Um emprego e uma pizza sabor calabresa, por favor.

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Eu estava no estado mais deplorável da minha existência.

Depois da sequência de tragédias que aconteceram nos últimos dias eu decidi que o melhor para continuar existindo sem que houvesse a possibilidade de ser atropelada por um javali ou ser abduzida por uma sociedade intergaláctica inteligente que deseja escravizar nosso planeta e me usar como isca, seria ficar trancada em casa. Destruindo todos os doces do mundo e maratonando todos os filmes do Adam Sandler.

Eu já tinha assistido click nove vezes.

Minha mãe tentava desesperadamente conversar comigo depois da briga feia que tivemos. Eu me senti horrível todas as vezes que virei o celular com a tela para baixo e ignorei a ligação. Mas eu não tinha cabeça para tentar resolver as coisas agora, pelo menos não enquanto meu irmão ainda estivesse na cidade.

Agora eu estava no meu sofá, com uma caixa de pizza sabor calabresa e assistido Esposa De Mentirinha mais uma vez. Minha única companhia era Gata, a minha Lulu da Pomerânia. A sala estava um caos. Minha mesa de centro estava abarrotada de blocos de notas, folhas pautadas e meu notebook embaixo de todo aquele caos.

Desde que perdi o emprego na Seven, tentei com todos os esforços focar no meu blog, quem sabe aquele fosse o momento ideal para finalmente colocar meus planos de ter minha própria revista em ação, mas eu estava de saco cheio. O esgotamento mental se tornou meu companheiro depois da sequência de coisas ruins que aconteceram comigo.

Josh me bloqueou de sua vida. Simplesmente me deu Ghosting, parou de responder as minhas mensagens e me removeu de todas as suas redes sociais. Minha (ex) melhor amiga arquitetou um plano diabólico para que o meu chefe me jogasse fora como uma rata descartável, para que ela pudesse ficar com o meu cargo na empresa. Tina fez com que eu atingisse o ponto mais alto de decepção com alguém, e olha que eu tinha o meu irmão...

Gata pulou do meu colo quando ouviu o som da campainha, correndo para a porta e latindo para quem estivesse lá atrás. Enfiei uma fatia quase inteira de pizza na boca, torcendo para que quem estivesse do outro lado desistisse e fosse embora quando percebesse que eu não iria abrir. Mas a pessoa era particularmente insistente.

Bufei, deixando a caixa sobre a pilha de papéis e arrumando meu moletom para que cobrisse o short curto que usava. Dei alguns passos até a porta, meu apartamento não era tão grande, mas era confortável para alguém que mora sozinho. Em dias normais, estaria impecável — embora eu não fosse exemplo quando se trata de organização — mas hoje estava um completo caos.

Abri a porta sem muita paciência. Do outro lado estava Claire, com seu melhor conjunto de grife, o cabelo perfeito de um comercial de shampoo e a pele dos deuses. O contraste perfeito entre duas pessoas. Ela me olhou de cima à baixo, com uma expressão de susto que não conseguia — não que ela tivesse tentado — disfarçar.

— Proibiram as escovas de cabelo, querida? – disse a ruiva, entrando no meu apartamento como se estivesse entrando em um buraco — Cristo... – ela murmurou, definitivamente um clamor pelo estado em que minha casa se encontrava.

— Não está tão ruim. – falei, voltando até o sofá. Tirei as almofadas, abrindo espaço para que ela sentasse. Ela se aproximou de mim desconfiada.

— Elena, você está horrível – constatou, e meus ombros murcharam.

— É muito bom se sentir especial, muito obrigada pelas palavras de conforto. – falei em tom de ironia enquanto me jogava no sofá, voltando ao meu estado de espirito anterior, afundada entre almofadas. Gata pulou no meu colo outra vez.

— Estou falando sério, você precisa sair dessa – minha amiga colocou a bolsa sobre a mesa e tirou os sapatos caros, cruzando as pernas e sentando sobre elas — conseguiu alguma coisa? – eu neguei com a cabeça — e seu blog? – franzi o nariz, uma clara resposta negativa. Claire respirou fundo e virou o corpo completamente para mim, constatando a situação deplorável e decidida a iniciar sua intervenção.

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