Antes da Promessa

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O príncipe estava escondido atrás de uma das colunas do corredor quando ouviu os passos.

- Você demorou.

O menino que vinha pelo corredor parou e olhou para os dois lados antes de se aproximar.

- Eu não demorei.

- Demorou.

- Eu estava estudando.

O príncipe fez uma careta.

- De novo?

- Sim, de novo.

- Então vamos brincar.

O menino arregalou os olhos.

- Agora?

- Agora.

- Você fez sua lição?

O príncipe ficou em silêncio.

O outro menino cruzou os braços.

- Eu sabia.

- Eu ia fazer.

- Quando?

- Depois.

- Você sempre diz isso.

O príncipe saiu de trás da coluna e segurou o braço do amigo.

- Vamos. Só um pouco.

- Não.

- Só até o jardim.

- Não.

- Até o corredor das ameixeiras.

- Não.

- Até...

- Alteza.

O príncipe parou.

O menino apontou para ele com a expressão mais séria que conseguia fazer.

- Se seu professor perguntar por que a lição não está pronta, não diga que eu tirei você daqui.

- Mas foi você quem veio me procurar.

- Exatamente. E eu não quero levar outra bronca do meu pai porque estou ensinando o príncipe a não estudar.

O príncipe soltou uma risadinha.

- Seu pai briga muito com você.

- Ele briga com os dois.

- Comigo, ele não pode.

- Pode sim. Só não faz.

O príncipe ficou pensativo.

- Por quê?

- Porque você é o príncipe.

- Mas você é meu amigo.

- Justamente por isso.

O menino falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

O príncipe sorriu.

Era uma das poucas pessoas dentro do palácio que não mudava de voz quando falava com ele.

Não fazia reverências o tempo todo.

Não perguntava se ele estava cansado antes de dizer qualquer coisa.

Não o observava como se cada palavra que dissesse pudesse ser repetida ao rei.

Quando estavam sozinhos, os dois eram apenas dois meninos.

E era assim que o príncipe gostava.

- Estou cansado.

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