O nascimento Do Demônio

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Akuma Kageyama:

Em 1560, na região de Odawara, província de Sagami, o nascimento de um monstro estava acontecendo. Seu nome? Ninguém queria dizer. Pois esta criança teria nascido com olhos dourados, um choro estrondoso, uma aura demoníaca e marcas do ser que todos temiam.

Seu pai, ao descobrir que havia sido traído pela esposa, mandou matá-la. Mas, diferente do fim trágico que sua mãe teve, a criança, meio demônio e meio humana, sobreviveu, apenas para sofrer e pagar por tudo aquilo que não era sua culpa.

Dado por seu pai, na intenção de que todos soubessem quem ele era, seu nome tornou-se Akuma Kageyama, o Demônio da Montanha.

É, este sou eu, e eu vou narrar a minha história.

Antes de tudo, eu não culpo minha mãe por ter traído meu pai. Ele é uma pessoa tão terrível quanto me fez ser. Acho que, no fundo, o desespero da minha mãe em fugir de todas as formas possíveis daquele homem, seja emocionalmente, dos títulos dele e, principalmente, sexualmente, não faz dela uma traidora.

Claro, tendo em mente tudo o que aquele homem fez com ela. Maltratá-la e esnobá-la de forma miserável eram as coisas mais leves que ele fazia com minha mãe.
Mas quem vinha de fora, fossem outros clãs, amigos do Ocidente ou qualquer pessoa que não tivesse a mínima noção do que realmente acontecia, acreditava que a mulher que tanto meu pai fazia sofrer era a mesma de quem ele falava e dizia, em alto e bom tom, que amava e por quem queimaria o mundo.

Mas não. Meu pai não amava nem a si próprio, quem dirá mulheres que, nas palavras dele, "eram apenas objetos de satisfação e máquinas para gerar seus herdeiros".
Mas sempre há uma exceção, e essa foi a mulher que terminou de desgraçar a minha vida.

Tão bela quanto as cerejeiras e tão doce quanto os malditos pêssegos, seu nome era Ayame.
Junto de meu pai e dessa cobra que ele chamava de esposa, eles me tiraram o resto de bondade que ainda havia em meu ser, o que já não era muita coisa.

Vamos começar pela minha infância.

Depois que cresci o suficiente para entender que meu pai não era a pessoa que todos diziam e que ele era tão podre por dentro que não lhe restava piedade, aprendi que, se eu confiasse em qualquer um que não fosse em mim mesmo, teria o mesmo fim trágico de todos ao meu redor. Aprendi a observar em silêncio, a me esconder nas sombras e a ficar invisível para qualquer um que fosse estúpido o suficiente para não me notar.

Caramba, eu era uma criança em um corpo de adolescente! Eu nunca pedi para ser assim. Nunca.
Mas eu era. Eu era uma aberração que meu pai insistia em ignorar. Insistia em fingir que não tinha feito nada de errado. Que ele era tudo, menos um pai. E que jamais iria me reconhecer como filho.

Mas eu entendo. Eu mesmo não quero ser associado ao homem que Yashihiro era.
Mas isso não durou muito, pois ela chegou.
Ayame Tachibana, uma aristocrata mimada cujo pai tinha uma dívida enorme com o clã Kazenami. Sim, um nome ridículo, até porque, de ondas do vento, não tinha nada. Só sangue, medo e angústia estavam presentes em um lugar como aquele.

Mas essa mulher parecia não se importar. Ela realmente não se importava, até porque quem sofria não era ela, e sim as almas que ela insistia em apontar o dedo e acusar de terem roubado suas joias.

Ayame Tachibana era a mulher mais sem coração que já passou pela minha vida. Acho que meu pai gostava dela por isso. Ela era igual a ele, afinal.
E soube desde o início que ela não seria a pessoa a quem eu confiaria algo. Absolutamente nada. Nem mesmo uma flor selvagem ou uma infeliz rosa em suas mãos. Mas todos erram, e eu não fui diferente.

Para que possamos sentir a maldade dessa mulher maligna, lembre-se de que eu disse que foi ela, junto do meu pai, quem tirou o resto de bondade que eu tinha em mim.
Eu não disse à toa.
Nada do que faço ou fiz foi à toa.

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