ERA UMA VEZ EU

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*Em algum lugar do espaço*

Existem pequenos grupos de seres colossais. Chamam-se Aghakas.
Criaturas que imitam a aparência de planetas e tentam sobreviver ao vazio solitário do cosmos.

Esta é a história de um desses pequenos grupos.

Júpiter era uma mãe. Tinha muitos filhos.
E estava exausta.
Seu par havia morrido há muito tempo, e agora todo o peso da criação caía sobre ela.

- Crianças, parem com isso! - a voz dela ecoou, cansada. - Não veem que eu estou exausta!?

Io boiou para frente, impaciente.
- Mas mãe, estamos entediados. Queremos brincar um pouco. Não temos nada para fazer. Nós quatro nem conseguimos vigiar todos eles.

Júpiter ficou pensativa. As órbitas dentro dela giravam sem parar.
_O que será que eu faço pra ter um pouco de sossego?_

Ganimedes então deu a ideia.
- Podemos visitar a bisavó Tellus? Ela adora contar histórias e-

- Nada disso! - Júpiter cortou na hora. - Sua bisavó odeia ser perturbada. E você sabe que nós duas brigamos. Você estava lá, Ganimedes.

Io não desistiu. Ousada, ela insistiu:
- Mãe, isso faz tempo. Você nem sabe como a bisavó está. Ela já deve ter esquecido da briga.

De repente, todas as crianças começaram a falar ao mesmo tempo. Queriam ver a bisavó.

A dor de cabeça de Júpiter latejou.
- CALEM-SE! - ela gritou. - Por que vocês não vão ver o avô Urano nem os tios que ficam aqui perto!?

Europa falou por todos, com um suspiro:
- Porque nossos primos são insuportáveis, mãe. Nós somos mudos perto deles. E eles só querem dormir. Igual você.

Júpiter fechou os olhos. Respirou fundo.
- Tá... vamos ver a avó Tellus. Mas sem fazer baderna, por favor. Meus filhinhos queridos.

O grupo comemorou. Finalmente iriam visitar a avó que não viam há séculos.

_Por que eu tive que ter 101 filhos? - pensou Júpiter, massageando as têmporas.

E foram.
Mas ao se aproximarem, encontraram outro corpo celeste no caminho.

- OLHA! É O PRIMO MARTE! - gritou Europa.

Ganimedes resmungou, desanimado:
- E os primos mais velhos. Fobos e Deimos.

- Calados! - Júpiter ordenou. - Não quero que vocês os acordem.

Marte bocejou. Relaxado.
- Relaxa, tia. Eu já tô acordado.

Júpiter se desculpou, sem jeito:
- Desculpe-me, Marte. Não consigo controlar todos eles.

- Você não me acordou - ele disse. - Mas recomendo silêncio. Eu quero dormir depois de cuidar dessas pestes que chamo de irmãos. Querem ver Tellus? Já aviso que ela está dormindo.

Júpiter assentiu.
- É por isso. Os seus primos querem vê-la.

Marte ergueu uma sobrancelha.
- Suspeitei. Ela vai gostar da visita. Tem se sentido bem solitária ultimamente. Mesmo comigo aparecendo às vezes.

Calisto, preocupada, perguntou:
- A bisavó tá bem? Por que ela está triste?

- Filho! - Júpiter repreendeu. - Falta de educação se intrometer. Desculpa, Marte. Eles são impulsivos.

Marte deu de ombros.
- Ela só está sozinha. Só não sei se ela vai querer ver a tua cara, tia.

- Eu sei - Júpiter suspirou. - Só quero que ela distraia minhas crianças enquanto eu descanso a cabeça.

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