O Juiz Além da Lei
Capítulo 1
Na igreja, o pastor Isaac pregava. Justino, jovem de vinte e três anos, sentava-se em um dos bancos da frente. Um crente concentrado, ouvindo cada palavra com atenção.
- E em Êxodo, capítulo 20, versículo 13 - disse o pastor, elevando a voz -, apenas duas palavras, mas que carregam o peso da eternidade. A Palavra de Deus diz: "Não matarás."
Ele fez uma pausa longa, silenciosa, e percorreu o olhar pelos fiéis.
- Meus irmãos, quando lemos esse mandamento, a nossa primeira reação humana é respirar aliviados. Olhamos para o lado e pensamos: "Glória a Deus, esse pecado eu não cometi. Nunca puxei um gatilho. Nunca tirei a vida de ninguém." Mas precisamos entender por que Deus colocou esse mandamento na rocha. Afinal, quem é o homem para destruir o que Deus criou? Quando um homem mata outro, ele não está apenas destruindo carne e osso. Está tentando assassinar a imagem e semelhança do próprio Deus Criador aqui na Terra.
O culto terminou antes do meio-dia. Justino saiu da igreja ao lado do pai, Alan. Despediu-se dos irmãos de fé e entrou no carro.
- Vamos pra casa? - perguntou.
Alan já estava ao volante.
- Podemos passar na loja primeiro? Minha equipe não conseguiu fechar os portões de ferro da entrada.
Justino riu, olhando para a estrada.
- Eles nunca conseguem, né?
- De cinco funcionários naquela loja, ninguém sabe abaixar aquele maldito portão de ferro.
- Então vamos pedir comida lá mesmo?
- Claro. Vai demorar pra voltar pra casa de qualquer jeito.
Alan dirigiu em silêncio por alguns instantes, pensativo.
- Você deveria chamar a irmã Patrícia pra sair um dia desses.
- Será que ela aceita?
- Claro que aceita. Você é um garoto bonito, tem a mesma idade dela, é focado na igreja igual a ela, e tem dinheiro pra pagar um almoço num bom lugar.
- Acha ela bonita, pai?
- Acho. Bonita e bem focada na igreja. É uma ótima moça.
Os dois conversaram o caminho inteiro até a empresa. Alan estacionou em frente à loja, pegou as chaves com o funcionário que o esperava na porta e, assim que o homem se afastou, falou com o filho:
- Pode ir lá dentro ver se eles lembraram de trancar as janelas?
- Posso.
Justino entrou. A rua não era das mais seguras, e não seria a primeira vez que deixavam janelas abertas. Enquanto conferia o interior, ouviu o portão de ferro descer com violência e bater no chão. Em seguida, o barulho rápido de chaves girando na fechadura.
Acelerou o passo. Do lado de fora, uma discussão feia. Seu pai confrontava três homens.
Justino gritou pelo nome dele para saber o que estava acontecendo lá fora e por qual motivo a porta foi fechada. A conversa já caminhava para a briga. Ouviu os homens gritando "abre essa porra" enquanto Alan, ainda educado, pedia calma e tentava convencê-los de que não havia nada de valor ali dentro.
Correu até o sofá escondido no fundo da loja. Debaixo dele, seu pai mantinha uma pistola Taurus GX4 em segredo, nem mesmo os funcionários sabiam. Pegou a arma por precaução. No instante em que se ergueu, ouviu uma sequência de disparos do lado de fora.
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O Juiz Além Da Lei
ActionApós ter o pai assassinado por assaltantes, Justino vê sua vida mudar completamente. Consumido pelo ódio e pela dor, ele expõe sua revolta contra a criminalidade em uma entrevista que repercute por todas as redes sociais, tornando-se alvo de crítica...
