📖 CAPÍTULO 1: O FOGO QUE NÃO SE APAGA

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A chuva caía forte sobre Nova Orleans, lavando as ruas de paralelepípedo e espalhando o cheiro de terra molhada e magnólias. Mas dentro da mansão Mikaelson, o ar parecia ainda mais pesado.

Ember Peters estava sentada perto da grande lareira, observando as chamas dançarem — algo que sempre fazia quando estava inquieta. Ela vivia ali há algumas semanas, acolhida pela família depois de chegar à cidade buscando respostas, mas ainda não sentia que pertencia. O calor estranho que às vezes subia por seu peito, como se houvesse uma chama viva presa dentro dela, só aumentava sua confusão. Tinha medo de que, se perdesse o controle, acabasse machucando quem lhe dera abrigo.

Foi quando Kol se aproximou, sentando ao seu lado sem fazer barulho. Ele notou como ela olhava para o fogo, com uma mistura de fascínio e receio.

— Você passa horas olhando para ele, ruivinha — disse ele, com aquele sorriso leve e curioso que só ele tinha. — Como se estivesse vendo algo que ninguém mais vê.

Ember corou um pouco, desviando o olhar para as chamas.
— É que... às vezes sinto que sou parecida com ele. Que se eu não tomar muito cuidado, posso queimar tudo ao meu redor.

Kol balançou a cabeça devagar, virou-se totalmente para ela e olhou firme nos seus olhos:
— Não tenha medo do que há em você. Alguns fogos não servem para destruir — servem para aquecer, para iluminar, para dar vida. E eu tenho certeza absoluta que o seu é assim.

Naquele instante, como se tivesse ouvido e aceitado suas palavras, a chama da lareira mudou de cor: passou do laranja comum para um dourado brilhante, intenso e belo. Ember sentiu o calor aumentar suavemente em suas mãos, mas não queimou — foi como um abraço quente e familiar.

Ela não sabia ainda, mas aquele brilho era apenas o primeiro aviso. Dentro dela dormia um poder antigo, lendário, capaz de fazer o impossível. E logo, muito em breve, ele precisaria despertar.

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