PRÓLOGO
O que foi enterrado
Todo mundo em Elarion tinha uma história.
Algumas eram bonitas.
Outras eram uma porra de uma mentira.
A nossa começou muito antes de qualquer um de nós nascer.
Naquela noite, o castelo estava silencioso.
Silencioso demais.
A chuva batia contra as janelas, o vento fazia as cortinas se moverem e, de vez em quando, um trovão fazia as paredes tremerem.
Mas ele não estava com medo da tempestade.
Estava com medo do que carregava nas mãos.
O homem caminhava depressa pelos corredores inferiores do castelo, apertando uma pequena caixa contra o peito.
Olhou para trás.
Nada.
Continuou.
Se alguém o visse ali, estaria acabado.
Não era permitido entrar naquela parte do castelo.
Não sem autorização.
Muito menos depois da meia-noite.
Ele parou diante de uma porta de ferro.
Respirou fundo.
- Merda...
Tirou uma chave do bolso e abriu a porta.
O cheiro de papel velho e poeira o atingiu imediatamente.
A sala era enorme.
Prateleiras ocupavam todas as paredes.
Documentos.
Livros.
Registros.
Histórias que o reino inteiro acreditava conhecer.
Mas havia coisas ali que nunca deveriam ter sido encontradas.
Ele caminhou até uma mesa.
Abriu a caixa.
E retirou um único documento.
As mãos dele tremiam.
No topo da página havia um nome.
VOSS.
Ele ficou olhando para aquelas quatro letras por alguns segundos.
Como se estivesse olhando para um fantasma.
- Não...
A voz atrás dele fez seu corpo inteiro congelar.
- Você não deveria estar aqui.
Ele fechou os olhos.
Devagar, virou-se.
Uma figura estava parada na porta.
- Eu só queria ter certeza - respondeu.
- Certeza de quê?
Ele levantou o documento.
- De que era verdade.
A outra pessoa ficou em silêncio.
E aquele silêncio respondeu tudo.
- Há quanto tempo vocês sabem?
Nenhuma resposta.
- Há quanto tempo?
- Tempo suficiente.
Ele riu sem humor.
- Vocês são doentes.
- Cuidado.
- Cuidado? - Ele deu um passo à frente. - Vocês apagaram famílias inteiras da história. Mataram pessoas. Destruíram registros. E agora querem que eu tenha cuidado?
- Você não entende o que está em jogo.
- Então me explica.
Silêncio.
- Me explica essa merda toda.
A figura se aproximou.
- Algumas verdades não podem ser conhecidas.
Ele olhou para o documento.
Depois para a pessoa à sua frente.
- Toda verdade pode ser conhecida.
- Não esta.
A chama da vela iluminou o rosto dele.
Por um instante, ele pareceu pensar em fugir.
Talvez devesse.
Mas não fugiu.
Apenas aproximou o papel da chama.
- O que você está fazendo?
- Terminando isso.
O fogo tocou a borda do documento.
As chamas começaram a subir.
- Você sabe o que vai acontecer se alguém descobrir.
Ele observou o nome desaparecer.
VOSS.
- Eu sei.
- Então por que está fazendo isso?
Ele engoliu em seco.
Os olhos estavam cheios de algo que parecia culpa.
Ou medo.
- Porque um dia alguém vai encontrar a verdade.
A outra pessoa ficou imóvel.
- E quando encontrar?
Ele soltou o documento.
As cinzas caíram sobre a mesa.
- Espero que seja forte o bastante para sobreviver a ela.
---
Anos depois, seis jovens entrariam no Instituto Aetheris.
Eles chegariam acreditando que conheciam suas famílias.
Acreditando que conheciam Elarion.
Acreditando que sabiam quem eram.
Não sabiam.
Alguns já carregavam segredos.
Outros carregavam mentiras.
E uma garota carregava um sobrenome que alguém passou anos tentando apagar.
Emma Voss.
Ela ainda não fazia ideia de quem era.
Não sabia por que sua família havia sido esquecida.
Não sabia por que certas pessoas a observavam como se ela fosse perigosa.
Não sabia por que o simples fato de existir poderia colocar o reino inteiro em risco.
E, principalmente...
não sabia que, no momento em que atravessasse os portões do Instituto Aetheris, sua vida acabaria mudando para sempre.
Porque existem coisas que podem ser enterradas.
Existem nomes que podem ser apagados.
Existem histórias que podem ser destruídas.
Mas a verdade?
A verdade é filha da puta.
Ela sempre encontra um jeito de voltar.
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Gente essa vai ser a primeira vez em que eu levo uma história ate o fim, esa eu venho trabalhando nela a meses e espero que eu consiga
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ARCANUM - O Despertar
Fantasía"Quando a verdade desperta, nenhum trono permanece seguro." Em Elarion, poder é herança. Os sobrenomes mais importantes do reino controlam tudo: dinheiro, política, exército e até o futuro daqueles que nasceram sem privilégios. No centro desse mundo...
