Prólogo.

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A vida é como o dia; acaba rápido demais.
E acaba para as melhores pessoas, ou as piores dependendo do ponto de vista.

Bom...
Seu dia acabou, senhor Argent.

Foi ótimo ter você como responsável esse tempo, mas, pelo menos, a Minerva tá comigo.

Ou...

Tava?

Eu só sei de uma coisa, agora estou encarando seu caixão de mármore, com a deusa dos espíritos gravada nele.

Você morreu, em 10 de janeiro, às 5:45 da manhã, do ano de 2050.
Morrendo pacificamente no seu escritório.

E hoje, 13 de janeiro de 2050, às 16:34, você está sendo enterrado.

Sobre Minerva... Ela está viva, claro, fazendo de tudo para cuidar de mim...

Só que...

Faz menos de três dias desde a sua morte, e ela já está exausta do trabalho... E bebendo muito.

Eu sei, como advogada, ela tem seus estresses, e me preocupa.

Eu sei o que você falaria: " Lilian, adultos têm estresse, e tá tudo bem, não precisa se preocupar com coisas que não estão nas suas mãos, você só tem 13 anos"

Mesmo assim... Me preocupa não poder ajudar, me sinto impotente.

Espero que você esteja bem onde quer que você esteja.

Um abraço da Lilian.
Adeus...

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Termino de escrever minha carta de adeus, para jogar na fornalha do cemitério.

Os terapeutas desses casos indicam fazer isso, dizem que melhora e deixa mais leve.

Eu não sei não. É meio furado esse negócio, mas fazer o quê?

Penso nisso enquanto olho para a janela.

Pássaros, árvores, um cachorro caramelo aleatório deitado de barriga para cima.

Dia ótimo...
Nem parece que vai chover...

Quer dizer, vai chover uma tempestade de pessoas em cima de você dando os pêsames.

Um aperto de mão já tava bom, para que abraço?

Sinceramente, o humano é um bicho complicado.

Mas tem uma espécie que se supera. São como 00,1% das bactérias, nem sabão tira.

Os Arks, vulgo minha família biológica.

Toc, Toc, Toc

Falando do diabo, veio o capeta na minha porta...

— Lilian, Podemos conversar?

Aí, ó, só pela voz, acho que é o advogado.

Preguiça de sair da cadeira...

— Fala daí, chefe — disse, sem nem me levantar.

O advogado suspirou por trás da porta.

— Fala sério, Lilian — Sua voz agora era irritada e ríspida — Quer saber? Se não quiser, nem levanta. Não quero perder meu tempo discutindo.

Ouvi seus passos se distanciando.

Suspirei e relaxei na cadeira.

Não quero ver mais ninguém por hoje


Manual de uma detetive ilegítima Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora