Eu sou o Kauã, um estudante de psicologia que trabalha em uma padaria. Mas, desde que entrei nesse emprego, notei um baterista meio babaca que vem todo santo dia degustar um bom e velho cappuccino com uma fatia de bolo de morango. Com o passar dos dias, esse cliente vinha me provocando de jeitos imensuráveis. Em uma manhã onde o sol brilhava escaldante, como de costume, às nove em ponto o ruivo apareceu. Julian caminhou lentamente até o balcão, as correntes em seu cinto tilintando a cada passo, e se recostou perto - até demais - de mim.
- O que deseja pedir, senhor? - perguntei com aquele tom ensaiado de atendente.
- Um cappuccino e uma fatia de bolo de morango - Julian respondeu em um tom baixo.
- Algo mais?
- Poderia pedir mais um minuto da sua atenção? Acho que me perdi nesses olhos lindos - ele falou, dando um sorriso provocante.
- Senhor, hmm... vou preparar seu pedido de cappuccino e a fatia de bolo de morango, certo? - respondi, tentando disfarçar antes de começar o preparo.
E, desde esse dia, Julian flerta comigo todos os dias. Eu, que mal tenho tempo de respirar entre a faculdade e o trabalho, apenas ignoro.
Mas hoje algo foi diferente. Eu estava voltando da faculdade pelo caminho de costume. Meu dia já estava horrível por ter que aturar cada bronca do meu chefe e por ter uma pilha de matérias do segundo semestre para estudar. As luzes dos postes lançavam sombras que moldavam meu cansaço. De repente, meu celular vibrou, cortando o silêncio da rua deserta como uma faca. Retirei o aparelho do bolso para olhar a notificação: era uma mensagem da minha amiga querendo saber se eu poderia sair com ela no final de semana. Quando comecei a digitar a resposta, enquanto atravessava a rua, uma mão agarrou minha cintura, me puxando bruscamente de volta para a calçada. Um carro passou tão rápido que só escutei o zumbido. Por sorte não me atingiu... por sorte não, pelo homem que havia me salvado
Olhei para cima e vi: os longos cabelos ruivos de Julian caindo como uma cascata pela jaqueta de couro dele, mechas emoldurando seu rosto pálido. O aperto firme de suas mãos na minha cintura fez um arrepio percorrer todo o meu corpo.
- Você devia prestar mais atenção por onde anda, gracinha. Não quero que você seja atropelado - Julian disse, em um tom calmo que destoava completamente da situação.
- Ahnm... obrigado por... por me salvar, eu acho - gaguejei, ainda em choque pelo quase acidente e profundamente envergonhado pela proximidade dos nossos corpos.
Julian finalmente me soltou, criando um espaço educado entre nós. Os olhos verdes dele pareciam me ler como um livro aberto, enquanto eu tentava recuperar a postura, com o rosto ardendo.
- Quer que eu te acompanhe, gracinha?
- Você não precisa fazer isso, não quero te incomodar - neguei timidamente, erguendo as mãos em um gesto de rendição.
- Eu faço questão - Julian disse, lançando uma piscadela.
Meio hesitante, acabei deixando, e ele seguiu ao meu lado. O silêncio preencheu o trajeto inteiro, de um jeito desconfortável e inquieto. Paramos, por fim, em frente a uma casa pequena de portão verde.
- Minha casa.
- Então acho que nos separamos aqui - Julian falou com um sorriso leve. - Tente não ser atropelado, não vou te salvar da próxima vez.
- Hmm... eu não vou - respondi timidamente, desviando o olhar.
- Até amanhã, gracinha - ele disse, enquanto se afastava e acenava em minha direção.
Soltei um suspiro trêmulo que nem percebi que estava prendendo. Com passos pesados no concreto, entrei em casa. Nem fiz questão de acender as luzes; apenas joguei minha mochila em um canto do sofá e caminhei direto para o quarto. O cansaço do dia me abalava como uma onda que percorria meu corpo. Caí na cama com um suspiro exausto, apreciando a maciez dos lençóis felpudos. Um pensamento, porém, abalou minha calma: uma única lembrança fez o rubor subir pelo meu pescoço, colorindo minhas bochechas em um tom carmesim que contrastava com a minha pele pálida. Era ele: o ruivo malicioso que vinha me provocando por semanas com seus joguinhos.
Peguei-me sendo puxado para a ideia do toque de Julian, e antes que pudesse me dar conta, minhas mãos já haviam percorrido o caminho até o cós da minha cueca, abaixando-a até os tornozelos. A brisa da madrugada invadia o quarto, contrastando com o calor febril da minha pele. Meus dedos me envolveram, acompanhando a imagem do homem que pairava em minha mente e ofuscava meus sentidos. Me vi ofegando diante do ritmo inquieto daquele instante, as súplicas denunciavam a intimidade do momento. Murmurei à luz do luar, que, da janela, parecia observar cada um dos meus tremores, como um cúmplice do meu crime. O brilho pálido espalhava-se pelos lençóis emaranhados, desenhando o ápice do meu prazer.
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Uma Fatia de Acaso | BL/MLM
Ficción Generalum jovem estudante de psicologia que trabalha em uma padaria, tem um cliente regular que está sempre o provocando, e um dia ele se esbarram por acaso na rua, e talvez isso tenha mexido com a mente do protagonista.
