Algumas obras não começam quando tocamos a pedra.
Elas começam muito antes.
Começam quando alguma coisa dentro de nós reconhece o que os olhos ainda não viram.
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Não foi o rosto que apareceu primeiro.
Foram as mãos.
Cobertas por uma fina camada de barro, elas se moviam devagar, como se conhecessem de cor cada curva daquela escultura antes mesmo de tocá-la.
O som veio depois.
Metal contra pedra.
Pausa.
Metal contra pedra.
Pausa.
Ritmo.
Como um coração aprendendo a continuar.
Não havia pressa.
Havia cuidado.
Ao redor, tudo era branco.
Não um branco vazio, mas aquele branco silencioso dos ateliês antes do primeiro raio de sol atravessar as janelas.
A chuva batia do lado de fora.
Eu não a via.
Só sabia que estava lá.
Assim como sabia que aquele homem também estava.
Mesmo sem conseguir enxergar seu rosto.
Quis chamá-lo.
Não consegui.
Quis caminhar até ele.
Meu corpo não respondeu.
Então fiz a única coisa que parecia possível.
Observei.
Ele parou de esculpir.
A mão permaneceu suspensa sobre a pedra por um instante.
Como se tivesse sentido que não estava mais sozinho.
Meu coração acelerou.
Ele começou a virar.
Devagar.
Tão devagar que parecia impossível aquele movimento terminar.
Primeiro o ombro.
Depois o perfil.
A luz encontrou o contorno do rosto.
Só mais um pouco.
Só mais um...
— Amaya.
Abri os olhos.
O quarto ainda estava escuro.
Meu coração batia tão forte que parecia querer escapar do peito.
Ninguém nunca tinha me chamado pelo nome naquele sonho.
Sentei na cama de repente.
Respirei fundo.
Fechei os olhos de novo.
As mãos.
A chuva.
O barro.
O silêncio.
Era tudo de que eu conseguia me lembrar.
Não.
Havia mais uma coisa.
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Esculpida em Mim
Non-FictionAmaya D'Foster está no último semestre da University Saint Alden e precisa criar a obra que definirá seu futuro como artista. O problema é que, pela primeira vez, toda a sua inspiração desapareceu. Enquanto luta contra um bloqueio criativo, um sonho...
