Prólogo

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Julho de 1991.

A Mansão Rosier permanecia mergulhada em um silêncio antigo.

Não era um silêncio vazio, mas o tipo de quietude que apenas casas muito antigas aprendiam a cultivar. O rangido discreto da madeira, o estalar distante de uma lareira e o leve farfalhar das folhas além das janelas eram os únicos sons que atravessavam os corredores de pedra.

A residência jamais fora construída para ostentar riqueza. Havia elegância, certamente, mas ela se manifestava em outro lugar. Nas estantes que ocupavam paredes inteiras. Nos milhares de livros cuidadosamente preservados.

Nos mapas celestes pendurados entre tapeçarias desbotadas pelo tempo. Nos instrumentos alquímicos repousando sobre mesas de carvalho.

Nas runas entalhadas diretamente na arquitetura da casa, como se aquelas pedras tivessem sido erguidas não apenas para sustentar um teto, mas para guardar conhecimento.

Cada corredor contava parte da história da família Rosier. Uma linhagem que passara séculos estudando aquilo que poucos sequer ousavam mencionar, magia antiga.

Lyra caminhava tranquilamente pelo corredor principal. Os cabelos castanhos, ainda úmidos do banho, balançavam de forma tranquila enquanto segurava um pequeno livro junto ao peito.

Conhecia cada detalhe daquela casa. Cada escada. Cada porta. Cada retrato.

Desde que perdera os pais, ainda muito pequena, aquele lugar deixara de ser apenas a residência do avô, era o seu lar.

Ao chegar diante de uma pesada porta de madeira escura, respirou fundo antes de bater duas vezes.

A voz grave veio do outro lado.

— Entre.

Ela sorriu antes mesmo de abrir. A biblioteca ritualística era seu cômodo favorito da mansão. O teto alto desaparecia entre sombras. Prateleiras circulares subiam até o segundo andar, alcançadas apenas por escadas móveis.

Velas flutuavam lentamente pelo ambiente, lançando uma luz dourada sobre livros encadernados em couro, pergaminhos antigos e instrumentos cuja função Lyra jamais aprendera completamente.

No centro da sala havia um grande círculo rúnico gravado diretamente no piso de pedra. Não parecia desenhado. Parecia fazer parte da própria construção da mansão.

As inscrições percorriam o chão como raízes petrificadas. Antigas. Precisas. Imutáveis.

Alaric Rosier encontrava-se ajoelhado ao lado do círculo. Revisava cuidadosamente pequenas placas de prata gravadas com símbolos rúnicos.

Mesmo sem levantar a cabeça, percebeu sua chegada.

— Pontual como sempre.

— Você também.

Ele sorriu discretamente.

Já passava dos setenta anos, embora a postura ainda mantivesse certa imponência.

Os cabelos completamente brancos contrastavam com os olhos cinzentos, atentos como os de um pesquisador que jamais deixara de observar o mundo.

— Dormiu bem? - perguntou ele.

— Melhor que da última vez.

— As dores passaram?

— Faz alguns dias. - Ela respondeu naturalmente, como quem comentava uma chuva que havia terminado.

Alaric terminou de alinhar a última placa, ergueu-se lentamente.

Lyra já sabia exatamente o que fazer.

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