Sakura corria apressada pelas vielas da vila em direção ao castelo. Os respingos de lama com o impacto ansioso dos seus pés no chão sujavam o seu vestido.
— Tendes meu perdão, senhor?! — pediu ela, ao esbarrar na banca de um camponês e fazer uma maçã rolar.
Quando levantou o fruto a ele, o homem o apanhou rapidamente da mão dela, encarando-a com o boca numa linha reta, zangado. Sakura apenas encolheu os ombros e voltou a correr.
E, naquela amanhã, o que havia corrido mais rápido era a notícia.
Um vampiro fora capturado.
Ou melhor, os boatos diziam que se tratava de uma mulher. Seria correto chamá-la de "vampira" ou o termo certo seria "vampiro fêmea"? Eis a dúvida.
Enquanto o vilarejo de Konoha pulsava em inquietação, Sakura já alcançava o subsolo da fortaleza, um lugar mergulhado no frio e no silêncio.
Como filha do Lorde Kizashi e habitante do castelo, conhecia cada passagem secreta. Desceu a passos rápidos pela escadaria de pedra úmida, onde pairava apenas o odor espesso de ferro e poeira, sob a luz fraca das tochas.
Ao cruzar o corredor do calabouço, passou por celas ocupadas por prisioneiros comuns, homens sem qualquer história fantástica para contar.
Ignorou os assobios e murmúrios que vinham das sombras. Era evidente que guardariam a criatura o mais longe possível, no calabouço mais profundo.
Ao alcançar a última cela, finalmente a viu.
A visão, contudo, foi decepcionante e melancólica. Não se assemelhava em nada aos monstros das lendas.
Tratava-se de uma criança de não mais que dez invernos, acorrentada e coberta pelas marcas de longos dias de combate.
A pequena, que antes se encolhia com o rosto oculto entre os joelhos, ergueu a cabeça devagar.
Sakura inclinou o rosto, aproximando-se até segurar as grades de ferro.
Ignorando a imundície, a menina emanava uma beleza sublime. Observando melhor, havia sim algo de sobrenatural. A pele parecia reluzir com uma luz pálida, mesmo no escuro.
Lembrava uma tragédia esquecida pelo tempo, um anjo caído, mas em sombras. Seus olhos, no entanto, estavam marejados de lágrimas.
— Ei... — chamou Sakura, em voz branda. — Qual é o teu nome?
Não houve resposta. Em vez disso, a feição da garota transformou-se por completo.
A feição de criança chorosa deu lugar a de um monstro. Um rosnado ressoou pelo ar pesado enquanto ela exibia as presas alongadas, tingidas por um sangue que claramente não era seu.
Seus olhos transformaram-se de um negro profundo para um escarlate vívido como rubis, brilhando ardente em puro instinto de defesa enquanto as veias sob sua pele pálida saltavam.
O coração de Sakura disparou, um pulsar quente contra o frio rigoroso daquele lugar. Era exatamente como nas pinturas. Na verdade, piores.
Ainda assim, não recuou. Permaneceu firme, tão próxima das grades que o calor de sua respiração quase alcançava a garota.
— Você está ferida — sussurrou Sakura, sua voz suave quebrando a tensão ao ver os pulsos da menina. — E as lágrimas nos seus olhos... elas parecem habitar teus olhos há dias. Deve ser a mesma marca da dor de quem espera por você lá fora.
A menina paralisou. A hostilidade em seu olhar deu lugar a uma surpresa frágil. Ela observou a jovem humana, a pele rosada, a curiosidade nos olhos verdes e, acima de tudo, a falta de ódio.
CZYTASZ
A Isca do Vampiro - SasuSaku
FanfictionA cura para o tédio é a curiosidade. Mas para a curiosidade, não existe cura. Sakura deveria tremer diante do terror nos olhares dos cavaleiros que voltavam das batalhas. Em vez disso, o que a invade é o fascínio profano pelos segredos além das mura...
