O Baile da Primavera
A primavera havia chegado ao reino trazendo consigo dias mais quentes, jardins floridos e uma movimentação incomum no palácio real.
Como acontecia todos os anos, a corte organizava o grande Baile da Primavera, uma noite dedicada à nobreza, aos convidados estrangeiros e, principalmente, às alianças que poderiam nascer entre uma dança e outra.
Safira Flynn, dama da corte, não tinha grandes expectativas para aquela noite.
Ela conhecia bem aqueles bailes. As mesmas conversas sobre política, os mesmos nobres tentando parecer mais importantes do que realmente eram e os mesmos sorrisos educados escondendo intenções.
Ainda assim, naquela noite, Safira estava diferente.
Ela usava um vestido azul-petróleo longo, de tecido acetinado que brilhava levemente a cada movimento. O modelo era halter, com o decote marcado por bordados prateados e uma gola alta choker toda trabalhada em pedraria. Os ombros ficavam de fora e as mangas eram bufantes e volumosas, caindo soltas até os punhos também com detalhe de brilho.
Na cintura tinha um cinto largo de prata com um detalhe central em formato de lua, e do busto até a barra do vestido desciam bordados delicados em prata, como galhos. A saia era ampla e fluida, abrindo em A até o chão e deixando um brilho suave no tecido.
Quando entrou no salão, foi recebida pelo brilho dos enormes lustres de cristal.
- Senhorita Flynn! - chamou uma das damas.
Safira sorriu e se aproximou.
- Boa noite.
- Você está linda.
- Você também.
As duas trocaram algumas palavras antes de Safira se afastar novamente. Ela caminhou pelo salão, cumprimentando conhecidos e observando os convidados, foi então que percebeu algo incomum.
Perto de uma das grandes janelas estava um homem que não parecia interessado no baile, ele vestia a armadura branca dos Cavaleiros Sagrados, embora tivesse retirado o elmo. Seus cabelos loiros, quase um branco estavam ligeiramente bagunçados, os olhos vermelhos eram... Hipnotizante.
Safira o reconheceu.
Izek Van Ortema.
Um dos cavaleiros sagrados mais respeitados do reino.
Ela já tinha ouvido histórias sobre ele. Diziam que era extremamente habilidoso com a espada e que havia protegido sozinho uma caravana real de um grupo de monstros.
Mas, naquele momento, Izek parecia apenas... cansado.
Safira observou por alguns segundos antes de se aproximar.
- Um cavaleiro sagrado deveria estar dançando em um baile?
Izek virou o rosto.
- Não sei. Deveria?
Safira sorriu.
- Não faço ideia. Nunca fui uma cavaleira sagrada.
Ele soltou uma pequena risada.
- Então estamos na mesma situação.
Safira ficou ao lado dele, olhando para o jardim através da janela.
- Está fugindo do baile?
- Talvez.
- Então somos dois.
Izek olhou para ela, dessa vez com mais atenção.
- Você também não gosta de bailes?
- Gosto dos jardins. Da música. Das flores. Das pessoas... nem sempre.
