentando não demonstrar medo, mesmo tremendo dos pés à cabeça.

Ele empurra a porta, entra no meu quarto e senta na minha cama. Eu fico totalmente sem reação ,ele bate no colchão ao seu lado pedindo para eu me sentar. Eu continuo em pé.

- Sua mãe saiu e vai demorar umas horas, então decidi aproveitar para conversar com você. - diz me olhando de cima a baixo, me deixando enjoada.

Quando percebe que eu não vou me sentar, ele se levanta e diminui a distância entre nós. , meu corpo enrijece e eu engulo em seco. Ele começa a acariciar o meu braço e me olhar com um olhar malicioso.

- Sai de perto de mim, William - digo tentando não gaguejar e meus olhos ficam marejados, eu pisco para afastar as lágrimas. - Se não eu conto tudo para a minha mãe. - digo tentando me soltar dele, porém o mesmo me prende tão forte que eu me sinto como um esquilo querendo lutar com um tubarão.

- Não se faça de difícil, princesa - diz suavemente acariciando o meu rosto.

Nesse ponto as lágrimas que eu segurava já caíram e agora molham o meu rosto paralisado.

- Você acha mesmo que a sua mãe vai acreditar em você? - diz com um sorriso torto,frio e maldoso, fechando a porta atrás de mim e a trancando.

O resto daquela noite virou um borrão na minha memória. Eu só me lembro do peso do corpo dele, do cheiro sufocante do perfume barato e das lágrimas escorrendo sem parar, enquanto eu encarava o teto, desejando desaparecer.

Depois de acabar, ele colocou a roupa de volta com um sorriso no rosto enquanto eu chorava e soluçava.

- Não precisa chorar, a primeira vez dói, mas o resto vai ser gostoso, eu prometo - Promete, acariciando a minha coxa o que faz eu me encolher toda.

Quando ele finalmente sai do quarto eu vou correndo trancar a porta de novo e sem forças para ir até a cama eu me deito no chão e choro desesperadamente.

Porque ele fez isso? O que eu fiz de errado? Será que a minha mãe não vai acreditar em mim, mesmo? - Essas são as perguntas que se passam na minha cabeça. No momento só sei a resposta da última.

Minha mãe, claramente,vai acreditar nele.

Se passaram algumas semanas desde aquela noite , e ele nunca parou, toda noite sem falta ele aparece no meu quarto, e sempre fala comigo como se eu gostasse do que ele estava fazendo. Ele disse que depois de algumas vezes seria gostoso, mas já se passaram bem mais de algumas vezes e tudo isso continua sendo horrível.

E o que antes eram só pensamentos tristes relacionados a eu querer ter morrido no lugar do meu pai, agora são vontades como a de me encher de remédios ou ir em algum lugar comprar drogas para ter uma overdose e morrer, ou me jogar da ponte que eu passei de carro com ele e a minha mãe vindo para essa cidade.

- Você sabe como funciona, princesa - diz enfiando um remédio na minha boca depois de acabar de fazer o que ele sempre fazia no meu quarto toda noite.

Eu sabia que era anticoncepcional, ele não é burro de me deixar engravidar dele, e também não é burro para deixar minha mãe sóbria enquanto ele me usa. Toda noite ele dá um calmante muito forte para a minha mãe para ela entrar em um sono pesado e não escutar meus gemidos de dor e o meu choro alto quando ele saía do meu quarto.

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⏰ Última atualização: Aug 24 ⏰

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