Sala 1

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Que faça a luz! O Verme etiquetado com a letra "R" cai naquela Sala, vazia, com o número um exibido em uma das quatro estruturas de tijolo e cimento pintados com corante de tonalidade escura.

R, ao olhar para o número, começa a pensar em toda a sua vida: cada escolha que fez.

A voz de Carrasco cortou o silêncio absoluto do ambiente:

— Vives? És capaz de existir?

R acenou com a pequena cabeça, lentamente.

— Vejamos.

E sem mais respostas. R irritou-se, ficou rosado do pescoço à testa. Ele exigia uma frase clara. Merecia mais.

Aquele cubículo começou a encolher, o algarismo colado às paredes também se aproximou. Era um número pequeno, quase insignificante se comparado aos infinitos outros números maiores que aquele, mas a figura era enorme, colossal, ocupava quase a parede toda. R se assustou, arregalou os pequeninos olhos que tinha em seu rosto, distanciando-se por puro reflexo.

Ele olhou para os cantos superiores daquele lugar, tentando encontrar algo que provasse que era uma brincadeira de mau gosto ou algo do gênero, mas não achou nada além do cinza frio e impessoal da tintura das paredes.

O que fazer, então? A Sala teria alguma saída? Propósitos?

Carrasco, encarando pela fresta da porta camuflada daquela sala, era o chefe. Aparelhos estimavam os sentimentos do Verme apenas analisando as microexpressões do indivíduo. A falta de ar vibrando as cordas vocais do pequeno há minutos era algo que o irritava e os aparelhos captavam. 

Um balde de tinta vermelha foi solto a comando do Carrasco, junto com um bipe estridente e ensurdecedor. Outros vermes, dessa vez armados, invadiram a Sala e se empurraram em direção a R, que relutou em abrir espaço, mas não resistiu por muito tempo.

As pegadas dos vermes manchavam mais ainda o chão e as paredes de vermelho enquanto uns empurravam o Verme e outros tentavam derrubar aquele lugar pelas paredes. R soltou um grunhido rouco, abafado e rasgado.

O Jogo das SalasOpowiadania do pokochania. Odkryj je teraz