O ar dentro do Subterrâneo era quase denso demais para respirar. Um vapor quente, impregnado com o cheiro de álcool barato, fumaça e perfume caro, se misturava à pulsação grave da caixa de som que fazia o chão de concreto tremer.
As luzes vermelhas e azuis cortavam a escuridão em flashes rápidos, borrando os rostos da multidão em um transe coletivo.
Theo arrastou a mão pelo cabelo, tentando espantar a exaustão das últimas semanas.
A faculdade estava drenando cada gota da sua energia, e aquela festa de sexta-feira era o seu único refúgio. Ele só precisava de um copo cheio, uma música alta e algumas horas sem pensar em prazos, seminários ou no seu futuro.
Foi a caminho do banheiro, no corredor estreito e mal iluminado dos fundos do bar, que o mundo ao redor pareceu diminuir o ritmo.
Theo esbarrou com força em alguém que vinha no sentido oposto. Seu copo balançou, derramando um pouco de líquido na camisa do desconhecido.
"Poxa, desculpa! Eu não vi-" Theo começou, erguendo os olhos.
A desculpa morreu na sua garganta.
O homem à sua frente era mais alto, com ombros largos que preenchiam a passagem e um olhar escuro e penetrante que parecia cortar toda a névoa do ambiente.
Ele vestia uma jaqueta de couro escura e tinha uma barba curta, perfeitamente alinhada. Não parecia o tipo de frequentador habitual daquele inferninho universitário; havia uma aura de controle e maturidade nele que constratava totalmente com o caos da festa.
"Sem problemas", a voz do homem era grave, ressoando no peito de Theo mais forte do que o próprio grave da música. O desconhecido não se afastou. Em vez disso, deu um passo à frente, diminuindo a pouca distância entre eles. "Você parece meio perdido por aqui."
"Eu só... estava procurando um pouco de ar", Theo respondeu, a voz falhando ligeiramente. A proximidade era magnética, a pele do seu rosto esquentando a cada segundo.
"Acho que você não vai encontrar muito ar limpo neste corredor." O homem deu um sorriso de canto, provocante, os olhos descendo devagar pelos lábios de Theo antes de voltarem a encarar seus olhos. "Mas pode encontrar outras coisas."
Antes que Theo pudesse processar a audácia da frase, o desconhecido segurou seu pulso com firmeza e o puxou para uma reentrância escura ao lado das escadas de emergência, longe dos olhares da pista. O espaço era mínimo. A parede de tijolos frios encostou nas costas de Theo, enquanto o corpo do homem se aproximava até não restar espaço para o ar.
"Qual é o seu nome?" Theo murmurou, a respiração já descompassada.
"Nomes estragam a noite", o homem sussurrou contra a curva do pescoço de Theo, fazendo um arrepio violento percorrer a espinha do jovem.
A mão grande e quente do desconhecido subiu pela cintura de Theo, prensando-o com força contra a parede. O primeiro contato dos lábios foi uma colisão faminta.
Não houve hesitação ou delicadeza.
Bernardo - embora Theo ainda não soubesse seu nome - tomou a boca de Theo com uma dominação urgente, a língua invadindo e provocando uma onda de calor absurda que fez os joelhos do mais novo fraquejarem.
Theo soltou um arfado abafado contra a boca dele, arranhando os ombros da jaqueta de couro para se segurar. O Beijo se intensificou, ficando mais pesado, mais visceral. A mão do homem desceu pela costela de Theo, apertando seu quadril e puxando-o para frente, colando os corpos de forma incrivelmente explícita. Theo podia sentir a rigidez e a tensão do corpo mais velho pressionada contra a sua, um volume inegável que fez seu próprio ventre contorcer de tesão.
"Você é afiado demais...", Bernardo rosnou entre os beijos, descendo a boca até a linha da mandíbula de Theo, mordendo a pele macia do seu pescoço com força suficiente para deixar marca.
Theo soltou um gemido audível, jogando a cabeça para trás contra a parede fria. A mão de Bernardo deslizou por baixo da camiseta de Theo, os dedos ásperos roçando a pele quente do seu abdômen, subindo até apertar seu peitoral com uma firmeza que beirava a possessividade. O contato direto da pele fria do ar com o toque escaldante das mãos dele fazia Theo perder o chão.
O homem se encaixou com mais força entre as pernas de Theo, esfregando-se com um ritmo lento e pesado que extraiu outro gemido rasgado da garganta do estudante. A sensação de estar sendo dominado naquele canto escuro, com o risco de alguém passar pelo corredor a qualquer segundo, transformava o desejo em uma tempestade fora de controle. As mãos de Theo foram para o cabelo curto do homem, puxando-o para mais perto, querendo mais daquele calor, mais daquela boca impiedosa.
Foram minutos de um transe puramente carnal, onde a respiração entrecortada e o som dos lábios se estalando abafavam o som da festa. Quando a mão do desconhecido começou a descer perigosamente em direção ao cós da calça jeans de Theo, abrindo o primeiro botão com extrema habilidade, o som de uma porta de emergência batendo alto por perto os fez pausar por um segundo.
A respiração de ambos era pesada, o suor fino cobria a testa de Theo e seus lábios estavam vermelhos e inchados pelo atrito.
O homem olhou para Theo nos olhos, o olhar escuro brilhando com uma mistura de perigo e desejo não resolvido. Ele ajeitou o colarinho da própria camisa, deu um último beijo lento, quase doloroso de tão denso, no canto da boca de Theo, e sussurrou contra o seu ouvido:
"A gente se vê por aí, garoto."
Antes que Theo conseguisse recuperar o fôlego para responder ou pedir que ele ficasse, o homem se virou e desapareceu na multidão emaranhada da pista de dança, deixando apenas a pele de Theo queimando e a certeza de que aquela noite tinha mudado algo irreversivelmente.
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Entre Linhas e Segredos
General FictionSinopse Em uma noite barulhenta e banhada a luzes de neon, Theo só procurava uma pausa na rotina exaustiva da faculdade. Bernardo só queria um momento de liberdade longe do peso de sua carreira acadêmica. O encontro rápido no corredor escuro de uma...
