Mystic Falls tem uma maneira particularmente cruel de esconder seus segredos.
A cidade parece pequena demais para guardar alguma coisa. As mesmas ruas, as mesmas casas antigas, a mesma praça, a mesma igreja, os mesmos sobrenomes repetidos durante gerações. Todo mundo conhece todo mundo.
Ou, pelo menos, é isso que gostam de acreditar.
Eu aprendi cedo que esta cidade é cheia de coisas que não deveriam existir. E, em uma noite fria de muitos anos atrás, eu fui encontrada por uma delas. Ou melhor: eu fui a coisa que ela encontrou.
Eu estava sentada nos degraus de uma casa abandonada, pequena demais para estar sozinha e estranhamente tranquila para alguém que deveria estar apavorada. O painel do carro dela marcava quase duas da manhã quando os faróis rasgaram a neblina. Ela havia acabado de sair do trabalho.
A luz de uma lanterna cortou a escuridão.
- Ei.
Eu ergui os olhos. Ela esperava choro. Esperava gritos. Esperava qualquer reação normal de uma criança encontrada sozinha no meio da madrugada.
Nada. Eu apenas olhei para ela.
- Onde estão seus pais?
Silêncio. Ela se aproximou devagar, pisando nas tábuas rangentes da varanda.
- Você sabe onde mora?
Balancei a cabeça.
- Qual é o seu nome?
A resposta saiu tão baixinha que quase me perdi dela.
- Abby.
- Abby o quê?
Franzi a testa, sentindo uma pontada vaga de confusão, como se a pergunta exigisse uma matemática complexa demais para aquela idade.
- Só Abby.
Ela se agachou diante de mim, os olhos cheios de uma cautela gentil.
- Tudo bem, Abby. Eu sou Elizabeth.
Eu continuei olhando, avaliando o rosto dela sob o facho branco da lanterna.
- Você é boa?
Ela hesitou por um segundo, surpresa.
- Tento ser.
Ponderei aquilo por um instante antes de estender a mão. Ela segurou. E foi ali que o mundo ao redor pareceu prender a respiração.
O frio subiu pela minha pele. Não o frio comum de uma criança que passara horas ao relento, mas uma sensação densa, antiga, que percorreu minha palma e subiu pelo braço como se algo adormecido estivesse despertando lá no fundo. Ela soltou os meus dedos num sobressalto involuntário.
- Você vai embora? - perguntei, e a simplicidade daquela dor infantil pareceu rasgar o silêncio da noite.
Ela respirou fundo, olhando nos meus olhos com uma firmeza que mudaria a vida de nós duas para sempre.
- Não.
E foi assim que tudo começou.
Durante semanas, Liz procurou.
Registros. Hospitais. Escolas. Assistentes sociais. Famílias inteiras desaparecidas. Nada. Para o mundo, eu não existia. Não havia certidão de nascimento, histórico médico ou qualquer rastro de que eu tivesse pisado na Terra antes daquela madrugada. Era como se alguém tivesse me colocado no mundo e esquecido de me explicar de onde eu vim.
No começo, ela esperou que alguém aparecesse. Ninguém apareceu.
Eu sabia meu nome, sabia falar, sabia ler algumas palavras e carregava na ponta da língua conhecimentos que uma criança daquela idade jamais deveria possuir. Mas, quando me perguntavam sobre a minha família, minha mente bloqueava. Havia uma porta trancada dentro da cabeça, e alguém havia jogado a chave fora.
Então, Liz parou de esperar.
Fiquei em um quarto provisório, depois em um de verdade, até que passei a ocupar o espaço definitivo na casa dos Forbes. E quando os vizinhos curiosos perguntavam quem era a garota misteriosa, ela respondia com naturalidade:
- Minha filha.
No início, a palavra parecia pesada. Depois, deixou de parecer. Até que virou verdade.
Caroline me aceitou como sua irmã assim que me viu. Éramos praticamente da mesma idade, duas crianças dividindo o mesmo teto e o mesmo caos. Crescemos juntas no mesmo ritmo acelerado. Brigávamos pelo mesmo brinquedo, dividíamos o quarto, compartilhávamos festas do pijama e ficávamos de castigo juntas - mesmo quando a culpa era de apenas uma de nós.
Caroline falava por nós duas; eu reclamava que ela não calava a boca. Ela dizia que eu era mal-humorada; eu retrucava dizendo que ela era insuportável. Cinco minutos depois, estávamos no mesmo tapete assistindo desenho animado.
Eu não sabia onde eu terminava e onde Caroline começava. Ela era luz pura; eu parecia guardar sempre um mistério trancado atrás dos olhos. Enquanto ela queria saber a resposta para tudo, eu aprendera instintivamente que certas perguntas jamais deveriam ser feitas.
Mas, quando o perigo nos rondava, a linha entre nós virava uma muralha.
Aos poucos, o véu da normalidade começou a rasgar ao meu redor.
A primeira vez foi uma lâmpada. Eu tinha nove anos. Caroline estava furiosa porque Liz a proibira de dormir na casa de uma colega, e eu estava furiosa porque ela não calava a boca. Discutíamos no quarto quando, de repente, o vidro estilhaçou em uma chuva de faíscas.
Ficamos em silêncio absoluto. Caroline olhou para o teto, depois para mim.
- Foi você?
- Fiz o quê?
- A lâmpada.
- Eu estava sentada na cama!
- Isso não significa nada.
- Caroline, nós temos a mesma idade!
- Então por que você fala como se tivesse quarenta?
Ela abriu a boca, indignada, fechou-a e cruzou os braços.
- Você é muito chata.
- E você é insuportável.
Quando Liz apareceu correndo no corredor, encontrou duas crianças discutindo calmamente sob os cacos de vidro. Ninguém mencionou magia naquele dia. Ainda.
Depois vieram os objetos fora do lugar, as portas que batiam sozinhas com a força de um vendaval invisível, as velas que acendiam sozinhas quando meus nervos estalavam, e os animais que me encaravam tempo demais na rua, como se reconhecessem um fantasma.
E os sonhos. Ah, os sonhos.
Eu vagava por florestas escuras. Vi uma mulher de cabelos escuros cantando canções em uma língua morta. Vi um homem de olhar severo e mandíbulas trancadas. Vi um menino loiro que parecia exalar raiva, uma menina de cabelos claros, um garoto de sorriso perigoso e um homem de olhos surpreendentemente gentis.
E uma voz. Sempre uma voz chamando por mim, ecoando em corredores de pedra que eu nunca houvera pisado nesta vida.
Às vezes, eu acordava com o suor frio colado à pele, sussurrando nomes que não faziam o menor sentido para a minha realidade: Esther, Elijah, Kol, Rebekah, Klaus.
Palavras ocas. Por enquanto.
Foi Liz quem percebeu primeiro que aquilo ultrapassava a linha do aceitável. E ela já sabia que, em Mystic Falls, "anormal" era quase um requisito de endereço.
Ela remexeu em cantos obscuros da cidade, conversou com pessoas que a maioria ignorava e, finalmente, encontrou alguém que reconheceu o padrão. A mulher que avaliou minha energia ficou pálida, quase verde, ao cruzar o olhar comigo.
- Onde você encontrou essa criança? - exigiu ela, olhando para Liz com pavor genuíno.
Liz cruzou os braços, na defensiva.
- Por quê?
- Onde?
- Aqui. Em Mystic Falls.
A bruxa balançou a cabeça, recuando um passo.
- Ela não é daqui.
- Eu sei disso.
- Não, você não entende a dimensão disso. - A mulher apontou na minha direção, enquanto eu desenhava distraída ao lado de Caroline. - Ela tem magia correndo nas veias.
O estômago de Liz despencou.
- Ela é uma bruxa?
- O que quer que ela seja, não é algo simples. É antigo.
Liz deu um passo à frente, bloqueando a visão da mulher.
- Ela é uma criança.
- Sim...
- Então fale comigo como se ela fosse uma criança.
A bruxa engoliu em seco, percebendo a muralha intransponível que Liz havia erguido ao meu redor. A conversa morreu ali. Mas o aviso ficou ecoando no ar.
Os anos passaram. O colégio chegou, os dramas adolescentes se acumularam, e a rotina seguiu seu curso.
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Eu conheci Elena Gilbert quando ela voltou para a escola após o acidente dos pais. Caroline, com sua mania irredutível de consertar o mundo, decidiu que Elena não sofreria sozinha. E, claro, me arrastou junto.
- Elena, essa é a Abby - anunciou Caroline, como se estivesse me apresentando um troféu.
Ergui os olhos do meu caderno. Elena sorriu de leve, com aquela carga de tristeza silenciosa que parecia pesar em seus ombros.
- Oi.
- Oi.
Caroline apontou para mim, orgulhosa:
- Ela é minha melhor amiga.
- Eu sei - disse Elena.
Caroline estreitou os olhos, desconfiada.
- Como você sabe?
Elena deu de ombros, com um sorriso fraco.
- Você só fala dela.
Virei-me para Caroline, arqueando uma sobrancelha.
- Você fala de mim?
- Não.
- Fala sim.
- Não desse jeito...
- Que jeito?
- Cala a boca, Abby.
Elena soltou uma risada genuína. Foi simples, leve, despretensioso. Gostei dela quase no mesmo segundo. Ela carregava nos olhos a mesma compreensão silenciosa de quem sabia o que era perder pedaços de si mesma e continuar caminhando. E foi assim que ela entrou para o nosso pequeno ecossistema.
Damon e Stefan Salvatore vieram logo depois, trazendo consigo uma tempestade de complicações que eu não consegui prever.
Eu não sabia quem eles eram. Não sabia quem era Stefan Salvatore nem sabia quem era Damon Salvatore. Para mim, eram apenas dois irmãos recém-chegados que exalavam perigo e segredos demais para uma cidade só.
Stefan era polido e educado comigo. Damon era... bem, Damon.
A primeira vez que ele me encontrou, eu estava na varanda da frente com Caroline, enterrada em um calhamaço de literatura. Damon estacou no caminho, olhou para Caroline e depois para mim, com um brilho analítico nos olhos azuis.
- Quem é a sua amiga?
Caroline respondeu na lata:
- Minha melhor amiga.
Eu ergui o olhar do livro, encarando o intruso sem um pingo de timidez.
- E você é?
Ele pareceu genuinamente surpreso, como se todo mundo na cidade devesse abaixar a cabeça ao vê-lo.
- Você não sabe quem eu sou?
- Eu deveria?
Caroline mordeu o lábio inferior para conter o riso. Damon inclinou a cabeça, avaliando-me como um predador avalia uma presa curiosa.
- Interessante.
- Isso foi uma resposta?
- Foi.
Voltei a abaixar os olhos para as páginas.
- Então foi uma resposta ruim.
Caroline engasgou com a própria saliva, disfarçando a risada com uma tosse falsa. Damon deu um passo à frente, com um sorriso irônico nos lábios.
- Você é sempre assim?
- Assim como?
- Irritante.
Fechei o livro com um estalo seco e o encarei.
- Só quando alguém merece.
O sorriso dele se alargou, perigoso e divertido.
- Certo, Sardenta.
Franzi a testa, o instinto defensivo ativando na hora.
- O quê?
- Sardenta.
- Eu não tenho sardas.
- Eu sei.
- Então por que está me chamando assim?
Damon cruzou os braços, desfrutando da minha irritação.
- Porque você odeia.
Fechei a capa do livro com força.
- Eu já odeio você.
- Perfeito.
E Caroline, conhecendo-me melhor do que ninguém, apenas pensou o que eu viria a descobrir tarde demais: isso não vai terminar bem.
O que eu não sabia é que Damon era apenas a superfície de um oceano muito mais profundo.
A primeira lembrança real rasgou minha mente em uma noite tempestuosa.
Acordei gritando, os pulmões em brasa, as paredes do quarto parecendo tremer. Liz foi a primeira a chegar, invadindo o quarto com o instinto protetor à flor da pele.
- Abby?
Olhei para ela e, por um segundo aterrorizante, não a reconheci. A estranha à minha frente parecia uma silhueta borrada em um pesadelo. O pânico me sufocou até que eu pisquei, e o quarto de infância voltou ao foco. Liz estava lá. A minha mãe estava lá.
- Eu... eu estou bem - ofeguei, passando as mãos trêmulas pelo rosto.
Liz sentou na beirada da cama, o peito subindo e descendo depressa.
- O que aconteceu?
Levei os dedos às têmporas, onde uma dor lancinante latejava.
- Eu sonhei.
- Com o quê?
- Uma casa...
- Que casa, querida?
Mas eu sabia. As imagens começaram a sangrar pelas frestas da minha mente: uma árvore imensa, uma clareira na floresta, uma criança correndo descalça, uma mulher entoando cantos de proteção e uma voz masculina chamando o meu nome verdadeiro através dos séculos.
A dor de cabeça virou uma lâmina girando. E então, os nomes voltaram com força total: Esther. Mikael. Freya. Finn. Elijah. Kol. Rebekah. Henrik. Klaus.
Cada vez que um nome ecoava na minha cabeça, a magia dentro de mim reagia, estilhaçando os bloqueios mentais que eu mesma criara para me esconder. Eu não era apenas uma bruxa qualquer perdida em Mystic Falls. Eu era uma Mikaelson. A filha mais nova, escondida no tempo para escapar da carnificina de uma família destruída pela própria imortalidade.
Minha mãe - a verdadeira, Esther - havia me protegido do monstro que criara. E eu havia apagado a mim mesma para sobreviver.
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Eu estava voltando para casa em uma tarde ensolarada quando o vi parado do outro lado da rua. Terno impecável, postura rígida, o olhar de quem é dono de tudo o que toca.
Meus passos desaceleraram. A rua inteira pareceu emudecer.
Alguma coisa dentro do meu peito travou. Não foi medo; foi reconhecimento puro, biológico, ancestral. Meu corpo inteiro lembrava daquele homem antes mesmo que a minha mente pudesse processar.
Ele virou o rosto. Seus olhos encontraram os meus.
O tempo parou. Seus olhos percorreram cada traço do meu rosto, buscando fantasmas que ele julgava enterrados há milênios.
- Qual é o seu nome? - a voz dele saiu baixa, quase um sopro trêmulo cortando o espaço entre nós.
Engoli em seco, sentindo o coração bater na garganta.
- Abby.
O homem empalideceu de forma assustadora. Ele deu um passo à frente, cruzando a rua sem desviar os olhos de mim.
- Abby...?
Uma pontada violenta estourou na minha mente. A imagem de Esther segurando meu rosto entre as mãos, sussurrando um aviso desesperado: "Esconda-se, Abigail. Viva." E logo depois, a voz rouca e protetora de um dos meus irmãos mais velhos: "Abby, venha comigo."
Cambaleei para trás, tonta.
- Quem é você?
Ele parou a centímetros de mim, a respiração presa, esticando a mão como se temesse que eu fosse uma miragem que desapareceria ao toque.
- Abby...
- Abby?!
A voz de Caroline cortou o feitiço, vindo da esquina com sacolas de compras. Ela parou ao ver a cena, seus olhos alternando entre mim e o estranho com perigosa desconfiança.
- O que está acontecendo aqui?
- Nada... - respondi rápido, a voz falhando. - Estou bem.
- Você está pálida como um cadáver!
O homem desviou os olhos lentamente para Caroline, avaliando-a com frieza antes de voltar os olhos escuros para mim.
- Você a conhece? - perguntou Caroline, o tom defensivo já armado.
Ele hesitou por um segundo imperceptível.
- Ainda não.
Um arrepio gelado subiu pela minha espinha. Ele virou as costas e sumiu na esquina com a mesma facilidade com que havia aparecido. Caroline me sacudiu pelo braço.
- Quem diabos era aquele?
Eu não respondi. Porque, naquele exato momento, a última tranca da minha mente cedeu de vez.
Naquela noite, tranquei a porta do meu quarto e acendi uma única vela no chão. Minhas mãos tremiam incontrolavelmente.
A chama começou a crescer, retorcendo-se em tons de azul e prata, lambendo o ar até quase alcançar o teto.
- Para... - sussurrei para mim mesma.
A chama dobrou de tamanho.
- Eu disse para parar!
As janelas explodiram em um estalo de vento e vidro, as cortinas chicoteando o ar. E então a dor desabou sobre mim como uma avalanche.
As memórias completas desaguaram. Eu vi a aldeia na Europa antiga. Vi o sangue de Tatiana. Vi a ira de Mikael. Vi meus irmãos transformados em monstros sedentos por sangue, e vi a desintegração da minha família. Vi o momento em que percebi que a única maneira de não ser consumida pela guerra eterna dos meus irmãos era desaparecer. Eu mesma lancei o feitiço de ocultação e regressão, apagando minhas memórias e me deixando à deriva em uma estrada escura, esperando que alguém piedoso me encontrasse.
E Liz me encontrou.
A vida que construí em Mystic Falls não era uma mentira; era o presente que eu havia comprado para mim mesma.
A porta do quarto se abriu com estrondo. Liz entrou com os olhos arregalados, a arma em punho por puro reflexo de xerife, mas parou ao me ver ajoelhada no chão, chorando convulsivamente em meio ao caos de vento.
- Abby! O que está acontecendo?
Levantei o rosto, os olhos banhados em lágrimas, encarando a mulher que me criara com amor genuíno e proteção feroz. A mulher que me acolhera sem saber que eu carregava o sangue dos seres mais temidos da história.
Liz correu até mim, ajoelhando-se e puxando-me para os seus braços.
- Estou aqui, querida. O que foi isso?
Fechei os olhos, enterrando o rosto no ombro dela, sentindo o calor seguro de quem foi minha verdadeira mãe na terra.
- Mãe... - solucei.
Liz apertou-me com força.
- Eu tô aqui. O que você lembrou?
Atei fôlego, me afastando o suficiente para encará-la com uma clareza aterrorizante.
- Meu nome não é Abby Forbes.
Liz engoliu em seco, imóvel.
- É Abby Mikaelson.
O silêncio caiu pesado sobre o quarto. E, pela primeira vez, Elizabeth Forbes entendeu que a garota que ela encontrara na estrada há tantos anos não era uma criança abandonada. Era uma sobrevivente de mil anos. Uma bruxa original. Sua filha.
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SEVEN BEYOND
FanfictionAbby Forbes cresceu em Mystic Falls ao lado de Caroline, acreditando que sua vida começou ali. Mas quando memórias de uma existência esquecida há séculos começam a despertar, ela descobre que é uma bruxa ligada a uma magia que ninguém compreende e q...
